Comentários e Palpites Incertos (32ª rodada)

Outubro 28, 2008

Bruno Rebouças

Caríssimos leitores, de antemão agradeço a todos vocês pelos 4.000 acessos desse blog que tem duração de um ano. No momento em que eu escrevo, já são 3 mil 998 acessos, e mais duas pessoas completarão os quatro mil, obrigado.

 

Estou concluindo meu curso de graduação, e estou escrevendo um romance-reportagem-história, sobre o Partido Comunista no RN na década de 1980. Finalizo, se tudo der certo, essa semana, aí volto minhas atividades para o blog e para o site Foque.com.br que está fora do ar, por motivos pessoais.

 

Parei minhas atividades diárias, para deixar meus comentários nesse sítio, principalmente no mundo esportivo. No campeonato brasileiro, a disputa é de matar de orgulho. Pois muitos acreditavam que a fórmula de pontos corridos não trazia emoção, se enganaram. Inclusive eu que preferia o clima de mata-mata.

 

Mas demorou um pouco para se ter emoção nessa fórmula de disputa. Iniciada em 2003, o Cruzeiro venceu com folga. Em 2004, Santos e Atlético-PR bi- polarizaram e a disputa foi acirrada até a penúltima rodada, quando o Santos venceu o São Caetano e o Atlético-PR perdeu para já rebaixado Grêmio. Santos campeão. Em 2005, foi bi-polarizado também. Ficou entre Corinthians e Internacional de Porto Alegre, com a ajuda do tribunal e do apito amigo deu Corinthians por apenas um ponto. Em 2006 e 2007, o São Paulo monopolizou e foi hors-concours (relativo à ou pessoa que não pode participar de um concurso por já ter sido laureada, por ser membro do júri ou por ser tida como muito superior aos demais competidores), venceu de forma bem superior.

 

Aí em 2008, está tudo sensacional. Do 1º lugar, Grêmio, ao quinto colocado Palmeiras, a diferença é de 4 pontos, faltando 7 rodadas, já contando de quarta, 29. Estão na briga direta, Grêmio, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras.

 

Mantenho meu palpite desde junho. São Paulo campeão. Mas tudo pode acontecer.

 

Mudando de assunto. De futebol a fórmula 1. Em dezembro passado, eu disse que Felipe Massa seria campeão. E teria acertado se a incompetência de alguns italianos tivesse deixado. Dentro da pista Massa foi demais. Fez com que outros brasileiros levantassem aos domingos novamente para acompanhar as corridas de tal categoria. Mas os sucessivos erros da Ferrari jogaram as esperanças no lixo. Engraçado, sete anos sem errar. Dois anos sem quebrar um motor. E tudo isso, acontece de uma vez só na mesma temporada e com o mesmo piloto. Quero ser claro. Não acho que foi complô, acho que foi incompetência mesmo. Da equipe, claro. Massa foi brilhante.

 

Deixo aqui a lembrança, do Grande Prêmio da Hungria, onde Massa largando em terceiro, logo atrás das duas Mclaren’s, de Hamilton e Kovalleinen. Um circuito sem nenhum ponto de ultrapassagem. Massa ultrapassou os dois carros pratas antes da primeira curva. Na corrida foi perfeito, não errou; fez voltas rápidas atrás de voltas rápidas. A três voltas do fim… O motor da Ferrari quebra e Massa abandona. Mas foi linda corrida, e um capricho do destino não lhe concedeu a vitória.

 

Voltando. Infelizmente, o Brasil não verá Massa campeão. Para meu desgosto. A situação é muito difícil e temos que contar com o acaso, a sorte, e isso não nos ajudou esse ano. Ajudou em alguns sentidos, mas nem tanto, a ponto de fazer Hamilton quebrar e abandonar a corrida no domingo próximo. Espero do fundo da minha alma, estar errado e que domingo possamos juntos, comemorar mais um título da fórmula 1, após 17 anos.

