A mídia que mata

Março 24, 2009

Bruno Rebouças – www.foque.com.br

A jornalista* levantou cedo como sempre fazia. Ainda na universidade, trabalhava como estagiária numa TV local. Saiu no seu carro a caminho da redação para mais um dia de trabalho. Numa das vias de acesso um acidente grave com dois automóveis. Curiosa, vai conferir se está tudo bem. Conversa com o bombeiro responsável e com uma das vítimas. Tudo bem, todos vivos. O acidente fora causado por falta de sinalização num cruzamento. Pega seu celular e liga para a redação comunicando sobre o ocorrido. Uma mocinha atende e chama o chefe de redação.

- Bom dia chefe, tudo bem? Diz a Jornalista.
- Bom dia, diz aí? Responde secamente o tarimbado Jornalista.
- É que no caminho da redação parei em um grave acidente envolvendo dois carros.       Podemos noticiar esse acidente – argumenta a jovem jornalista. Imediatamente o chefe de redação se empolga e pergunta: – Morreu alguém? A jovem, sentindo a empolgação do patrão, diz um não sem graça, e escuta um berro do outro lado da linha: – Então venha já para a redação! Tentando argumentar sobre a deficiência de sinalização no local a jovem jornalista tenta: – Mas… – Bruscamente interrompida, ouve: – Volte para a redação, tem pauta mais interessante. Notícia ‘boa’, é notícia ruim.

Nos últimos dois meses o número de mortes com arma de fogo na capital potiguar é de tirar a tranqüilidade da população. Segundo as páginas policiais morrem todos os dias, no mínimo, três pessoas, na maioria homens alvejados por tiros. No último sábado, o segurança de um fast-food foi executado na av. Salgado Filho. Em Ponta Negra, um acerto de contas. Na Redinha, dívida e envolvimento com drogas. Na maioria dos casos os entorpecentes são as principais causas, assim como um acerto de conta, que de tão caro, custa à vida de outrem.

Parece que por aqui, até pouco tempo uma cidade tranqüila em termos de assassinatos, descobriram a arma de fogo e se encantaram. Assaltos à mão armada colocam a vida de trabalhadores, estudantes, pais e mães de família em risco. A segurança pública, assim como a educação e a saúde, estão defasadas e o governo se preocupa apenas em sediar uma copa daqui a 5 anos.

Prato quente para a imprensa


Embarcando nos assassinatos da capital e interior do estado, a mídia entra na onda do ’se espremer sai sangue’, revivendo os velhos tempos da impressa marrom. Alguns vão dizer que o jornal só divulga o que interessa ao público. Sabemos que não é bem assim, pois só vão nas páginas dos jornais notícias que interessam aos proprietários e seu grupo político.

Para se ter uma idéia, no jornal Tribuna do Norte, só no caderno ‘Natal’, salvo as reportagens de violência, saíram três reportagens de assassinatos. Ambas, descrevem os crimes como aconteceram. Um jovem de 15 anos estava em casa, quando um outro rapaz o alvejou no peito. O jovem ainda foi levado para o hospital, mas faleceu. No fim da matéria: “O caso fica por conta da 8ª Delegacia de Polícia”.

Em outro ponto da cidade um jovem é assassinado, ’supostamente envolvido com drogas’. Leia o texto: “Os homicídios em série que vêm sendo cometidos na zona norte de Natal contra pessoas que têm envolvimento com drogas teve um novo capítulo trágico na noite desta terça-feira (18), desta vez na Favela da África, no bairro da Redinha. A vítima da vez foi o jovem João Paulo Batista da Silva, 20 anos, executado com quatro tiros em frente de casa”. O repórter escreve: ‘a vítima da vez’. Que sensibilidade! Uma espécie de amanhã continuamos, com a série mate e apareça no jornal. A morte mais espetacular será transmitida na TV.

