Leituras da Caros Amigos (O papel da imprensa)

Julho 8, 2008

 

Bruno Rebouças

No mês de abril chegou às bancas mais uma revista Caros Amigos, projeto alternativo de um meio de comunicação que conta com muitos jornalistas experientes e excelentes. A edição de abril foi a mais rica em conteúdo que eu pude presenciar desde o início da minha assiduidade como leitor da revista.

A revista trás, como dizia seu ex-editor Sérgio de Sousa, que faleceu no início de tal mês: “um modelo editorial simples. Artigos, colunas, seções, reportagens, entrevistas, charges, desenhos e um ensaio fotográfico”. Caros Amigos não atinge tanto a população, pois não tem nenhum grande parceiro ou patrocinador, seu público é o maior financiador da revista. A tiragem da revista é pequena, mas tem o objetivo de “mexer com a cabeça do brasileiro, para mim, o objetivo maior do jornalismo” (Sérgio de Sousa, o Serjão).

Neste mês a revista, como não é de costume, esgotou nas bancas natalenses. Este fato se deu, por vir estampado na capa nada mais nada menos que José Agripino Maia. O perfil do senador, junto com sua história política rendeu muito por aqui. Alguns levantam a hipótese de que o grupo do senador tenha comprado todos os exemplares, fato que justifica o difícil acesso à revista, diferentemente das outras edições da Caros Amigos. Essa reportagem fez Agripino declarar a um blog da cidade (Thaísa Galvão) que a matéria “foi encomendada, e é coisa dos aloprados”. Referência ao governo Lula, que segundo Agripino encomendou a reportagem para desmoralizá-lo perante a sociedade. Creio que a matéria não tenha sido encomendada, pois acredito na idoneidade dos profissionais da revista. Mas creio que a reportagem, produzida por um norte-rio-grandense, Léo Arcoverde – fato que me deixa orgulhoso –, desmistifica um dos políticos em maior ascensão atualmente no país. Agripino está praticamente todas as noites em jornais televisivos, dando suas opiniões e contestando o governo federal.

As informações contidas na reportagem não são falsas, fatos que interessam uns e incomodam outros. A jornalista Thaísa Galvão disse que o problema reside no modo como foram expostos os fatos. Discordo. Não vejo nenhum problema em divulgar fatos verídicos, não vejo o modo interferindo nos fatos, como na Veja, IstoÉ, Época e outros meios Brasil a fora.

Fatos incômodos

O que escandalizou os norte-rio-grandenses, pelo menos para mim, é que nunca a imprensa do nosso estado, Rio Grande do Norte, relatou tais fatos. Por medo, omissão e não sei mais o que. Existem algumas publicações que retratam fraudes de campanhas eleitorais do senador Agripino, como o livro: Rabo-de-Palha: o Jabá do Jajá, do jornalista e escritor Orlando Rangel Rodrigues, mas tais publicações são ofuscadas pela impressa local que não dão ênfase a esse e a outros trabalhos.

Que Agripino construiu uma oligarquia não há dúvida. Que ele comanda a política estadual, ninguém duvida. Manda e desmanda mais que o presidente do senado Garibaldi Alves. Tem meio de comunicação, como a TV Tropical (filiada da TV Record), fora as rádios que ninguém sabe quantas realmente são.

Entre fatos e acusações está no tópico: Lourismo: uma questão de bom gosto racial. Baseado no livro que narra o escândalo do Rabo-de-Palha, o repórter Léo Arcoverde, narra o fato de racismo por parte do senador e de seus amigos mais íntimos, que não aceitam Lula na presidência não por ser de outro partido, e sim, por que é torneiro mecânico e ‘analfabeto’. Num trecho da revista é reproduzida a fala de José Bezerra de Araújo, suplente de Agripino, em entrevista ao jornal Tribuna do Norte: “eu acho que o Lula é um populista analfabeto. Discrimino mesmo: é analfabeto!” Segundo a reportagem, o grupo de Agripino também é contra negro, pobre, contra analfabeto. Orlando Rangel Rodrigues afirma: “Acham que não tem direito a nada (o pobre). E são contra o Barack Obama. Tem algum motivo dessa casta, dessa elite ser contra o Barack Obama a não ser pelo fato de ele ser negro. Hein?”.

