No Vale das Sombras (Paul Haggis)

Julho 10, 2008

Reginaldo Filho*

 

Não, não é guerra. Guerra é guerra propriamente dita, quando os dois oponentes dispõem de um mesmo poder de fogo para poder fazer seus estragos, e não é isso que acontece entre EUA e Iraque. E por falar em represália ao Iraque, o cinema ao longo dos últimos 7 anos tem tratado o assunto as vezes brutal e as vezes delicadamente. Visto também que a guerra contra o terror fez com que os assuntos em terras orientais fossem ficar mais interessantes para os cidadãos do mundo ocidental e o que realmente ocorre lá. Falou-se muito sobre tropas americanas involuntárias indo defender o patriotismo ‘dumb’ ianque e na telona também se falou. Uma das mais felizes produções para o cinema no ano de 2007 se chama “No Vale das Sombras” (In the Valley of Elah) de Paul Haggis.

 

O filme, que é baseado em uma história real, é centrado em Hank Deerfield (Tommy Lee Jones), um oficial de carreira do exército americano que recebe a informação que seu filho Mike (Jonathan Tucker) recém-chegado do Iraque não retornou a base depois de ter uma licença. Preocupado com este comportamento irresponsável de seu filho e conseqüentemente atípico, Hank vai até o estado onde se encontra a base para poder procurar o seu filho desaparecido. Algum tempo depois ele descobre que o corpo do seu filho foi encontrado e que o mesmo fora assassinado de uma forma brutal. Logo em seguida somos apresentados a outros personagens, quatro combatentes e amigos de Mike que são literalmente colocados contra a parede por Hank e pela detetive Emily Sanders (Charlize Theron) que o auxilia na tarefa. Tommy e Charlize estão ótimos. Tommy indicado ao Oscar de melhor ator este ano, transformou um papel em uma cruzada. Um personagem que merecia uma atuação centrada e precisa que só Tommy Lee Jones poderia criar, fazia tempos que Jones não ganhava um presente como este e felizmente no ano de 2007 ele foi congratulado com dois, adicionado a sua carreira também o glorioso “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Charlize preenche algo que faltou no personagem de Jones, formando uma dupla mais que dinâmica e congruente no que diz respeito contradição e adição. E não devemos esquecer da incansável Susan Sarandon que trabalhou bastante este ano. Perdi a conta em quantas produções eu a vi este ano. Susan faz a personagem da esposa de Hank (Jones) que dá vida a uma mulher que não tem vida por viver num ambiente autoritário e machista. Uma mulher que ganha vida quando desaba em choro ao desabafar com o marido que negligencia o direito de uma mãe proteger o filho, privando-o de qualquer perigo que ele possa sofrer. Susan está emocionante como sempre.

 

Paul Haggis, que também dirigiu e escreveu o premiado “Crash – No Limite”, volta a mexer com a sociedade americana nesta sua película que também dirige e assina o roteiro. O filme retrata a capacidade dos americanos de se contradizerem. Mandam milhares de jovens que na lei norte-americana não podem responder por alguns atos considerados irresponsáveis, mas jogam em suas mãos a responsabilidade de carregarem uma arma e defender uma causa que é verdadeiramente pessoal do líder ianque. Jovens que vivem com medo do que pode acontecer a eles, seja à mercê de um ataque ao país mais odiado do mundo, ou jovens que tem medo de dar o próximo passo para o sucesso ou tranqüilidade pessoal.

 

Em português, “In The Valley of Elah”, No Vale de Elah. Hank, em um ponto tranqüilo do filme, conhece o filho da personagem de Theron e conta ele a história de Davi e Golias. A batalha do gigante Golias contra o pequeno Davi se deu na planície de Elah e foi aí que Davi conseguiu derrotar o gigante só com uma pedrada. E esta é a metáfora usada para carregar o filme dando nome ao sentimento de medo em que os jovens americanos estão mergulhados. Perdidos numa causa que não é deles. Jovens que são submetidos a situações impensadas e voltam perturbados e não são auxiliados pelo próprio governo que os mandou. Onde haveria de ter todo um acompanhamento psicológico, há o abandono e a alienação, alieNAÇÃO.

 

 

*Reginaldo Filho, é meu amigo, estudante de Jornalismo, Cinéfilo e crítico de Cinema do site www.foque.com.br

Diógenes Dantas declara guerra ao Diário de Natal

Julho 10, 2008

Estamos presenciando o surgimento de um novo

magnata da imprensa?

Bruno Rebouças 

Que muitos agentes da imprensa norte-rio-grandense não se entende é verdade. Por aqui rola meio que uma guerra fria entre jornais e jornalistas. Na última eleição para governador no RN, 2006, o Diário acusou a Tribuna do Norte de forjar pesquisas. A Tribuna respondeu dizendo que o Diário poderia se decidir e escancarar para o leitor em que lado estava. E outros fatos podem ser contados, mas não farei dessa notícia uma coluna de fofoca. 

Vamos ao que, realmente interessa. Diógenes Dantas é um influente e respeitado jornalista do Rio Grande do Norte. Com um currículo vasto, em 19 anos de profissão trabalhou em praticamente todos os meios de comunicação do Estado, entre tais, estão o Diário de Natal, a Tribuna do Norte, A TV Cabugi, Tropical e alguns veículos de comunicação Nacionais. Mas eu também não estou aqui para divulgar o currículo de tal jornalista.  