Jornalismo de suposição


Cada dia que passa, a mídia se especializa em tentar adivinhar os fatos. No meio do texto, são descritos onde os tiros acertaram, parecendo um ranking, quanto mais perto da cabeça mais pontos. Mas o que chama a atenção é o entendimento do repórter que declara: “provavelmente disparados por um revólver calibre 38″. No parágrafo anterior, o repórter já diz no título: ’supostamente envolvido com drogas’. A mania de adivinhar fatos tira a exatidão da matéria e compromete sua veracidade. Esse pecado não é cometido somente por aqui, mas em todo o Brasil e no mundo. A Tribuna do Norte fez aquilo que José Arbex Jr. denúncia no seu livro, O Jornalismo Canalha, no capítulo ‘Jornalismo de Verificação X Jornalismo de Afirmação’. Afirmar fatos sem averiguar a sua procedência é um pecado gravíssimo.

Para não perder o costume, a matéria é encerrada com a frase: “O caso fica inicialmente com a 13ª Delegacia de Polícia da Redinha”.

E a reportagem que vendeu mais jornal é…


O campeão da rodada foi à morte de Rosemberg da Silva Alves, morto na Zona Norte, informação que vem destacada no texto, como se nas outras regiões de Natal não houvesse crimes piores. Com total desrespeito a família da vítima, e sem averiguar mais uma vez, o jornal diz que o crime “leva a crer que a motivação para a morte dele tenha sido um acerto de contas relativo à dívida por drogas”, segundo a Polícia. Por fim, a descrição da morte do homem de 27 anos é quase um filme. Em resumo, dois homens vinham numa moto Twister, pela Rua dos Caetés, no bairro de Santarém. Encontraram Rosemberg caminhando “tranquilamente”. Começaram a atirar e Rosemberg correu, mas de nada adiantou. A vítima levou um tiro na mão, um nas costas e dois na cabeça, não resistiu e morreu no local. “O caso será investigado pelo 12º Distrito Policial, em Santarém”. Em todas as reportagens ninguém foi preso, e a polícia não tem pistas dos assassinos. Além disso, todas as reportagens terminaram com a frase: “o caso será investigado”, mantendo um padrão tal qual uma receita de bolo, mudando só a quantidade dos ingredientes.

Vender é o que interessa


Por fim, muitos não vêem problema algum em publicar notícias e reportagens com esse teor. Mas uma coisa que não podemos esquecer é que a imprensa cumpre seu papel social quando fiscaliza os demais poderes. Não é isso que acontece por aqui. A Tribuna do Norte, o Diário de Natal, o Correio da Tarde, o Jornal de Hoje, com suas duas edições, e o site Nominuto.com, enchem os cidadãos de notícias sobre mortes para venderem suas páginas. Quando a matéria fica velha, de um dia para o outro, surgem novos casos. Esses são relatados com primor pela imprensa, apenas. Não há uma única matéria que denuncie o descaso com a segurança pública, além de não haver acompanhamento sobre as investigações. Quando o assunto cai na esfera do esquecimento, a polícia arquiva o caso e os assassinos ficam impunes para cometer novos atos de violência. Enquanto isso, a grande imprensa se esbalda nessas histórias e vendem a desgraça alheia aos demais cidadãos sem responsabilidade nenhuma, pois, para eles, “notícia ‘boa’, é notícia ruim” e o que realmente importa, é vender.

*Essa não é uma história de ficção. Uma amiga, jornalista, passou por isso em Natal, há alguns anos. Os nomes da jornalista e da emissora foram omitidos a fim de preservar a fonte jornalística.


Coletivo Foque inova a comunicação

Março 24, 2009

O Coletivo Foque de Comunicação visa realizar uma comunicação livre e alternativa, publicando reportagens sobre assuntos que não tem vez na grande imprensa. A fim de manter sempre uma relação verdadeira e honesta com nossos colaboradores e leitores, comunicamos o lançamento de uma revista mensal, já a partir de abril de 2009. Estamos investindo num projeto arrojado e inovador. Tanto em qualidade gráfica quanto em conteúdo. A revista constará de reportagens, entrevistas, artigos, crítica da mídia, cultura, política, charge e ensaio fotográfico. Denúncia das mazelas sociais com um viés jornalístico sem a influência de grupos políticos e partidários. Uma revista feita por jornalistas, pesquisadores, designers, fotógrafos, e ilustradores… E você.

