Bruno Rebouças
A Paraolimpíadas acabaram. O Brasil obteve a nona colocação no quadro geral, encerrando a competição com quarenta e sete medalhas, sendo 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes. Foi o melhor resultado da equipe brasileira, que em 2007, no Rio de Janeiro, foi campeã geral da maior competição esportiva das Américas (o Parapan-americano). Assim como prega o espírito olímpico, houve a superação, a solidariedade entre os atletas, e logicamente, a importância de competir e não necessariamente de vencer.
A Olimpíada acabou faz um tempo. O Brasil de homens e mulheres perfeitos teve mais uma participação pífia. Digna de um país mal organizado como o nosso. As disputas dos jogos de Pequim foram marcadas pela grandiosidade. Os chineses tiveram suas falhas, mas realizaram um grande espetáculo, demonstrando para o Ocidente a sincronia, habilidade e a partir de agora, a superioridade nos jogos Olímpicos. Os chineses conquistaram cem medalhas no total, sendo 51 de ouro, 21 de prata e 28 de bronze. Enquanto o subdesenvolvimento olímpico brasileiro, ficou com miseras 3 de ouro, 4 de prata e 8 de bronze, no total de quinze.
O Brasil, de corpos e mentes sãs ficaram na vigésima terceira colocação no quadro geral de medalhas. Atrás de países como a Jamaica que venceu oito ouros. O Quênia cinco; a Bielorrússia quatro; Etiópia, aquele país que muita gente morre de fome, venceu quatro disputa pelo ouro. E não adianta vir dizer que foi apenas no atletismo. Pelo menos eles são especialistas em algum esporte.
Tudo bem, que o Brasil bateu seu recorde e conquistou mais medalhas no total (15), igualando a campanha de 1996, em Atlanta.
Na verdade, eu já esperava esse resultado vergonhoso. Pois a uma grande diferença entre o investimento em esportes Olímpicos no Brasil e no mundo. Nos países Desenvolvidos as crianças, já na escola, são obrigadas a praticar pelos menos um esporte olímpico. Essa conduta existe em países como Austrália, Estados Unidos, Alemanha, França, Bélgica, Cuba, China, Rússia entre outros. Enquanto no Brasil nós só pensamos em Copa, os demais países pensam nas olimpíadas que na verdade, é muito mais lucrativa para as nações que as concorridas Copas do Mundo.
Caro leitor, tudo que você acabou de ler foi apenas uma introdução para, juntos, podermos entrar de vez, na discursão que quero levantar nessas linhas. Talvez, e provavelmente, você já tenha lido ou escutado alguém discorrer sobre essa problemática, da falta de estrutura, baixos salários e coisa e tal.
Pois bem, tivemos uma cobertura televisiva, radiofônica e impressa fantástica para os jogos Olímpicos que, realmente, foi um sucesso. Muitas medalhas, recordes quebrados e alguns atletas nos deram esperança para Londres 2012; Entradas ao vivo, entrevistas, câmeras exclusivas, narrações emocionantes etc. Resultado final: muita audiência, lucro e um vigésimo terceiro lugar no quadro geral de medalhas para a Delegação Brasileira.
Aí na Paraolimpíada, o Brasil vence 16 vezes, quebra recorde, conquista a superação, a solidariedade, quebra preconceitos, ressurgem para vida tudo com força de vontade e determinação. Cadê as coberturas e as entrevistas? As câmeras exclusivas? A imprensa esqueceu dos deficientes físicos, assim como nós também. Apesar de todas as conquistas a imprensa só deu notas, pequenas informações, falando do Clodoaldo Silva que foi reclassificado; de Daniel Dias, que ganhou mais medalhas que o Michael Phepls, sendo 9 no total e quebrou mais recordes que o Thiago Pereira, mas lógico foi bem menos badalado. Podemos citar ainda o Lucas Prado no atletismo, que venceu os 100m, 200m e 400 metros e no desembarque não pediu para aparecer no Fantástico ou no Casseta e Planeta, apenas pediu mais investimentos e menos preconceito.
Porém, amigo leitor, não critico apenas a imprensa, pois ela retrata o que da audiência, vende jornal e etc. Critico todos nós, pois se a opinião pública realmente se interessasse pelo jogos de vôlei sentado; futebol de cego; basquete e corridas de cadeirantes, creio que a grande mídia daria mais espaço a essas competições. O futebol de cinco foi ouro e me encheu de orgulho vê esses homens que jogam com uma venda nos olhos, vencer e superar todos os preconceitos se isso realmente é possível. Enquanto os multimilionários nos fazem vergonha mundialmente os cegos que vivem de trabalho pela manhã e treino a noite nos encher de emoção e orgulho, pelo menos a mim.
Por fim, como diria um amigo, Ítalo Anderson (comentarista da Rádio 98 FM), “parece preconceito”, tanto da mídia, como principalmente NOSSO.
Escrito por mediaalternativa
Escrito por mediaalternativa
Escrito por mediaalternativa