 

Agora, vamos aos Palpites Incertos. Aquela coluna que eu, de forma irresponsável e pessoal, opino nos jogos da rodada. Vamos lá.

 

Começando pelo jogo Coritiba e Atlético-MG, no Couto Pereira em Curitiba. Ambos na parte da Sulamericana. Jogo meia boca. Vence Coritiba por jogar no frio e em casa.

 

Portuguesa e Ipatinga. Ambos na temida zona de rebaixamento. Subiram para série A juntos, e podem descer juntos. Um empate, as duas equipes morrem abraçadas, mas jogando em São Paulo, vence a Lusa.

 

Palmeiras lutando para se erguer no campeonato, depois de um empate com o São Paulo e a derrota humilhante para o Fluminense. Goiás, time ruim de ser batido, com a segunda melhor campanha no segundo turno. Jogo no Palestra Itália. Empate. Isso mesmo, os times verdes empatam e o Palmeiras fica longe do título.

 

Inter e Náutico. Os gaúchos querem a libertadores. Os pernambucanos fugir da degola, onde está beirando. Jogo no sul… Vence o Inter.

 

Botafogo e São Paulo. Sampa luta pelo título, Fogão pela zona da Libertadores. Jogo no Rio de Janeiro. Vence São Paulo, por um a zero, gol de Hugo.

 

No Barradão, Salvador, Vitória e Flamengo. O Fla luta pelo título e o Vitória sem muitas pretensões no campeonato. Em 10º lugar, com 44 pontos, não é mais rebaixado e não chega mais a libertadores. Jogo quente, difícil. Apesar do aconchego baiano pelo Flamengo, vitória do Vitória (redundante? Sim).

 

Na quinta, 30, na Ilha do Retiro, Sport e Santos. Na metade da tabela, Sport não tem tantas pretensões. Com 41 pontos, não cai mais para série B, e não chega na Libertadores, pois já está classificado; ficará ali pela zona de classificação para a Copa Sulamericana. Santos tenta exorcizar de vez o fantasma da zona de rebaixamento. Vence o Santos, dentro do caldeirão do Sport.

 

Figueirense e Fluminense. Empatados na tabela, é a chance de afundar o adversário e fugir ainda mais da degola. Jogo em Santa Catarina, no mesmo palco da final da Copa do Brasil de 2007, quando deu Fluminense campeão. Para esse jogo em um novo contexto: empate.

 

Vasco e Atlético-PR. Esse jogo é dos desesperados. Ambos na zona de rebaixamento. Com o fim do campeonato próximo, ambos já tremem só de pensar em jogar a série B. O jogo será no Rio, em São Januário. Edmundo e Leandro Amaral jogam. Aposto no Vasco, que se vencer chegará a 33 pontos passando o Atlético do Paraná. Se os paranaenses vencerem, coisa que não acredito, adeus Vasco. Arrisco até o placar do jogo. Vasco 3 X 1 Atlético-PR.

 

Por último e mais importante, Cruzeiro e Grêmio, na quarta (29). Jogão. Decisão. Tudo pode acontecer. Jogo no Mineirão, casa do Cruzeiro. Se vencer o time de minas, o Grêmio afunda um adversário e corre para o título com um concorrente a menos. Se o time de Minas vencer os gaúchos, o time da raposa embala e encosta no Grêmio, e dependendo do resultado do jogo entre São Paulo e Botafogo, entrega o título para os tricolores paulistas. Jogo difícil de apostar, tendo em vista que é um clássico. Mas como aposta é aposta…

 

Empate entre os azuis por 2 a 2. Quer apostar?

 

Já fiz as minhas, faça as suas.

 

Sexta-feira eu volto para analisar a rodada e conferir meus palpites.

 

Até mais.


