Por: Bruno H.B. Rebouças
Antes que alguém possa me chamar de comunista, afirmo que não o sou. Não por preconceito, nem por medo, nem por ser um sistema utópico que comprovadamente deu errado. Não sou comunista, pois ignoro a primeira regra dos comunas: ‘supressão da propriedade privada’. Ignoro também, que todos os meios de produção estejam nas mãos do Estado. Mas, vamos ao que interessa.
Fidel renunciou a mais um mandato que lhe seria conferido no dia 24 de fevereiro. Foram 49 anos de governo, de desafios e de muitas conquistas. Segundo um documento da CIA, apresentado pelo canal 4 inglês, em 2006, foram 638 vezes o número de tentativas de assassinato a Fidel. Resistir à força econômica e bélica americana não é para qualquer um. Sou um fã de Fidel, por tudo que ele fez. Lógico que sei que ele matou todos os seus inimigos, os ditos ‘inimigos da revolução’, mas creio que entre matar e morrer, ninguém ficaria com a segunda opção. A maioria das pessoas idolatram Che. Eu prefiro o líder máximo, Castro. Pelo simples fato dele ter comandado o argentino estudante de medicina que virou revolucionário. por ter idealizado a revolução que libertou o povo cubana da Ditadura (verdadeira) de Fulgêncio Batista. Castro queria libertar a ilha, há 200 quilômetros dos EUA, do poderio da nação do tio San; e quando a revolução saiu vencedora, Cuba deixou de ser anexo e parque de diversão dos americanos. Lógico que essa atitude não deixou o, ‘bonitão’, presidente Kennedy feliz.
Muitos criticam o regime de racionamento de Cuba, mas todos esquecem do embargo econômico imposto pelos EUA desde 1960. Só aí que a ilha de Fidel se aliou a União Soviética. Não precisamos estudar muito sobre Cuba, para descobrirmos que o presidente e o 1º ministro cubano, Fidel e Che, respectivamente, tentaram negociar com o presidente Eisenhower (1952-1960) que não deu trela aos revolucionários.
Quarenta e nove anos depois da revolução de 1º de janeiro de 1959, Cuba atingiu aspectos sociais invejáveis a muitos países desenvolvidos, imagine aos subdesenvolvidos. Um país que todos têm onde morar, independente da qualidade das residências. Segundo a Unesco, 98% das casas cubanas possuem instalações sanitárias adequadas, enquanto que na democracia e na liberdade de imprensa (dizem) brasileira, apenas 75% das casas possuem as mesmas instalações. Em Cuba há o racionamento de comida, infelizmente, isso é necessário; tratando de um país pobre, onde sem o racionamento nem todos comeriam como acontece aqui. “Você não encontrará aqui crianças pedindo esmolas, dormindo na rua, descalças ou desnutridas” (Fidel Castro).
Segundo a CIA o desemprego em Cuba, em 2007, era de 1,9%, enquanto que no Brasil era de 9,6. E o que mais me surpreende é que um país que mata seus adversários, raciona comida e vive uma ditadura, tenha apenas 0,02% de analfabetos. Enquanto o país do futebol, em 2006, tinha 13,9%.
Não quero convencer você, leitor, que Cuba é melhor que o Brasil. Apenas quero lhe mostrar que Cuba não é o inferno que os meios de comunicação do Brasil pregam. Logicamente que você não apóia o racionamento de comida, não é? Mas isso acontece porque você, meu caro, tem o que comer todos os dias. Você tem o conforto da sua casa. Agora indague a qualquer mendigo se ele não preferia ter uma casa, mesmo que bem humilde.
É muito fácil falar, julgar. Defender interesses capitalistas, das quais eu apoio. Mas nunca é demais olhar para as coisas com olhos abertos. Prefiro a ditadura de Cuba à democracia brasileira, pelo simples fato de não agüentar mais comprar jujuba de meninos nos coletivos da cidade; porque não agüento mais ver crianças que poderiam está nas escolas, perdendo a inocência trabalhando nos sinais. Porque cansei de ver nos jornais que pessoas morrem nos corredores dos hospitais por falta de médico. Prefiro Cuba, pois “hoje, 500 mil crianças vão dormir na rua. Nenhuma delas é cubana” (Fidel).
Até mais.
_____________
Texto publicado no jornal, mensal, Litoral Notícias. Mês de Fevereiro. Ainda não recebi nenhum email ofensivo.
Escrito por mediaalternativa
Escrito por mediaalternativa
Escrito por mediaalternativa