“Fazemos comunicação alternativa em meio a um mercado que fabrica alienação. Diante disso, entendemos ser necessário utilizar as mais diversas peças da linguagem como fios condutores de uma comunicação comprometida com as causas sociais. Nosso propósito é tornar público acontecimentos que grande mídia não se interessa em divulgar”, enfatiza Rogério Marques, um dos fundadores do Coletivo Foque de Comunicação.

A revista, que já tem nome, também tem por objetivo informar e formar cidadãos conscientes sobre a realidade na qual estamos inseridos. Pretendemos construir um projeto editorial onde os excluídos pelo poder público tenham vez e voz.

Em entrevista ao site Fazendomedia.com o jornalista Fausto Woff declara: “Quando Executivo, Legislativo, Judiciário e a Imprensa são sócios, temos uma ditadura”. O nosso propósito é quebrar essa ditadura dos três poderes, que se associam aos magnatas da mídia para enganar o (e)leitor.

Para manter uma imprensa livre e independente, precisamos da sua ajuda. A primeira edição da revista depende de você. Colabore, depositando qualquer valor na Conta Corrente N° 14362-4 – Agência N° 2010 – Caixa Econômica Federal.

Após realizar o depósito mande um email para a nossa redação, informando a data e o valor da sua contribuição para que possamos prestar contas aos nossos colaboradores. Assim, tenha a certeza que você estará contribuindo com a liberdade de imprensa.

Desde já agradecemos a sua atenção.

Coletivo Foque de Comunicação – www.foque.com.br

“E quem nos ajudará, a não ser a própria gente?

…E diga sim, a quem nos quer abraçar

Mas se for pra enganar, diga não”

[Oração latina - César Teixeira]


A Copa dos irresponsáveis

Março 19, 2009

Bruno Rebouças


Enquanto crianças morrem no hospistais por falta de pediatra, Natal orça um projeto em 1,5 bilhão de reais

Enquanto crianças morrem no hospistais por falta de pediatra, Natal orça um projeto em 1,5 bilhão de reais

Quanto você pagaria para ver a final da Copa do Mundo? Tem gente que pagaria até milhões de reais. Outras não pagariam mais que alguns milhares de reais e outros não pagariam nem um centavo. Pois bem, quanto o governo do seu Estado paga por uma Copa do Mundo? Nenhum deles, menos que 300 milhões. Alguns estão indo no orçamento lunático de 5 bilhões, outros um pouco menos, 1,2 bilhão, com perspectiva de lucro de 45 bilhões ao ano. Você acredita? Eu não.

Deu a louca nos dirigentes brasileiros e mais ainda nos semi-analfabetos Governadores e Prefeitos. Acontece que o governo do Estado do Rio Grande do Norte começou a caçar matérias pelo Brasil e pelo mundo que tratam e apóiam a candidatura de uma cidade como Natal, onde não se pode chover nem alguns mililitros que fica tudo alagado. Uma cidade que na última segunda-feira (02.03) decretou greve nas Escolas Estaduais. Então, como faremos? Preparemos um Empreendimento mega-hexa nos moldes Europeus? Faremos um Estádio de 300 milhões de reais, junto com um complexo de hotel e Administrativo para a Prefeitura e o Governo luxarem e não trabalharem em prol do cidadão. E vamos, mais uma vez, esquecer nossos problemas primários, como educação, moradia e saúde. Dane-se o nosso futuro. É melhor uma Copa do Mundo que dura, no seu total, um mês, do que investir no futuro da nação, os jovens.

A irresponsabilidade dos nossos dirigentes e dos nossos governantes é tamanha. E da nossa imprensa é similar. Ela que é considerada, ou deveria ser, a vigia dos três poderes, que alertaria você, internauta, leitor da realidade que nos assola. Os grandes veículos de comunicação não deveriam esconder a verdade, e acima de tudo deveriam parar de publicar os releases (informações cedidas pela Assessoria de Imprensa, que visa publicação), tal qual eles chegam à redação. Publicar que Natal é favorita à Copa do Mundo, segundo órgãos importantes da imprensa no mundo, é enganar o cidadão. É criar uma falsa esperança na população que não irá assistir essa Copa, a não ser em suas residências pela Televisão como sempre foi.