A vitória de Micarla segundo o olhar do repórter

Outubro 7, 2008

Bruno Rebouças

Exerci minha cidadania pela manhã. Votei mais ou menos às dez horas e trinta e cinco minutos. Na minha sessão pouco movimento e tudo muito tranqüilo. Em um domingo ensolarado eu e algumas milhares de pessoas esperávamos a abertura das urnas.

As cores de Natal se resumiram no tão famoso verde, que não era o bacurau como é tradicional no RN, e o vermelho que continuava sendo a cor famosa dos bicudos. As urnas foram abertas às 17 horas. A ansiedade tomou conta de todos que ficaram na expectativa da apuração.

No dia anterior saíram algumas pesquisas que apontavam segundo turno. A pesquisa Start/Jornal de Hoje, foi exata. Cravou 50.9% dos votos para Micarla. Depois das 21 horas era o que se confirmaria.

A festa de Micarla começou em frente a TV Ponta Negra, de propriedade de tal candidata. Como a maioria das pessoas que conheço estavam lá, resolvi caminhar para o Alecrim, contando com a sorte de encontrar com a vencedora do pleito.

O clima na rua presidente Quaresma era de festa, mesmo com trinta por cento dos votos apurados. Carro de som e todo mundo de verde, menos eu. Animação e uma bandeira do PT. Isso mesmo do PT. Meia dúzia de, digamos, ‘micarlistas’ pulava sob a bandeira com a estrela e o número 13.

Alguns seguranças guardam a entrada da TV. Uma amiga me chama para entrar, pois dali em diante ninguém mais entra. Entrei e sentei. O telão ligado em um dos estúdios apontava 51% dos votos para Micarla de Sousa, mas a festa ainda não estava pronta. Faltava mais quarenta e nove por cento a serem apurados.

A cada minuto chega mais e mais gente. Uns entram na TV, outros, a maioria, ficam lá fora esperando o resultado. Em uma das salas, gritos. Os votos apurados chegam a oitenta por cento. A vantagem aumenta. A vitória está próxima. As pessoas vão soltando grito lá fora e a música em um dos carros aumenta, estronda. Dentro da TV mais comemoração, gritos e abraços. Chegamos a 96% dos votos apurados, a partir de agora mesmo que todos os votos restantes sejam de Fátima Bezerra, segunda colocada na apuração, Micarla vence no primeiro turno. E venceu.

Coloca na Band”, grita um homem de óculos e cabelo grisalho. Rapidamente um dos funcionários liga na emissora citada. É Micarla falando. A prefeita de Natal. Lá fora o povo comemora mais e mais; bandeiras se agitam. Aquele som que estava alto consegue ser mais alto ainda. Na entrevista de Micarla como prefeita ninguém ouve nada. Me aproximo da TV e ouço: “Deus nos ajudou e conseguimos vencer com a força do povo”, mais ou menos isso é o que traduzo para os mais fanáticos.

Os gritos lá fora anunciam que alguém proeminente chegou. Ligo a câmera fotográfica esperando Micarla, eis que surge Paulo Vagner, aquele fanfarrão da TV, gordinho. É, ele é o vereador mais votado do pleito e segundo ele mesmo “o vereador mais votado da história política de Natal”, com 14.444 votos.

Gritos ensurdecedores, dentro e fora dos estúdios da Ponta Negra. `Agora sim’! Micarla entra triunfante, sorridente e de verde, acompanhada de uma dúzia de assessores, seguranças e amigos. Rosalba Ciarlini chega junto com ela, assim como Paulinho Freire, o vice-prefeito, e os deputados, pai e filho, Robinson e Fábio Faria.

Micarla onde passa vai levando o povo”, é a música que toca lá fora. Dentro do estúdio é literalmente isso que acontece. Flashs, gritos, abraços, aperto de mão. Todos querem tocar na nova prefeita de Natal, aquela que derrotou, quase, todos os caciques que diziam que elegiam até ‘um poste’. Eu no canto da parede, espremido, tento bater, uma foto descente de ser publicada. Acho que consigo.

