Conversas Desmembradas

Janeiro 26, 2008

Prefácio: Como ando de férias, convoquei de certa forma, uma velha talentoso e conhecida amiga. Vanessa Matos, guardem esse nome, na Medicina, no Direito ou no Jornalismo. Abaixo segue um dos seus lindos poemas, sobre coisas, lógico, verídicas. Enquanto vocês lêem graciados as palavras abaixo, eu tento convecê-la a continuar publicando por aqui.

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Por: Vanessa Matos

Estava num bar quase que agora

A noite seguia adiante

Nem parecia que ali estávamos

Rompendo o silêncio entre o se pôr e o nascer do sol radiante

Desse bar cheguei cambaleando confesso

Mas o que me surpreendeu ao certo

Foi o dia seguinte

Quando lembrei que o inóspito me havia feito aprender

Aprendi que as histórias de antigas amizades

Não ficam presas ao tempo

Desbocam-se do coração

 Ao lembrar depois daquela dose

Que as molecagens deixaram saudade

E os moleques tornaram-se homens de verdade

Naquela mesa de bar aprendi

Que com o tempo a gente aprende certas coisas

Como parar e simplesmente perceber que é hora de doar-se

Sentir a realidade

O que achamos que alguém precisa

Pode na verdade nada ter haver com o que esse alguém esteja realmente precisando

Foi sentada ali que aprendi

Que imprevistos acontecem

E quando muito planejamos e desejamos

Nada esperamos

O último gole dessa noite

Entre tantos intervalos da lua e o sol

Tantas histórias revividas

Tantos valores em meio de tantas conversas desmembradas.


A volta dos que não foram

Janeiro 25, 2008

Voltei. Na verdade, senti saudades e resolvi antecipar minha volta das férias. Carnaval é semana que vem. Estamos arrumando as malas. Mudando de assunto, 2008 começou bem, muitos projetos e muitos planos e coisas novas. Mas como isso aqui não é coluna social, vamos ao que realmente interessa.

Começando pela política. Política americana. Hoje o maior jornal impresso do mundo, The New York Times, declarou com todas as letras que apoiava a candidata a presidente, Hillary Clinton entre os democratas. Conduta normal entre os jornais e jornalistas daquele país. A contraponto do jornal de Adolph Ochs, eu declaro que apoio, entre os democratas, Barack Obama. O afro-descendente, que tenta chegar a Casa Branca, tenta mudar aquele país, de certa forma, consevador. Creio que o jovem, que é senador, não está relacionado com os grandes barões da política americana, como Hillary. Além de ser um cara altamente preparado.

Indo da política para o futebol. Começou os campeonatos estaduais, logo, terminou o tédio das noites de quarta-feira e das tardes de domingo. No paulista, a disputa está boa, e de ante mão, aposto no Palmeiras. O São Paulo manteve a base, porém a defesa ficou mais fraca e isso me preocupa. Aposto no São Paulo para Libertadores e Brasileiro, não para o paulista. No Rio, Flamengo venceu seus dois jogos, isso não indica nada, porém os rubro-negros são os bichos ‘papãos’ desse campeonato. Mas o Fluminense, o único tricolor do mundo segundo Nelson Rodrigues, fez grandes contratações e aposto nele. Vou me resumir a o eixo Rio-São Paulo.

Volto a alimentar meu ego, ando mudando. A cada dia que passo mudo. Mudo meus pontos de vista, minhas visões de mundo. Mudo a cada livro que leio, e mudo mais quando releio o mesmo livro. Mudo todo dia quando acordo e volto a ser eu mesmo quando durmo; Mudo quando discuto com meus amigos e quando eles me falam que eu sou ‘o cara’; Quando me criticam, eu mudo também, pouco mais mudo. Mudo quando ligo para Santos e falo com minha tia; Mudo quando ligo e as pessoas não atendem; mudo quando o São Paulo vence, mudo, muito mais, quando ele perde. Mudo quando atualizo meu blog, e quando recebo um comentário no orkut. Mudo por que dizem que eu não posso ser sempre o mesmo; mudo, hoje, por mim. Mudo para melhor a cada dia; ou não, sei lá. Mudo, mas não perco a personalidade; mudo concepções, estilos talvez; forma de tratamento. Mudo porque trabalho, e mudaria se não trabalhasse; mudo porque estudo, se não estudasse mudaria também, para pior é verdade.

Amo e odeio com a mesma intensidade, estou mudando isso também. Odiar e amar menos é o meu ideal. Mudo quando cai uma árvore, e quando cai um avião; mudo mais quando as árvores caem, pois elas valem mais que as pessoas; insensível? Sou. Estou mudando. Ficando mais insensível, pois assim, serei sempre mais racional. O coração só atrapalha. Aliás o coração, é importante, bomba sangue e enquanto ele funcionar estarei vivo.

Mudo com os amigos, trato eles com mais carinho; não para preservá-los para sempre, e sim para demonstrar em gestos o que sinto por eles; sou péssimo com declarações, estou mudando isso. Me declaro quando amo e quando gosto, demonstro nada mais; Mudo a cada sim que recebo, pois sei reconhecer a bondade dos outros; mudo a cada não, pois eles demonstram quem realmente são as pessoas. Mudo com as pessoas também. Mudar é bom. Mudar é ruim também. As vezes gosto de mudar, as vezes odeio. Porque no fundo mudamos por um propósito, ou por um objetivo; seja ele para sermos melhores pessoas, ou para conquistar algo ou alguém; seja para mudar por mudar. No meu caso são todos os motivos citados e imagináveis; Mudo sim.

Mudo se quiser também. Mudo sem querer mudar. Mudo, mas continuo o mesmo. Não se empolguem, mudei e mudo, mas a fragância continua: o pessimismo-realismo, o humor sarcástico e a soberba. Além da bondade e o coração mole, que tento mudar. Mudo quando penso em Maquiável, ‘melhor ser temido que amado’; mudo e penso que o amor só atrapalha. Se não atrapalha, engana. Pois mudei e acho que a gente ama alguém, até o dia que nos convém amar. Depois a pessoa ‘amada’, torna-se apenas mais uma no mundo. Continuo mudando…

 Ps. Quando eu sentir saudades, eu volto. Até lá!