O jornal O Globo, através da coluna do jornalista Anselmo Góis, apontou o RN como franco favorito a sediar os jogos. Num dos trechos de sua coluna ele escreve:

“Sobe na Copa 2014 – Nas andanças da equipe da Fifa pelo país, uma cidade atropelou as concorrentes e aumentou as chances de se tornar sede da Copa de 2014: Natal. O Nordeste seria a vitrine, com quatro sedes (Recife, Salvador e Fortaleza já estão certas)”.

O nobre Jornalista se encantou com uma maquete eletrônica, assim como todos os outros jornalistas que apóiam esse projeto inviável para a cidade de Natal. Com todo respeito, ao colega de profissão, Anselmo Góis, mas ele não conhece as carências da cidade, as deficiências e coisa e tal. A falta de leitos nos hospitais. O abandono da saúde, a defasagem da educação do Estado. O fato é que, em termos de maquiagem e sedução, os políticos daqui são especialistas e a Grande Imprensa embarca junto, pois os salários devem ser pagos no fim do mês. Esconde-se a verdade, varre-se tudo para de baixo do tapete e venha a Copa. O que está embaixo do tapete não interessa. Crianças sem aula; país sendo assaltados, assassinados. Mães tendo filhos nos corredores dos hospitais. O que interessa no fim é a Copa do Mundo de 2014.

Essa Copa vai mudar o Brasil. Vai aumentar o turismo, mover a economia. Mas com ela virá a leviandade, a corrupção, a irresponsabilidade e tudo que já foi dito acima. Eu sei que isso é meio repetitivo e que o Brasil é a Instituição Oficial da Corrupção, mas com essa Copa os números desta Instituição crescerão de forma jamais vista no mundo. Pense nisso.

Por fim, abaixo a Copa do Mundo.


Botemos o Machadão no chão

Março 17, 2009

Bruno Rebouças

Uma grande discussão começou em Natal devido a Copa de 2014. A primeira coisa que uma cidade deve ter para ser agraciada como sub-sede de uma Copa do Mundo, é um bom estádio. As partes secundárias, e não menos importantes, devem ser: bom trânsito, estrutura na saúde, bons hotéis e muito, mas muito mais coisas. Em Natal foi apresentado, inicialmente, um projeto de um estádio em formato de Estrela, que logo recebeu o apelido nada convidativo de ‘Estrelão’. Capacidade inata de brasileiro, acrescentar o aumentativo nos Estádios nacionais. Tudo bem, deixemos isso de lado. Posteriormente, me aparece um mega-hexa-projeto de um estádio, além da construção de um moderno e grande complexo esportivo, turístico e comercial, onde hoje está localizado o estádio Machadão, o ginásio Machadinho, Centro Administrativo e o Cartódromo.

Isso custará, simplesmente, 1,2 bilhão de reais. Só o Estádio das Dunas, nome tão feio quanto ‘Estrelão’, custará 300 milhões. E advinha quem irá pagar? Você, eu, seu pai, seus irmãos, seu vizinho. É um gasto que muitos diriam: ‘vale a pena’.

Ser a favor que a capital do Rio Grande do Norte seja sede, todos somos. Mas o que começo a questionar por essas linhas é se vale realmente à pena gastar 1,2 bilhão de reais, tendo em vista que como a Vila Olímpica do Pan-americano, o estádio ficará as baratas por aqui, após a Copa. Os colunistas esportivos, alienados, dizem que a estrutura fica. Fica para quem? ABC e Alecrim, América e Potiguar, ou o super clássico, Potiguar de Parnamirim e Alecrim? Nada contra essas equipes, pelo contrário. Mas o que tento dizer é que não vale a pena fazer um estádio tão maravilhoso, para não comportar grandes jogos. O projeto foi desenvolvido pela mesma empresa que arquitetou os estádios de Wembley e o Emirates Stadium, ambos na Inglaterra. Como manteremos uma estrutura dessas, numa cidade, em que, sua própria Seleção não faz questão de jogar?