Na manhã de 7 de maio, como sempre faço, entrei no portal Nominuto.com, para estabelecer contato com informações da cidade do Natal e com o estado do RN. Portal atualizado, de boa qualidade pelo menos na parte das notícias. O que me chamou a atenção foi um artigo, intitulado de Jornalistas são prejudicados por trabalhar no portal Nominuto.com, escrito por Diógenes. O texto fala sobre o caso, na qual jornalistas que trabalham no Diário de Natal, como o editor de esportes Edno Sinedino*, e o repórter David Freire, ambos, segundo Diógenes, ameaçados pela Direção do Jornal, que ainda pertence aos Associados, de Assis Chateaubriand.

David Freire foi demitido do Diário, e Edno recebeu um ultimato da Direção do Jornal. Ou o DN ou Nominuto. A justificativa do DN segundo o jornalista Diógenes foi: “o Nominuto.com é concorrente do DN Online. Que bobagem!”. A partir daí o autor do texto começa a esbanjar seu ego e o sucesso do seu portal de notícias. E escracha dizendo que o DN Online não é concorrente do Nominuto.

Não é bem do DN Online. O Nominuto.com, o portal de notícias mais atualizado do Rio Grande do Norte, que tem uma redação de 30 profissionais, que já tem um impresso, O Nasemana, que faz uma cobertura de domingo a domingo, cuja redação trabalha das seis e meia da manhã até às nove horas da noite, é concorrente do Diário de Natal e de qualquer veículo de comunicação do estado (Diógenes Dantas).

Nasemana é um jornal semanal de bom papel e boa impressão, mas não pode vim a se comparar com o Diário de Natal. Que também não é lá essas coisas. Mas em termo de estrutura e espaço, influência e bons patrocinadores, os dois jornais são quase equivalentes. Diógenes no texto começa a utilizar um linguajar chulo, digamos até desrespeitoso com a equipe do Diário de Natal, que obteve direito de resposta, através da Rádio 96 FM, onde Diógenes inicialmente leu o texto para milhares de ouvintes.

Voltando aos dois portais, o diretor-geral do Nominuto.com volta a esbanjar seu ego, dessa vez baseado em dados que comprovam a superioridade do seu portal: “O DN Online não chega nem aos pés do Nominuto.com. E basta informar um dado: enquanto o site do Diário de Natal beira os 7 mil acessos/dia, o portal Nominuto.com já atingiu a média de 18 mil acessos/dia, mais de 33 mil páginas visitadas por dia, mais de 5 milhões de páginas visitadas em apenas 11 meses de atividades. O Nominuto.com não completou nem um ano”.

Além disso, joga na cara da equipe do DN Online que eles copiam as matérias do Nominuto. Coisa que não é exclusiva apenas do DN não. Eu já li diversas matérias de esporte no portal Gazetaesportiva.com.br e o mesmo texto estava no portal de Diógenes como se fosse escrito pela redação do mesmo. Assim como jornais do estado fazem à mesma coisa. Abaixo o trecho que fala de plágio.

Como eu já falei aqui neste programa, a equipe diminuta do DN Online costuma copiar o conteúdo do Nominuto.com. Cópia descarada. Chupada, como se diz no jargão das redações. Eles “chupam” e não dizem de quem “chupou”. Pura sacanagem, né?

Após a acusação que, de certa forma, é justa, o jornalista Diógenes, que se gaba de sua competência, do seu currículo vasto; De influência com políticos e jornalistas, usa uma linguagem altamente pífia para condenar a equipe do Diário. Como se não bastasse chama-los de ‘equipe diminuta’, ‘chupadores’, ele expõe todo seu veneno e indignação disfarçada de justiça e diz: “O que me preocupa nessa história é que essa gente cretina que dirige o Diário de Natal – gente pequena, atrasada, rancorosa, sem caráter, preguiçosa, nojenta e invejosa – pode exigir o sacrifício de dois profissionais que colaboram comigo aqui no Jornal 96…”.

Por fim, ele declara que um dia poderá comprar o Diário de Natal; e que irá expandir seu Negócio na comunicação. Agregando veículos ao Nominuto.com. O fim do protesto é de fazer rir. O jornalista tarimbado diz que a fila anda e um dia podem vender o nome do Diário de Natal, “a um precinho justo camarada ou na bacia das almas”. Lógico que irá comprar.

O que é a qualidade da nossa imprensa em discutir claramente. A falta de inteligência, bem como o linguajar, o desrespeito a outros jornalistas. A falta de ética; a defesa dos interesses mercantilistas, a busca do monopólio, de ambos os lados. Que o Nominuto tem qualidade, notícias que não são sempre atualizadas, e que eles também copiam de outros sites, é verdade. Que o DN Online é mal estruturado e não contribui muito com o fluxo de notícias, sabemos.

Que ambos defende um lado político da cidade, é puro e claro para quem quiser ver. E que o Diógenes prega um discurso democrático, falso e demagogo, dizendo que aceita que seus empregados trabalhem em dois lugares, “pois não podemos ter exclusividade em um mercado que paga tão mal”. Ele diz isso porque não tem como manter os funcionários só no portal, pois se tivesse duvido que ele não pediria exclusividade. Só faltou ele dizer que era independente e alternativo. Estamos diante de um novo magnata da imprensa, sim ou não? Meu voto é positivo.

 Até mais.

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*Edno Sinedino, atualmente é editor de esportes do Nominuto.com e do jornal Nasemana, ambos de Diógenes Dantas, em Natal-RN.