Por: Rogério Marques
A mídia burguesa não se conteve ante a renúncia de Fidel e promoveu excessiva parcialidade. Parecia mesmo torcida organizada festejando a vitória do time do coração: o imperialismo anti cuba. A Veja foi categórica ao sintetizar na capa da revista todo seu ódio contra o líder cubano. A manchete JÁ VAI TARDE, sobre a imagem assombrada de Fidel, revela a mancha imperialista que reina o projeto editorial da revista. Assim como a Veja, a tropa de elite da imprensa brasileira tomou partido e deu o veredicto: o capitalismo deve voltar a imperar na ilha ora socialista. A partir da renúncia de Fidel o futuro do povo cubano passou a ser objeto de especulação dos magnatas da comunicação. Estes que servem tão bem ao senhor dono de tudo, o todo poderoso imperialismo capital. Abertamente, a mega mídia saiu em defesa dos EUA e divulgou a vontade do seu amo: uma “transição democrática para o povo cubano”.
Essa interferência sem limites dos meios de comunicação de massa em assuntos de Estado faz parte do jogo do poder, que usa a influência da imprensa para se perpetuar no comando. O debate sobre o processo histórico é deixado de lado para dar vez e voz aos poderosos. Desse modo, a ditadura da mídia representa verdades que são convenientes aos interesses do seu patrimônio. Este tem sido o papel do poderoso império Global e seus comparsas da comunicação ao longo dos tempos. Foi para cumprir essa tarefa de montar realidades que no dia 1º de setembro de 1969, em pleno AI-5, a Rede Globo inaugurou o Jornal Nacional. Atualmente, Rede Globo, Folha de São Paulo, Editora Abril e suas máquinas de fazer alienação controlam a imensa maioria das noticias que chegam aos milhões de leitores/telespectadores no Brasil inteiro.
As notícias sobre a renúncia de Fidel só reforça a opinião de que não existe neutralidade na imprensa. Todos os veículos de comunicação falam a língua do seu dono. A informação, que deve ser tratada como instrumento de liberdade e de interesse coletivo, tem sido manipulada a toque de caixa. Essa troca de favores entre imprensa e poder termina por manchar o jornalismo. Diferentemente dos vendedores de notícias e conteúdo, que não tem nenhum compromisso com o coletivo social, existem profissionais da comunicação que não se deixam manipular pela elite dominante e não aceitam esse lado podre da mídia.
Precisamos amplificar o nosso coletivo de comunicação independente. Que seja um instrumento utilizado a favor da Senzala, contrapondo-se ao poder da Casa Grande. Uma mídia que seja capaz de provocar olhares críticos acerca dos acontecimentos. A intervenção de rádios comunitárias, fanzines, a imprensa livre na internet, além de jornais e revistas independentes são maneiras de realizar uma comunicação autônoma. Um espaço onde todos possam trocar informação, produzir e interferir nos mais diversos processos de comunicação.
Escrito por mediaalternativa