Pensemos bem. O RN está entre as três piores educações do Brasil. A saúde está em colapso e Calamidade Pública foi anunciada pela prefeita Micarla. As ruas esburacadas causam transtornos a todos nós. A estrutura viária da cidade é de envergonhar. Será que Natal não tem coisas mais importantes a pensar do que uma Copa do Mundo? Como disse Jânio de Freitas, na Folha de S.Paulo, essa é a Copa da Leviandade, na qual todos os governantes e prefeitos tentam maquiar suas cidades e Estados para esconderam a realidade do cidadão. “O que vimos até o momento é uma bela maquete eletrônica. Com os programas avançados que temos hoje em dia é bastante fácil preparar uma maquete dessas. Uma proposta desta magnitude não pode ser feita sem um projeto executivo, ou seja, um documento que contenha todos os elementos necessários à execução da obra”, explicou o engenheiro José Pereira da Silva, responsável pelo cálculo estrutural do Machadão.

Reforma ou Construção?

Outra discussão secundária dentro desse tema é a derrubada do ‘glorioso’ Machadão. Os saudosistas e os que idealizaram e construíram são contra. Vamos aos fatos. Edno Sinedino (colunista do NoMinuto.com) anda dizendo que o estádio tem muita história e não pode ser derrubado. O que acho é que tem muito gente metendo a colher onde não deveria. Wembley era o estádio mais antigo do mundo. A seleção da Inglaterra, dona do Estádio, venceu sua única Copa do Mundo jogando lá. Fato de extrema importância para os ingleses. Quando o estádio fez cem anos, o que fizeram? Reformaram? Não, construíram outro devido aos custos. Era mais em conta fazer outro estádio com uma modernidade de tirar o fôlego, a ter que reformar. O grandioso Machadão foi reformado uma única vez em trinta anos e para quê? Apenas para gastar dinheiro, pois continuou a mesma coisa de antes, ou seja, ruim. Com o gramado esburacado e coisa tal. Na fachada jogaram cimento e pronto: estava concluída a reforma.

Caso venhamos a ser sede de uma Copa do Mundo, espero que criemos uma consciência, ao menos uma vez, desenvolvida e desistamos da idéia de reformar e adequar um estádio que não serve mais para nada. Só para show de Padres e Pastores, além dos clássicos ‘reis’ do Estado.

Os idealizadores da obra eu até compreendo que não queiram a derrubada. Ver um trabalho seu no chão é péssimo. Mas não devemos ser tão egoístas a esse ponto. Preferir ver um estádio decadente reformado para nada, a ver um grande projeto com uma estrutura singular.

Não quero que vocês achem que sou contra a Copa vir para Natal, sou contra apenas a construção de um complexo que custa 1,2 bilhão de reais. A esperteza e a corrupção, costumeira no Brasil, vão vingar nessa dinheirama toda. E o governo já embarca na onda e quer para si, um novo Centro Administrativo. Não me façam de palhaço, pois não sou. E no que depender de mim, o cidadão não será também. Sem a construção de um novo Centro Administrativo, para o Governo do Estado e a Prefeitura luxarem em salas ufanas, suas pífias administrações, o projeto cai seu valor pela metade. E não estou disposto a pagar a conta do conforto e da incompetência governamental.

Amigo, a Copa não é para você

A secretária estadual de esporte, Magnólia Figueiredo, dizendo que a escolha pela construção de um novo e amplo complexo esportivo em vez de apenas revitalizar o Machadão, se dá pelo fato de uma possível parceria público-privado. “A proposta para readequar o Machadão às exigências da Fifa dificultaria a realização dos projetos. A construção de um grande complexo esportivo, comercial e turístico foi, sem dúvida, a melhor opção para Natal”, disse Magnólia ao jornal Tribuna do Norte (01.02.09).

A chave do negócio está aí. Caso a parceria público-privado aconteça a construção sairá antes do tempo necessário. Mas aí vem o tal do lucro. E como o setor privado tira o dinheiro que gastou com um empreendimento? No caso de estádios, é vendendo camarotes, cadeiras cativas e com a venda de ingressos. Aonde quero chegar com isso, leitor, é que teremos que rezar muito para que os ingressos da Copa do Mundo em 2014 sejam comercializados em reais, possibilidade que eu não acredito. A Fifa destina uma companhia para vender os ingressos. A princípio eles são vendidos na moeda do país sede, mas a ganância e a importância de se lucrar em cima de tudo, farão com que o cidadão comum, aquele que não faz parte de uma elite privilegiada, não compareça a nenhum jogo, vendo tudo na sua Televisão, como sempre fez em outras Copas.

