Stálin de Faria

Junho 30, 2008

 

Por: Bruno Rebouças 

 

Mais uma vez deixo com que um fato passe pela opinião pública, para poder me manifestar. O melhor dessa atitude, é que os dados, os motivos e as razões estão mais visíveis que no calor da hora. O fato abordado neste artigo, será a vitória dos wilmistas, sobre os, revolucionários, rogeristas. A princípio creio que essas nomenclaturas firmam dinastias. Coisas imperiosas, que não somem nunca. Assim como as correntes político-filosóficas, como o leninismo, stalinismo, marxismo, maoísmo, trotskismo entre outros.

 

Esse último foi um dos maiores idealizadores da extinta URSS, e um dos maiores pensadores do século XX. Bem como, era comum para o regime revolucionário, Trotski virou inimigo da revolução que ele ajudou a implantar. Perseguido incessantemente, ele foi morto em 1955, por ordens de Stálin, que ordenou milhares de mortes de inimigos e ex-amigos da União Soviética. Aquele que ia virar padre, e resolveu ser ditador. Todos, sem exceção, que cruzassem o caminho do bigodudo russo (Stálin), tinha sua vida política e social, necessariamente, extinta.

 

Após essa metáfora, volto a Natal. Rogério Marinho e todos os seus seguidores desafiaram o poder elitizado, dentro do PSB (Partido Socialista Brasileiro), ou seja, Wilma. O que considero uma atitude muito válida, dentro das perspectivas que não aceitavam o, inútil, ‘acordão’ entre todos os caciques da nossa política. Todos não, quase. Porém a atitude de Rogério, que seria Trotski, foi repudiada por muitos que o chamaram de traidor, ingrato e tudo mais. No fim, prevaleceu a força da cacique-mor, Wilma de Faria, que seria Stálin.

 

O desafio que Rogério fez a mandatária norte-rio-grandense, foi de extremo valor para a população, e demais partidos enxergarem que a democracia reside no instante em que há uma pluralidade de opiniões. Como dizia Nelson Rodrigues, “toda maioria é burra”. Logo, quando tudo é unânime, talvez exista um grande silêncio por parte de muitos, ou todo mundo é burro mesmo. Acredito na primeira hipótese.

 

Partindo para outra esfera, sempre acreditei que os filiados de um partido são, ou deveriam ser, adeptos de suas ideologias. Crendo nisso, Wilma é socialista? Rogério Marinho, Carlos Eduardo e Salatiel também o são? Logicamente que eles, talvez, não saibam que o socialismo é um estado preparatório para o Comunismo. E respondendo as duas perguntas anteriores, indago que não. Não são socialistas.

 

Se o socialismo é um estado de preparação para o Comunismo utópico, de Marx e Engels, logo existe, ou deveria existir, para os socialistas, o 1º preceito dos comunas: “supressão, da propriedade privada”. Marx e Engles intitulam dez preceitos iniciais, no livro-bíblia dos comunistas, O Manifesto do Partido Comunista, 1848 (eu tenho e posso emprestar). Isso nos leva a concluir que as ideologias partidárias na servem para absolutamente nada. A não ser confundir e enganar o povo. Logo penso em fundar um partido também, podia ser o Partido da P.q.P.

 

Levando para o parâmetro midiático, ninguém ousou apoiar Rogério. E houve sim, uma comemoração por parte da imprensa pela vitória da ‘guerreira socialista’. Muitas manchetes, fotos, opiniões medianas que, quase sempre, não passam da mesmice. Inclusive essa palavra (mesmice), nesse estado belíssimo é muito comum. Bem como em um império, somos reféns de grupos políticos oligárquicos que passam o poder a seus herdeiros políticos. A política em forma de ciência, não existe. Ela é encarada como profissão. No livro de Max Weber, Política e Ciência – duas vocações, o Karl Marx do capitalismo, declara que ser político é representar o cidadão, e as coisas que eles necessitam, fazendo disso um cargo público, com expiração, no nosso caso quatro anos. Mais o que vemos é um ciclo vicioso, que começa no berço e vai entrando eternidade a dentro. Alves, Maia, Faria entre outros casos pelo país.