Com a chegada de Micarla aparece gente de todo lugar pelas ruas do Alecrim. Em pouco mais de meia hora, Micarla sai e vai de encontro com os seus eleitores. Lá fora o tumulto era grande, mas nada de violência, era dia de festa. Micarla não consegue andar, logo os eleitores e seus cabos eleitorais resolvem fazer o que fazem com grandes artistas, levanta a ‘borboleta’ e leva ela no braço.

Por um momento acho que é Copa do Mundo, o povo ergue o punho e grita. Em pensamentos distantes achei que era gol e Micarla de Sousa era a artilheira. E realmente foi. Do Alecrim todos, sem exceção, seguem para o Machadão e de lá em direção a Zona Norte de Natal, pela Bernando Vieira, aquela Avenida que o prefeito Carlos Eduardo gastou milhões e conseguiu deixar pior do que já era.

Pelas calçadas a população espera. Uma senhora levanta uma placa. Nela uma foto de Carlos Alberto, pai de Micarla, com os dizeres: ‘saudades’. Voto de geração em geração, penso. “Micarla realiza o sonho que o pai não conseguiu”, diz um homem de vinte e poucos anos levantando o copo que está na sua mão. Pelo trajeto pessoas humildes esperam pela nova prefeita. Salto do carro que estou para sentir o clima da população. Senti-lo foi muito bom. Pude ver a felicidade de pessoas e pessoas, das quais Micarla nem sabe que existem. Enquanto eu penso na importância daquela multidão que vem vindo, com bandeiras, faixas, adesivos e carros, uma senhora me pergunta: ‘você tem adesivo?’, respondo que não, mas arranco um ‘bottom’ do peito de um amigo e dou para a minha interlocutora, que diz amar Micarla e o pai dela.

Vou chegando ao viaduto da Urbana. Na passarela próxima, uma multidão de gente toma todos os metros quadrados. Lembro de um vídeo que assisti, recentemente, sobre a morte de Getúlio Vargas. O seu caixão passando pelas ruas e nas passarelas o povo jogando pétalas de rosas. Mas lembrei pelo triunfo do povo para com o político e pensei na relação de amor que ambos carregam em si. É admirável tal feito, bem como inexplicável. Penso ainda que poucos homens conseguiram arrastar tantos fãs como Getúlio. Faço alusão e penso se um dia Micarla conseguirá tal feito. Veremos.

É uma hora e trinta minutos da manhã. Chego ao largo da Urbana, antes de virar para a ponte de Igapó, e paro num posto de gasolina. A carreata-passeata ainda vem pela altura da Avenida Jaguarari. Há uma multidão e um grande congestionamento de carros. São tantos sons ligados que é impossível distinguir que música está tocando. Olho no relógio e concluo que está na hora de voltar para casa, pois às 6 da manhã tenho que ir trabalhar.

Deixo pelo caminho o bêbado que balança mais não cai, as lindas mulheres que dançam de verde até o chão e os boêmios que comemoram a vitória da pevista. Deixo as milhares de pessoas pelo caminho e sigo meu trajeto sempre com o olhar na janela.

Amanhece o dia e os jornais conclamam a vitória inconteste de Micarla Araújo de Sousa Weber, 38 anos, casada, Jornalista formada pela UFRN e herdeira política do ex-senador Carlos Alberto de Sousa (in memorian). Eleita por 193 mil e 195 pessoas, o que equivale a 50.84% do eleitorado da capital. Fecho o jornal e fico feliz por ter presenciado mais um fato histórico.

E isso ninguém me contou, eu vi.

Até mais.