O fato é que a matéria mexeu demais com a cidade. Alguns, poucos, meios de comunicação de Natal publicaram trechos da reportagem. Outros só deram voz a Agripino justificar e se sair, como diz a revista de santa de altar. A mídia, mesmo oposicionista, esqueceu rapidamente o fato e não deu a importância necessária a tal acontecimento. A imprensa norte-rio-grandense é calada por Agripino, nunca se fez um trabalho voltado para a investigação e publicação dos fatos que todos sabem ser verídicos, por ser tratado como mito no Estado. Nos versos de um artista da terra, o poeta Cabeção do Sabugi, conhecemos as peripécias de Agripino. “Pois o filho de Tarcísio/ Que ostenta porte de nobre/ No tempo da ditadura/ Quem pesquisar descobre/ Com a grana do caixa dois/ Para comprar se dispôs/ O voto do pobre[...].

Talvez Agripino não cale a imprensa norte-rio-grandense acintosamente, mas acredito piamente a falta de coragem, moralidade e competência dos jornalistas do estado de denunciar, ou ir contra esse político que nasceu nos braços dos generais.

Creio que Caros Amigos é a melhor revista do Brasil, pois apesar de ser de esquerda publica uma entrevista com o ex-petista, hoje no PSOL, deputado Chico Alencar que entre tantas outras coisas diz que “o PT se aliou a Direita”. E mais que isso, a revista é acusada de ser financiada por José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. Se esse fato é verídico, não sei, mas que a entrevista vai contra os interesses do partido, isso vai. Uma revista que conta com a colaboração de muitos profissionais e estagiários e que paga apenas dois jornalistas com salários fixos deve ser exaltada pelo seu trabalho e exemplo de jornalismo. Os fatos são dados na matéria, ninguém diz que Agripino é bom ou mau. O cidadão observa os fatos, interpreta e toma suas decisões. Acredito que esse seja realmente o papel da imprensa, dá subsídios para que a população crie suas opiniões.

Até mais.

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Texto inicialmente publicado no site Observatório da Imprensa, no link: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=484JDB014 e no site www.foque.com.br, que está fora do ar por motivos técnicos.

Mania de Natalense

Julho 8, 2008

 Texto: Bruno Rebouças e Imagem de 3D-divulgação

 

 

 

É incrível a irresponsabilidade dos políticos brasileiros e necessariamente, neste caso, os natalenses. Em 2008, presenciamos um acordo inútil que uniu segurando a mesma bandeira, na mesma foto e no mesmo palanque, os ‘Socialistas’ do PSB, os ‘Trabalhadores’ do PT e os homens que lutam pela ‘Movimento Democrático’ do PMDB. Trocando em miúdos, juntamos a manda-chuva do RN Wilma de Faria, os nada populares Fátima e a trupe do PT em Natal e o dentuço presidente do senado, Garibaldi, respectivamente.

 

Para essa coligação fizeram de tudo. Dentro do PSB, a marionete Carlos Eduardo, declarou fogo e guerra a todos que estavam com Rogério Marinho e não concordavam com o ‘acordão’. Márcia Maia, filha de Wilma (governadora do RN), foi eleita porta voz e responsável para negociar com os, ditos, rogeristas. Márcia saiu fortalecida e auto se promoveu. Mais um truque, de Dona Wilma. Como disse em artigo, no jornal O Mossoroense, o advogado, jornalista e ex-deputado Ney Lopes: “2010 começa em 2008”.

 

Todos nós sabemos e as pesquisas apontam um grande favoritismo para Micarla de Souza, candidata do Partido Verde, coligado com o DEM (Democratas). A primeira e única pesquisa até então aponta 61% para a candidata simpática, verde e jornalista Micarla. Para tentar frear a ascensão da candidata do PV, e aumentar a popularidade de Fátima Bezerra, candidata a prefeita do ‘acordão’, o tudo será pouco. Muito se fala, e se confirma por aqui, que Fátima foi exigência de Lula. Em troca o Luís Inácio, apóia Wilma em 2010 para o Senado Federal. O que mais me intriga é que, para melhorar nosso Estado, nunca se fez uma coligação dessas. Principalmente para as duas vezes em que perdemos as refinarias de petróleo, ganhando como prêmio de consolo uma Refinaria de porte médio, e olhe lá.