 

O fato é que, não podemos aceitar que grupos interessados a manter o monopólio do poder nos façam engolir parcerias pífias, como o PMDB, junto com PT e com PSB. Nesse conjunto para fecharmos como chave de ‘ouro’ faltava só os social-democratas de meia tigela, do PSDB. Não estou fazendo política para senhor ninguém, mas viso como um homem de princípios, o melhor para a população como um todo e não apenas para mim ou para meus entes e amigos queridos.

 

Por fim, declaro: talvez Wilma seja mais piedosa que Stálin e não sepulte os rogeristas. Rogério, talvez, tenha mais sorte que Trotski e continue com suas atribuições políticas. Talvez essa afronta de Rogério, tenha sido mais um golpe de Wilma, na sua brilhante carreira política. Para depois estender a mão ao filho pródigo e protegê-lo mais uma vez no seu seio, ou curral, eleitoral, como uma mãe que perdoa os erros do filho.

 

Só o tempo nos dirá, mas desses ‘socialistas’ eu não espero nada. E ninguém me garantiu que isso tudo não foi mais um pão e circo da Natal moderna. Onde Garibaldi, dois anos antes (2006), ataca Wilma em rede estadual e vice-versa, e depois, ambos, apertam as mãos e sorriem para a mesma foto. O que é aplaudido hoje; é repugnável amanhã. Até mais.


Sport Campeão

Junho 18, 2008

Por: Bruno Rebouças

Mesmo sabendo que é um pouco tarde para falar da final da Copa do Brasil, a mais fraca dos últimos anos, em termos futibolíticos, tal fato não podia passar batido, por mim. A conquista do Sport, é uma glória para todo o Nordeste. Não porque, como dizem muitos, é uma terra sofrida de gente humilde. Não, primeiro por que acho isso tudo balela, de pessoas que vivem em cima de preconceitos e conceitos, equívocos. Creio que a importância desse título se dá, pelo fato do Sport, e principalmente o Sport, enterrar de vez por todos a ridícula discussão em torno do título nacional de 1987, na qual o Flamengo (tetra e não penta campeão brasileiro, perdeu por W.O).

Voltando ao assunto, eu fui um dos muitos que torceram para o time de Recife (sim, sou paulista, mas acho válido esse título para essa região tão rica). O Sport fez uma belíssima campanha, e é hoje, o maior time do Nordeste. Não tem Bahia, Vitória, Naútico, ninguém. O Leão recifense, jogando dentro do Ilha do Retiro, é quase invencível. A última derrota, dentro da ‘Labombonilha’ (alusão ao estádio do Boca Juniors-Labombonera), foi para o bi-campeão brasileiro, 2006-2007, São Paulo em outubro do último ano. Vencendo, Palmeiras, Internacional, Fluminense, Santos, Vasco, e todos que ousasse passar pela sua frente. Ah, além de vencer o ‘poderoso’ Timão. Que acima de tudo, pipocou ao som do frevo.

Como disse antes, o jogo não foi lá essas coisas, o Sport decidiu tudo em 2 minutos; primeiro com o ‘profeta’ Carlinhos Bala, aos 34; e com Luciano Henrique (muito bom) aos 36. Após foi só administrar. Porém administrou de forma errônea. Para tanto, Lulinha saiu na cara do goleiro, Magrão, podendo escolher o canto, a força, a altura, preferiu chutar raspeiro, mesmo o goleiro estando no chão. Depois foi a vez de Acosta, perde gol feito. Sem habilidade alguma, em uma tentativa frustrada de driblar o goleiro, não fez o gol do título. E a imprensa Paulistana e toda corinthianada do mundo inteiro, pediu penalti. Que indago: não foi!