Os indecisos ficarão indecisos

Outubro 3, 2008

Bruno Rebouças

Agora já era (que maneira mais inconveniente de começar um texto). Acabaram as movimentações políticas do primeiro turno, e segundo algumas pesquisas, acaba a eleição no domingo dia 5. Quem estava ou está indeciso continuará assim, pois o debate não contribuiu muito em quem votar no dia 5. Porém, como diz um amigo jornalista: “o povo quer vê guerra”. Levando isso em consideração creio que a maioria deva ter gostado. Creio que todos os candidatos não conseguiram expor seus ideais como um todo. Prefiro acreditar nisso a crer que eles são despreparados.

 

O fato que já se alastra em anos luz, é que os debates em Natal não contribuem em nada para a mudança, drástica, no quadro dos votos. Pode sim, por motivos diversos, contribuir na escolha de candidato X ou Y, mas para mim que sou autor desse texto e para a maioria das pessoas com um nível de escolaridade média não muda. Pesquisas dizem que 68% das pessoas, em média, não mudam seu voto desde agosto último.

 

Os debates atuais servem para os candidatos atacarem uns aos outros e o eleitor que deveria ser a grande questão da discussão entre os candidatos ficam em segundo plano. Golpes sórdidos são dados a luz dos holofotes, em frente as câmeras e a direção da Globo como sempre lhe convém, beneficia o candidato de sua escolha.

 

A análise desse debate começa pelo final, pois o que a Globo com sua arbitrariedade hábita desde os tempos em que foi fundada, lembrando as suas maiores falcatruas políticas, como a manipulação em 1982 da campanha de prefeito do Rio, na qual Leonel Brizola vencia com folga e a emissora dos Marinho declarava que ele perdia por uma margem pequena.

 

Voltando ao debate em Natal, Fátima declara que a coligação ‘Natal Melhor’, que tem Micarla como majoritária, “é uma coligação mentirosa e demagoga”. A direção da emissora, ou seja, Henrique Eduardo Alves, achou que a crítica feita pela candidata do PT não é considerada ofensiva. O direito de resposta não foi concedido a Micarla de Souza. O que a Globo fez, é típico de suas atitudes durante todos esses anos. Fato lamentável. Chamar uma pessoa de mentirosa virou corriqueiro. Mas, se eu chamar agora, Henrique Alves e Garibaldi Filho, Vilma de Faria e Fátima Bezerra de mentirosos, coisa que não sou louco de fazer, eu serei processado por injúria, que é o crime por ofender pessoas, através de palavras de baixo calão.

 

Mas é claro, que Henrique Alves não aceitaria o direito de resposta, pois não daria a Micarla a chance de terminar o debate se defendendo e mostrando que está sendo vítima de um acordo esdrúxulo.

 

Além desse fato, ocorreu que a rede Globo, como sempre, deixou a democracia de fora e excluiu os candidatos dos partidos que não têm representação na Câmara Federal, entre eles Dário Barbosa (PSTU), Joanilson Rêgo (PSDC) e Pedro Quithé (PSL). Ambos entraram com ação na justiça para participarem do Debate, mas o recurso foi negado, sob alegação de que o requisito utilizado pela Globo está dentro das leis eleitorais. Durante toda a campanha esses candidatos tiveram tempos ínfimos na TV. Enquanto as grandes coligações tiveram dez minutos os citados tiveram apenas um. Mais uma vez a Rede Globo dá um exemplo antidemocrático.

 

A PERFORMACE DOS PREFEITÁVEIS

 

Começando pela segunda colocada em todas as pesquisas possíveis e imagináveis, Fátima Bezerra. Chegamos ao fim do primeiro turno praticamente como começou a eleição. Com um acordo que demonstra o interesse de se conquistar o poder a todo custo, Fátima deu uma de paz e amor como fez Lula em 2002. O Presidente veio a Natal e deslizou nas palavras, há que diga que na velha cachaça também, no episódio chamado de ypioca, alusão à aguardente que o presidente Luís Inácio aprecia.