 

Você leitor, deve está pensando o que isso tudo tem haver com o título do texto. Então vamos lá. Em diversas cidades que residi, sempre pude acompanhar as manias dos cidadãos dessas cidades. Existem manias de comer tomate com sal, ou com açúcar. Outros chupam limão com açúcar ou com sal. Em noites de São João, uns assam milho, outros batata doce. E assim vai.

 

A maior mania dos natalenses é: inaugurar obras inacabadas. Foi assim com um dos maiores shoppings do Brasil o Mid Way Mall, que foi inaugurado com o último pavimento inacabado, onde fica o cinema. Tal obra só foi entregue quase dois anos depois. A reforma do estádio Machadão, a única em trinta anos, foi inaugurada com a drenagem incompleta e ineficiente, e com o gramado ainda por crescer. E outras obras pela cidade afora.

 

De todas as obras, creio que o Parque da Cidade, arquitetado por Oscar Niemeyer foi o pior exemplo de uma mania irresponsável. O Parque da Cidade fica em uma das maiores reservas de Mata Atlântica do país. O que mais envergonha é a inauguração de uma obra que tinha tudo para colocar Natal entre as cidades mais desenvolvidas em questão de lazer, entretenimento e preservação ao meio-ambiente, assunto tão em voga há muito tempo. O jogo político é de uma falta de respeito tremendo. E a carta abaixo de uma cidadã demonstra isso. Não fui ainda ao Parque, pois só visito obras concluídas, já que não sou nem arquiteto e muito menos engenheiro.

 

Essa inauguração precoce visa mostrar a eficiência da prefeitura e do prefeito ‘cabeção’ (como diz um colunista aqui de Natal). Tipo, fazendo a população lembrar “que inauguramos mais uma obra”. Pela cidade, você pode encontrar sem dificuldade diversos outdoors, fazendo propaganda barata das realizações do governo do Estado e da Prefeitura. Na TV, as propagandas do governo encantam com imagens da Ponte Newton Navarro, que só não inauguraram antes da conclusão por que realmente era inviável; imagens hipnotisantes do pôr-do-sol de nossa cidade, além de uma musiquinha que penetra na nossa cabeça e fica em nosso cérebro por dias. Tudo alienação.

 

Enquanto se articulam em salas acarpetadas e refrigeradas acordos esdrúxulos, quando chove na cidade do sol, a cidade vira um rio; a água que não tem por onde escoar sai levando e invadindo todos os lugares da nossa linda cidade. Pelas ruas buracos intermináveis. Os sinais queimam e o trânsito vira um caos. Temos mais carros zeros que qualquer outra cidade do Brasil. Mas esses problemas resolvidos não atraem tantos votos. O grande negócio é enganar o pobre e silenciar os ricos.  E da imprensa nem vou falar. Mas só para comentar, essa se cala fácil, ou por omissão ou por bons salários pagos embaixo dos panos e na calada da noite. Ainda no enquanto isso, o cidadão comum morre nas filas dos hospitais e o trabalhador e assaltado diariamente enquanto espera o transporte público.

 

Assim como a Avenida Bernardo Vieira, que corta Natal de forma paralela, deu errado e o estreitamento da pista causou maior transtorno a população, o canteiro inacabado do Parque da Cidade envergonha todos os cidadãos de bem, que sonhavam em ter um espaço como tal para passar seus fins de semanas em contato constante com a natureza. Mas o que mais me impressiona é a falta de talento dos agentes do poder de conseguir uma única vez, de acerta na inauguração de uma obra ou na escolha de um nome para disputar a prefeitura de nossa cidade. Esse Parque é esperado há anos, a diversas administrações; mas a incompetência e falta de compromisso fez mais uma vez o tiro sair pela culatra. A grande imprensa silencia, pois cargos comissionados em janeiro serão distribuídos, então para que arriscar quatro anos de fartura nas tetas do estado, para criticar e ajudar o cidadão?