Por fim o Sport venceu com todos os méritos, vencendo todos os jogos em casa, sempre com uma diferença de dois gols; sabendo jogar fora de casa, ou não levando gol, como no Palestra Ítalia contra o Palmeiras (0 a 0); ou sempre marcando, como na ocasião em que jogou contra o Corinthians.

O título foi importante não para alegrar um povo sofrido, e sim, para mostrar para a grande e corinthiana imprensa, que no Nordeste existem times competentes, bem como em São Paulo e no Rio. Além de mostrar para todos os outros clubes tidos, como ‘pequenos’, que com planejamento, estrutura e uma torcida fanática pode se vencer grandes campeonatos, se assim pensarem e almejarem. Fazer boa campanha, é fácil. Todos devem sonhar com o título; a glória. Mas para isso tem que ser ousado; arriscar, e acima de tudo: lutar.

Antes que isso acabe virando um texto de auto-estima, até mais.

Sport Campeão. É frevo; é Nordeste.


Já Estava na Hora

Junho 6, 2008

Por: Bruno Rebouças

 

Na quarta a noite, todos sabemos, é noite de futebol e especialmente nesta quarta, de decisão. Fiquei entre dois canais assistindo esporadicamente, Corinthians e Sport, na Band e Fluminense e Boca na Globo. Confesso que fiquei  muito mais tempo no jogo da libertadores, por considerar mais atrativo, já que em São Paulo o Sport tinha levado um gol e estava fraquinho, sem o Romerito.

 

No Maraca, o narrador Luís Roberto iniciou a transmissão dizendo: “um jogo que a razão não explica”. E realmente. Pois se a razão explicasse dava Boca. Parece soar ranzinza esse comentário. Aceito, porém não venham me dizer que o Fluminense foi superior. O Boca jogou muito taticamente. E não venceu por três motivos: um a falta de pontaria de Palermo; Dois pela incompetência gritante do goleiro argentino Migliore, que entregou o jogo na Argentina, bem como no Maracanã quando foi la para outra trave na falta que consagrou Washington ‘craque’, marcando um gol de falta que entrou quase no meio do gol; e terceiro pelas defesas de Fernando Henrique, goleiro do Flu, apesar que todas foram em cima dele.

 

Porém o Fluminense teve duas coisas que tem faz tempo nessa Libertadores. Uma coisa essencial, sorte e um pouco de competência. E teve. Fez um gol na Argentina que goleiro nenhum levaria. No Maracanã a bola desviou no zagueiro do Boca e enganou o fraco Migliore. Tirando o gol de Dodô contra o São Paulo, frango de Rogério e a cabeçada de Washington aos 46 do segundo tempo.

 

Mudando de assunto, creio que foi um espetáculo sensacional. Mais de 80 mil pessoas gritando e torcendo, foi lindo. Mas ressalto que não impressionou o Boca não. Assim como o São Paulo não se intimidou, também. O Boca deu uma aula de como jogar Libertadores, e espero que os brasileiros tenham aprendido. O Fluminense não desistiu, teve competência e sorte, para empatar na hora certa, e virar depois de um contra-ataque iniciado por Dodô. O Terceiro gol, caro torcedor, foi apenas coincidência. Duas salvas na linha, bola no travessão e etc. Não lembro de lance de perigo do Fluminense, sem ser os gols, que valem mais que bolas na trave.

 

O fato, que podemos falar o que quiser, bem como Nelson Rodrigues disse: ‘o Fluminense é o único tricolor do mundo’, podemos acrescentar que é o único brasileiro na libertadores, assim como será Campeão. Pega o time da LDU, que é muito competente. Porém, ressalto que a final não tem diferença de gols marcado fora de casa. Ou seja, se o Fluminense perde em Quito, Equador, por 2 gols a zero, e vencer no Maraca pelo mesmo resultado, a decisão vai para a prorrogação; se for 3 a 1 para o time do Rio, também será decidido na prorrogação sem morte súbita, zerando o placar, quem terminar os 30 minutos na frente, é campeão. Caso de empate, a decisão será nos pênaltis. E o Flu é mais time que a LDU.