Sou contra a construção do complexo e dos gastos de 1,2 bilhão de reais por achar que a cidade precisa de coisas mais importantes, como Hospital e Médico. Mas, caso tenhamos que sediar a Copa, devemos construir um novo estádio e não reformá-lo. Deixemos de ser saudosistas, antiquados e bajuladores. Botemos o Machadão no chão sem mais delongas.


Abaixo o Big Brother

Março 16, 2009

Bruno Rebouças

O big brother é um programa ultra-moderno e inventado no século XXI. Se você concorda com essa afirmativa, esqueça. O big brother surgiu em 1948, com o livro do escritor e jornalista George Orwell, com o seu mais famoso romance 1984. Segundo Orwell, em 1984 os homens todos seriam vigiados por câmeras, e todos os pensamentos escusos seriam punidos pelo IngSoc (o Partido). Todos viveriam em um continente intitulado de Oceania. Esse nome se dá pelo fato, da união de todos os oceanos, juntando assim os continentes em um só.

A transformação da realidade é o tema principal de 1984. Disfarçada de democracia, a Oceania vive um totalitarismo desde que o IngSoc chegou ao poder sob a batuta do onipresente Grande Irmão (Big Brother). O livro conta a história de Winston Smith que é membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade. “A função de Winston é reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. Nada muito diferente de um jornalista ou um historiador. Winston questiona a opressão que o Partido exercia nos cidadãos. Se alguém pensasse diferente, cometia crimidéia (crime de idéia em novilíngua) e fatalmente seria capturado pela Polícia do Pensamento e era vaporizado. Desaparecia”, analisa o Duplipensar, site de resumos de livro.

A semelhança com o Big Brother, não é mera coincidência. O onipresente ‘grande irmão’, que tudo vê, ouve e puni, seria o apresentador, outrora excelente, Pedro Bial. Logo, aqueles que não andam na regra, vacilam dentro da confortável casa da Globo, são evaporados, desaparecem. A votação, primeiro dentro da casa, segundo pelo voto popular, que não é apurada na frente dos telespectadores, é passível de manipulação, caso os ‘Grandes Irmãos’ que controlam e dirigem o programa queiram.

Ainda seguindo o resumo da obra, “Winston Smith e todos os cidadãos sabiam que qualquer atitude suspeita poderia significar seu fim. E não apenas sair de um programa de TV com o bolso cheio de dinheiro, mas desaparecer de fato”. Neste trecho, destaco a fama instantânea que um membro do big brother tem. A Globo, com todo seu egoísmo mantém o participante com um contrato exclusivo de imagens, não podendo este ceder entrevistas a outros meios de comunicação. Quando todos os membros do programa Big Brother caem na ilegalidade, novamente, a emissora dos Marinhos encerra os contratos daqueles, jogando-os no esquecimento geral. Ou como disse certa vez Brizola: ‘mandando todos para a Sibéria do esquecimento’.

“Algo estava errado, Winston não sabia como, mas sentia e precisava extravasar. Com quem seria seguro comentar sobre suas angústias? Não tendo respostas satisfatórias, Winston compra clandestinamente um bloco e um lápis (artigos de venda proibida adquiridos num antiquário). Para verbalizar seus sentimentos, Winston atualiza seu diário usando o canto ‘cego’ do apartamento. Desta forma ele não recebia comentários nem era focalizado pela teletela de seu apartamento. Um membro do Partido (mesmo que externo como Winston) tinha de ter um teletela em casa, nem que fosse antiga. A primeira frase que Winston escreve é justificável e atual: Abaixo o Big Brother!”.