 

A mania de natalense é essa. Inaugurar obras antes de terminá-las. E caso, você leitor não seja de Natal, e por ventura venha aqui algum dia (coisa que você deve fazer), encontrando alguma obra inacabada, não ache que faltou verba ou que esqueceram de concluí-la. É mania mesmo.

 

Até mais.   


Prezados Cidadãos*

Julho 8, 2008

 

“Estive domingo pela manhã com minha família visitando o Parque da Cidade. Eu, morador do Parque das Colinas, estava entusiasmado com uma
oportunidade de lazer, já que somos carentes neste quesito. Na verdade, o que vi foi um canteiro de obras, sem a infra-estrutura e sem segurança. Mais um ato de irresponsabilidade das autoridades. Listo a seguir apenas algumas poucas observações:

 

1. Já na entrada e em todo local que fomos, falta total de sinalização
2. Paus, pedras, ferros amontoados pelas instalações do Parque com crianças brincando entre elas. Óbvio mães desesperadas.

3. Ausência de banheiros, enfermaria, quiosque de informações, mapas ou
 seja o básico e mínimo necessário.

4. Contei apenas dois guardas fazendo a segurança, um deles logo na entrada
 e segurando uma ESCOPETA, onde mais amedrontava os visitantes do que
 proporcionando segurança. Já era um presságio.

5. Andei cerca de 2 km em direção a Nova Cidade (acho que era em direção
 a Nova Cidade já que não tem sinalização e uma alma viva para dar
 informação). No trajeto, varias famílias retornando, indignadas com a falta de
 policiamento, todas com muito medo. Realmente andávamos alguns minutos
 só com mato ao redor e sem cruzar ninguém. Éramos presas fáceis para
 vândalos e bandidos.

6. Óbvio que decidimos voltar (e correndo). Na volta, já próximo a
 saída, encontramos finalmente um guarda (que não estava lá quando  entramos).

Vejam só! Ele estava ali para orientar que a partir daquele ponto NÃO ERA
 SEGURA. Acreditam? E nós estivemos lá, naquela área não segura.
 Pasmem!
 7. Indaguei a este mesmo guarda porque da liberação do Parque sem o
 mínimo
 de segurança. Ele pediu desculpas e constrangido disse que eram ordens e
 que por ele o Parque NUNCA seria aberto ao público da maneira que estava.

Desconhecia também profundamente as instalações do Parque e não sabia que o
 final da rua/trilha acabava em Nova Cidade. Embora extremamente
 simpático e constrangido pela situação, ficou claro também a falta de treinamento aos guardas. Ele aclamava por mais colegas.

8. Ausência de zonas para refrescar (local para beber água)
 Das famílias que conversei, sem exceção, todas estavam indignadas.
 Indo embora revoltadas. Uma expectativa frustrada. Algumas que estavam
 chegando, vendo os comentários de quem saia, nem sequer entraram ao
 Parque. Realmente é para ficarmos muito tristes e indignados. A politicagem mais uma vez sobrepujando o bom senso a segurança e respeito ao cidadão.
 Apelo para a imprensa séria, aquela que tem compromisso com a população e não com Políticos, que divulguem estes fatos, que vão ao local com olhos
 críticos e constatem o descaso com o cidadão. Eu e minha família só
 voltaremos lá quando garantirem segurança e realmente existir um
 Parque, não um canteiro de obras. Estou divulgando a todos para tomarem
 cuidado. O Parque da Cidade por enquanto é uma arapuca.
 Por favor repassem.

A pergunta que não quer calar: Cadê a imprensa que não divulga o fato?”.

 

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Texto publicado em alguns jornais do Rio Grande do Norte. Autor desconhecido. Para situar o leitor que não conhece, o Parque da Cidade é uma obra de Oscar Niemeyer. Um lugar que visa a junção de naturaza com o lazer. Com trilhas em uma das maiores reservas ambientais de mata atlântica do Brasil. A obra não está concluída e foi inaugurada mesmo assim, visando o sucesso nas eleições para a prefeitura da cidade do Natal-RN.