 

A final só começa em 25 de junho. E até lá o Fluminense vai viver dias de sonho. E creio que depois do dia 2 de junho, após o segundo jogo da final, o time carioca levará o Brasil para seu 14º título da Libertadores, em uma final inédita para o time do Rio. Parabéns ao Fluminense, melhor campanha, chega a final e não leva o título, se não quiser, ou se o goleiro Fernando Henrique entregar o jogo como fez o do Boca.

 

Por fim, parabenizo também o Boca, que dominou a partida, mas errou como não costuma errar. Dominou o jogo até os 25 do segundo tempo, quando teve posse de bola superior a 60%. O que tinha para ser mais uma tragédia no futebol brasileiro, tornou-se uma história épica e inesquecível. Quarenta e cinco anos depois, um time brasileiro volta a eliminar o Boca da Libertadores, estava na hora, já.


Corinthians (quase) campeão

Junho 6, 2008

Por: Bruno Rebouças

 

Amigos, declaro, afirmo, indago, confirmo, friso, ressalto e tudo mais, não sou corinthiano. Há alguns dias, nos bancos da universidade, em mesas de debates com companheiros de turma e de profissão, disse que o Corinthians seria campão no momento em que eliminou o Botafogo. Não desrespeito o Sport. Pelo contrário, sou um profundo admirador da torcida do time de Recife, bem como da força que ele apresenta dentro de seus domínios. Mas no futebol, existe uma coisa chamada de time de chegada, e por mais que não queiramos confessar, o timão sempre foi assim. Deixaram o time de Parque São Jorge crescer, evoluir, ganhar confiança; e isso no futebol é muita coisa, na verdade é o mais importante.

 

Sobre o jogo de quarta, 4, não posso dizer muita coisa, pois fiquei mais ligado no jogão do Rio. Mas os momentos que vi, presenciei que o Corinthians está muito organizado, bem postado, e tem um zagueiraço, William. Me resumo a isso por crê que ainda não estou apto a falar das habilidades de tal jogador. Mas afirmo, o Mano (Menezes) caiu como uma luva para o timão, ele também é meio maloqueiro (entenda-se, que tem raça de sobra), todos os seus times jogam bem fechadinho e sabem se defender. Chamo isso de objetividade. Como o Grêmio vice-campeão da Libertadores de 2007.

 

Ressalto a grande importância do gol do Sport no Morumbi. Um resultado de 2 gols a zero da o título ao Sport de Recife, que merece tanto quanto o Corinthians. Acho que o time do Recife merece mais. Desculpa corinthianada. Os caras do nordeste eliminaram, Palmeiras de Luxemburgo; Inter de Fernandão; Vasco dentro de São Januário. Sempre com a presença marcante do Riquelme nordestino, Romerito. Sem o meia fica difícil e na quarta, 4, quem viu o jogo pôde constatar isso.

 

E o timão está muito focado. Sabe o que quer. Apostar por apostar, fico com o Corinthians, mas não desprezo à força da Ilha do Retiro, jamais.

 

Caso o timão venha ganhar a Copa do Brasil, chegará a Libertadores, mesmo antes de voltar à série A. Se o time do Sport, vencer será o primeiro clube do Nordeste a comemorar tal campeonato.

 

Vamos aguardar dia 11 chegar, e ver quem será campeão. Fico na espera que algum jogador, dirigente ou torcedor do Sport veja o título do artigo e me faça engolir todas as palavras acima. Não sei por que, mas virei torcedor do Sport, (quase) desde criancinha…

 

… Assim como acho que o Corinthians é (quase) campeão.