É incrível o sucesso que o programa Big Brother faz no mundo subdesenvolvido. No mundo, onde especular, vigiar a vida alheia e julgar as atitudes dos outros é normal e corriqueiro. A grande verdade, é que o programa que é vendido no terceiro mundo, através da produtora, holandesa, Endemol, só serve para manipular uma falsa realidade, assim como Orwell previu em 1948, inventando sem saber o tal programa. Um programa sem cultura e que não acrescenta absolutamente nada na vida de nenhum de nós. Satisfaz os desejos, apenas. Vê todas as gostosas de biquíni expondo seus corpos malhados e sãos, passando protetor sem descrição nenhuma, é excitante certas vezes. Homens de corpos sãs, malhados deixam as meninas eufóricas. Mas o que isso muda na sua vida? Muda que você quer ser como eles. Muda que você vai preferir ser lindo e famoso, a ser respeitado e inteligente. A Globo e o formato do Big Brother, só servem para entreter o grande público, e fazer com que todos nós esqueçamos da realidade, de fome, falta de estrutura na saúde, desemprego e corrupção.

“A função de Winston é uma crítica à fabricação da verdade pela mídia e da ascensão e queda de ídolos de acordo com alguns interesses”. Ou seja, na TV criada em 1964 para defender as idéias militares, a mesma TV que muitos amigos meus sonham em trabalhar, a Globo, fabrica verdade, e quem vai contra ela é acusado de mentir, pois a TV do Plim-Plim, atingi 98% do país. A queda e a ascensão de uma ídolo, seja ator ou cantor, depende do interesse dos dirigentes da Globo para tal.

No livro 1984, o Partido distribui ração de chocolates para a população, nada diferente da prova da comida que os participantes da casa do BBB são acometidos a fazer. No livro, os cidadãos agradecem ao Grande Brother, assim como os integrantes do BBB fazem quando vencem a tal prova.

No livro, quem manda é o partido. No BBB quem manda é o Bial, que seria a representação do totalitarismo, como sempre, disfarçado de democracia. Câmeras espalhadas pela casa, e microfones chamam os participantes, caso algo proibido seja realizado. Manipulação para acontecerem brigas são feitas. Quando a confusão se instala, o pessoal do ‘deixa-disso’ é chamado no confessionário, e qualquer desculpa é inventada, para que lá fora os brigões garantam a audiência, o lucro para o programa.

“Dois mais dois são cinco se o partido quiser”. Assim é o Big Brother. As realidades são inventadas; os romances, as provas. Tudo para você ver TV com pessoas reais. Essas mesmas pessoas são manipuladas e vivem sem razão, por pelo menos 3 meses. As mulheres mais recatadas saem na primeira semana. As mais fogosas, gostosas, continuam por mais tempo. Quando saem da casa cheia de espelhos e câmeras, dão lucro para revistas masculinas ou viram atrizes, sem muito talento e sucesso. Além de satisfazer os marmanjos obcecados por sexo que compram a revista para liberar seus hormônios presos. Há as exceções, mas eu considero todas farinha do mesmo saco. Fracas, vazias, e sem um mínimo de conteúdo. Os que continuam na mídia, estão aí até o dia em que os interesses políticos e econômicos da TV Globo prevaleçam. Após isso, todos serão jogados no Buraco da Memória, ou na Sibéria do esquecimento.

Big Brother is watching… (Grande Irmão está assistindo…), disse George Orwell, um dos maiores escritores de todos os tempos. Pensem nisso, e lembre que você pode está sendo filmado. Se isso acontecer, não sorria. Chore.

“Abaixo o Big Brother”.

Até mais.


O Retorno

Março 16, 2009

Olá, caros amigos, tudo bem? Estive muito tempo sem atualizar esse blog, pois estava muito ocupado, principalmente com o desenvolvimento deum projeto alternativo de comunicação. Ainda estou. Estamos fazendo uma rede de comunicação, baseada em colaborações de pessoas engajadas em dizer a verdade, fazer denúncia e coisas do tipo.

O endereço já publiquei aqui. é WWW.FOQUE.COM.BR – acessem e colabore.

Andei escrevendo muitos textos, que foram publicados no Foque e vou publica-los todos aqui no mediaalternativa.

Espero que gostem. Podem comentar, criticar e o que vocês desejarem.

Sorisso no coração.