 

Fátima perdeu a chance de arrancar alguns votos de Micarla no debate. Fugiu. Fez perguntas irrelevantes a Miguel Mossoró, perdendo a chance de encarar Micarla com o fato da pevista ter seu nome em gravações da Operação Impacto. Fátima como tudo indica perdeu a eleição, no dia 2 de outubro quando omitiu o embate com Micarla. Além disso, Fátima frisou muito o orgulho da pareceria com os seus aliados, que não precisamos citar. Não respondeu a muitas questões e levou para casa um comentário que poderia ficar sem. “A senhora passa despreparo”, disse Sandro Pimentel do PSOL, quando o assunto em questão era a Educação. O desempenho de Fátima não foi desastroso, foi fraco e ruim. Mas o pior foi perder a grande oportunidade, e quem sabe a última de encostar Micarla na parede.

 

Micarla de Souza fez o seu jogo e talvez o jogo certo, pelo menos para si. Atacou quando foi atacada e nessas ocasiões se saiu muito bem. Em poucas vezes que se confrontou com Fátima, quando falaram da Saúde, Micarla se saiu melhor dizendo que seu apoio era do povo, enquanto Fátima continuou com a ladainha do orgulho de fazer parte do acordão não respondendo a questão em voga. Micarla foi serena. Jogou com o resultado na mão. Atacou, à sua maneira, a Administração atual e se direcionou a Sandro Pimentel com a maioria de suas perguntas. Falou muito do povo natalense. Não foi tão bem assim, mas como está ganhando alcançou os objetivos. Foi prejudicada no fim, quando Fátima Bezerra chamou a coligação verde de ‘mentirosa e demagoga’ e o direito de resposta não foi adquirido.

 

Vober Júnior ficou devendo. Fez seu papel de homem centrado que só discute idéias, o que eleva o nível do debate, porém para o grande público teve uma participação discreta. Foi paz e amor e provavelmente já se conformou com sua colocação. Além de cumprir seu papel de retirar votos de Micarla e levar a eleição ao segundo turno, o que possivelmente poderá não dá certo.

 

Miguel Mossoró como sempre foi a graça do debate. Disse algumas coisas interessantes e respondeu muitas perguntas de Fátima. À sua maneira tentou defender os direitos dos cidadãos, dos idosos e coisa e tal. Mas sempre que ele fala ninguém leva a sério, logo seus comentários por mais que reais são jogados ao léu.

 

Sandro Pimentel foi o melhor. Isso mesmo. Destaque para ele. Não foi irresponsável, não fugiu do debate. Explanou sobre todos os temas, complicou todo mundo com as suas perguntas pertinentes e ferozes; além de responder tudo com muita sapiência. Defendeu o interesse do eleitor, do cidadão. Dos natalenses. Sandro foi o único destaque desse debate que teve, entre tantas coisas, participações modestas. Sandro foi protagonista e liderou com grandeza o último debate do primeiro turno e quem sabe das eleições.

 

Creio que o debate perdeu em qualidade pela ausência do Doutor Joanilson de Paula Rêgo, homem de extrema inteligência e dignidade. O único candidato que atendeu a equipe do Foque, para entrevista; Dedicando seu tempo e sua paciência aos membros que compõe esse coletivo. Enquanto todos os outros ignoraram nossa existência ele nos recebeu em sua casa. A entrevista não foi publicada por motivos técnicos e de problemas com o equipamento. Mas fica aqui o registro do nosso agradecimento ao candidato Joanilson Rêgo.

 

Por fim, no domingo o cidadão natalense elegerá seus vereadores e o prefeito que governará a cidade por quatro anos. Esperamos que o dever cívico seja cumprido e que não haja corrupção elevada para angariar votos nesses dois dias restantes, antes do pleito. Algumas pesquisas, encomendadas ou não, ainda sairão nestes dias subseqüentes, mas será no domingo (5) que teremos certeza se haverá ou não Segundo Turno.

 

Até mais.