O subdesenvolvimento olímpico

Agosto 19, 2008

Bruno Rebouças 

Em tempos de Olimpíadas, não se faz mais nada além de se falar nos jogos. Em 8 de agosto presenciamos a maior abertura dos jogos de todos os tempos. Um espetáculo, que possivelmente não seja superado em anos. Uma linda festa de fogos, além de um sincronismo perfeito de homens e mulheres, que em dez meses ensaiaram constantemente, para se chegar a perfeição dos movimentos. O sucesso foi tremendo, apesar de algumas armações chinesas. Como a linda e doce voz da chinesinha, que apenas dublou outra criança. E os fogos da pegada, que não foram executados ao vivo, e sim em uma gravação dias antes da abertura. Apesar disso tudo, foi um sucesso e muito linda toda a festa dos chineses, no espetacular estádio do Ninho do Pássaro.  

O desfile das Delegações foi um verdadeiro embate entre Estados Unidos e China, cada qual com um número assombroso de atletas. Todos foram a Pequim para vencer, quebrar recordes e não apenas fazer uma boa participação, como pensa os atletas e a população brasileira.

O primeiro confronto direto aconteceu no basquete. O jogo foi bem disputado, porém, a nova edição do time dos sonhos, venceu por boa diferença (101 a 70), e mostrou que vai conquistar seu posto de primeiro colocado novamente.

Na natação, vimos um atleta vencer oito medalhas de ouro, no maravilhoso e incrível Cubo d’água. Michael Phelps venceu mais medalha de ouro que o Brasil na história. Nosso recorde são de seis medalhas de ouro conquistada, em Atenas, 2004. Nosso país é muito subdesenvolvido, principalmente nos esportes olímpicos. O que acontece é que formamos muitos jogadores de futebol, usuários do Orkut, pessoas vidradas em novela e que acreditam em tudo que sai na Globo. Atleta olímpico que é bom, nada. Somos um país conformista. Sempre fomos.

Quando algum competidor melhora seu tempo, ou sua colocação em relação aos jogos anteriores, por aqui é comemorado. Somos os reis do bronze. Tanto nas Olimpíadas, quanto no Pan-americano. E isso, é motivo de orgulho para todos nós. Tudo bem que uma medalha é sempre a coroação de um trabalho, bem ou não realizado. Mas o que acontece, é que nossos atletas saem do Brasil pensando no tal bronze e nós achamos isso o máximo. Em Pequim, vimos Thiago Pereira chegar na quarta colocação, nos 200 metros nado medley (quatro estilos), melhorando sua colocação em relação a Atenas, onde foi 5º. Resultado, de certa forma, comemorado, pois houve segundo o atleta, uma ‘evolução’. Esperamos que em 2012, em Londres, ele continue evoluindo, e seja terceiro lugar.

Destaque para César Cielo, ouro nos 50 metros livre. Conquistou a primeira medalha de ouro da natação na história. O fato é fantástico, se não fosse as palavras do Cielo após a conquista:  “Não esperava vencer um ouro e um bronze nesses jogos”. A pergunta é: “se não é para vencer, por que ir aos jogos?” Mas, está tudo bem, ele venceu afinal né? E se você quiser saber, eu comemorei muito. Assim como irei comemorar os ouros que vierem.

Entretanto, se conquistarmos seis medalhas de ouro será muito. O nosso país, a nossa mentalidade é muito pequena. Comemoramos coisas, que países vizinhos ao nosso não comemoram. Cuba é um país de onze milhões de habitantes, comunista e tem mais medalha de ouro que muitas potências do esporte. Segundo o jornalista César Tralli, a ilha de Fidel tem mais medalhas de ouro, por proporção habitacional, que qualquer outro país do mundo. 

Falta para nosso país, um investimento nas categorias olímpicas. Começando nas escolas com as crianças; traçando um plano de metas, que vise o desenvolvimento do esporte. Para assim, formamos não só grandes atletas, mas grandes seres humanos, que possa representar nosso país com maior destaque. Coisa que a China fez, com a Revolução Cultural de Mao Tsé Tung. O país ficou sem disputar os jogos durante 40 anos e voltou em 1984, tendo grande destaque. A partir daqueles jogos, realizado em Los Angeles, a China vem crescendo de rendimento e subindo posições no ranking geral. Em Atenas, 2004, foi segundo colocado; e em Pequim lidera com grande folga e tem tudo para ser campeã, superando os Estados Unidos que só perderam para antiga União Soviética.

Não gostaria que você, leitor, pensasse que sou antipatriota. Só quero que você saiba que perco minhas noites de sono, torcendo pela minha nação e no mínimo eu quero que ela vença; e principalmente deixe de ser saco de pancadas das nações européias. Mas vejo que isso é muito difícil, primeiro porque muitos de nós adoramos os bronzes e as boas colocações dos atletas; segundo, por não termos estrutura suficiente para concorrer com os demais países. Além da falta de consciência dos nossos governantes que não investem no esporte, e ficam rezando para que os atletas consigam bons resultados, como tal feito fosse fácil.

Falta investimento. Falta consciência. Falta olharmos para nossos problemas com olhos críticos, não fazendo com que os bons resultados nos ceguem. Não podemos discutir olimpíadas de quatro em quatro anos, temos que fazê-lo sempre. Por isso somos um país subdesenvolvido nas Olimpíadas.

Por fim, não temos nenhuma condição de cediar uma Olimpíada. O ’sucesso’ do Pan é propaganda enganosa.

Até mais.


Estamos em manutenção

Agosto 17, 2008

Gostaria de pedir desculpas pela falta de atualizações do blog. Estou sem internet na minha residência e isso complica muito as coisas, já que nos outros lugares que frequento, blogs, orkut e msn são bloqueados. Assim que regularizar a situação da minha internet a frequência diária de atualizações do blog voltará.

Enquanto isso, leiam os demais textos, que logo mais estarei de volta. Obrigado.

até mais.