Bruno Rebouças
Barack Obama venceu a eleição presidencial americana. De cada dez brasileiros, oito votariam em Obama, inclusive eu. Com o slogan: ‘Sim, nós podemos’, o até então senador Obama alavancou uma campanha otimista, na qual fez reviver a empolgação e o sonho americano. No Brasil, alguns livros de Obama foram publicados, como a autobiografia dele, na qual revela que já usou drogas, como maconha. Outro intitulado de: ‘O meu sonho americano’.
O senador de Illinois utilizou a internet melhor que qualquer outro candidato. Arrecadou dinheiro mais que qualquer outro também. Lá nos EUA, o Governo Federal não financia campanha de senhor ninguém, diferente daqui, que o governo tem lá sua ‘verbinha’, guardada para utilizá-las de dois em dois anos. Nos EUA, não tem a palhaçada, da propaganda eleitoral gratuita na TV, nem nos rádios e em lugar nenhum. Se quiser aparecer na TV, desembolse milhões de dólares.
O povo americano não é obrigado a votar. E isso é sensacional, pois os ignorantes nem comparecem as urnas. Votam apenas, àqueles que querem votar realmente, e não os que só comparecem porque são obrigados, e coisa e tal.
Por aqui, se fala muito no primeiro presidente negro; Lá eles falam também, mas alguns por aqui exageram. Como disse Arnaldo Jabor, em um dos seus comentários no jornal da Globo. Jabor declara o que eu sempre disse: ‘Obama não venceu a eleição porque é negão’. Ele venceu a eleição, pelos seus méritos, por ser um cara preparado e, principalmente, por ter recuperado aquilo que nós, brasileiros, invejamos: a superioridade americana e a capacidade de viver em mundo de sonhos. A velha fórmula do modo de vida americano. ‘Sim, nós podemos’. Se Obama se candidatasse no Brasil, o slogan seria: ‘Sim, nós não podemos’. É isso mesmo, por aqui as coisas já foram bem piores, mas ainda estão ruins.
Como disse Diogo Mainardi, colunista da revista Veja, ‘nossos analfabetos são mais analfabetos que qualquer outros analfabetos do mundo todo’. Fazer o quê? Por aqui, vi as revistas semanais se vangloriarem que Barack Hussein Obama, é o primeiro negro a ser presidente dos EUA. Mas todo mundo esquece, ou não pensa, como você leitor, talvez não tenha pensado, que no Brasil, esse país tropical, 5 vezes campeão do mundo, nunca teve um negro presidente. Parece que somos um país racista, ou os negros nunca se candidataram, ou eles não têm vez? Não sei. Talvez as três opções. Como disse Paulo Francis: ‘pobre não gosta de pobre’. Além do mais, continuando com as frases de Francis, ‘o Brasil é pobre por burrice’.
Obama venceu o herói de guerra John McCain. A disputa foi boa, mas o conservadorismo de McCain o prejudicou. Além disso, os erros da administração do Republicano Bush foi uma pedra no sapato da candidatura de McCain. A gostosinha da Sarah Palin, vice de McCain, também. A mulher que falava em mudança, gosta de caçar e usa casaco de pele; A conservadora que casou com o primeiro namorado, vai ser avó, sendo que sua filha tem apenas 15 anos. Além do mais, a governadora do Alaska é muito superficial e isso prejudicou a campanha Republicana, segundo alguns analistas.
O melhor momento de McCain foi o discurso da derrota. Ele pediu para todos aqueles que votaram nele, que apóiem Obama, para que os Estados Unidos saiam dessa situação de crise e volte a ser o país das oportunidades. McCain foi diplomata, assumiu a derrota e se propôs ajudar Obama no que ele precisar. O velho herói de guerra demonstrou, como deve se comportar um candidato que respeita a escolha popular e a democracia que eles preservam tanto. McCain perdeu a eleição para um slogan, que você cansou de ouvir e ler.
A eleição de Obama foi muito boa, pois rolou meio que um entusiasmo geral no Planeta. Assim como Lula, em 2003, que deu uma injeção de ânimo na galera, o brother Obama também. Só esperamos que ele não faça tantas cagadas que nem Lula fez. Mas não podemos achar que o boy Obama, como diz a jornalista Juliana Manzano, vai mudar o mundo. Erros ele terá, só esperamos que ele retire as suas tropas do Iraque, e deixe com que todos os países tenham sua soberania nacional e possam decidir seus caminhos, sem que o império contra-ataque.
Esperamos que ele tenha sapiência suficiente, ele retire o bloqueio econômico implantado, sobre Cuba, que perdura desde 1963. E que ele contorne a crise econômica, pois ela prejudica muito mais aos países emergentes, como o Brasil.
Por fim, invejo a democracia americana, na qual eles votam se quiser; Tem direito a informações diversas, sem serem corrompidos por meios de comunicação escusos. Invejo, pois, eles têm o poder de mudar suas decisões e sua história em um único dia. Para terminar vão dois trechos do discurso da vitória de Obama, em Chicago:
“Se alguém ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que o sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta [...] É a resposta de jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nós nunca fomos somente uma coleção de indivíduos ou uma coleção de Estados vermelhos e azuis. É a resposta de jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nós nunca fomos somente uma coleção de indivíduos ou uma coleção de Estados vermelhos e azuis.
Nos somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América [...]“.
Até mais.