O Jerns começou. Com ele vêm as competições, a superação, as rivalidades. Com as rivalidades vêm às brigas, tão tradicionais dos jogos. Porém esse fato é minimizado com as proporções dos jogos, da socialização que o esporte permite. O Jerns é uma grande oportunidade para atletas do estado inteiro demonstrar suas habilidades e com isso, quem sabe, ganhar uma bolsa de estudos e ter uma perspectiva de vida melhor. O Jerns mexe com o brio de todas as escolas do Rio Grande do Norte. É muito empolgante ver os alunos-atletas, principalmente do interior, desfiarem seus uniformes modernos ou não. Novos ou não.
Sabemos que as escolas privadas têm uma estrutura melhor, um planejamento educacional que permite, desde o primeiro mês do ano, condições favoráveis para que os atletas possam desenvolver suas atividades. Longe dessa realidade estão as escolas públicas, que sofrem com o descaso educacional do governo, sem um planejamento que vise à melhoria da vida desses alunos, através dos esportes. As vitórias das escolas públicas perante as instituições privadas são dadas como superação, e realmente são. Superar os adversários é fácil perto do desafio de sair da sua cidade, viajar quilômetros desconfortavelmente, e ficar alojado em ginásios cobertos de infiltração. Mas, o prazer da competição e a essência da vitória faz com que, esses alunos venham a Natal disputar esses jogos tão tradicionais.
Tradicional mesmo no Jerns são as torcidas. Em 2005 essa tradição foi quebrada, graças a alguns marginais que compareciam ao Machadão para aterrorizar as pessoas de bem. Em 2005 e 2006 a cerimônia de abertura foi restrita a 15 alunos de cada instituição e foi realizada no Centro de Convenções. Este ano de 2007, a abertura foi realizada no machadinho, onde o Colégio das Neves, como sempre, deu um verdadeiro espetáculo com sua torcida organizada. Porém, os marginais compareceram mais uma vez, e as brigas aconteceram, mas a polícia militar prendeu metade e expulsou a outra. O fato é que, apesar do show da torcida do Neves, mais uma vez a politicagem e a falta de organização marcaram mais uma vez a abertura dos jogos. Fatos lamentáveis aconteceram, entre eles, a injustiça de não premiar a melhor escola, e sim, favorecer uma escola pública apenas para dar incentivo. Está bem que incentivar as escolas públicas é uma ação correta. Porém, o incentivo não dever ser esse. Pois diz a lenda que, quem vence é o melhor, e não o menos favorecido. Mas são coisas da organização do Jerns.
As competições iniciaram-se dia 20 e vão até o dia trinta e um de outubro. Nesse período colégios tradicionais como Neves, Marista, Henrique Castriciano, Auxiliadora entre outros, mediarão forças para vencer suas competições e acabar com a seqüência de títulos gerais do Contemporâneo que venceu as últimas três edições. Esse ano, o Neves tenta um fato histórico: conquistar seu 15° título de Jerns. Sendo o maior vencedor da competição o Neves venceu, desses quatorzes títulos, oito consecutivas. Outro grande vencedor é o Marista que subiu no lugar mais alto do pódio oito vezes. Juntos Neves e Marista somam 22 títulos, sendo que os jogos chegam a sua 37ª edição.
Apesar dessas qualidades, desse brilho e dessa coisa da unificação dos atletas, o Jerns é mal organizado. Os jogos de interesse dentro da organização do evento são claros a qualquer pessoa que conviva os jogos diretamente. Os ginásios municipais e estaduais são precários. Os privados, alguns, deixam a desejar. Os alunos do interior não têm o incentivo que precisam como alimentação e dormitórios de vergonha. Mas apesar de tudo isso, o Jerns é a maior competição estudantil do Brasil. Boa sorte aos atletas, e que vocês façam dessa edição a melhor da história, onde tudo será decidido nas quadras, nos campos, nas pistas e etc; e que nada seja resolvido nas delegacias e tribunais.