O comunismo pode ter acabado, mas os comunistas vivem

Julho 28, 2009

[Por Bruno Rebouças, jornalista

Em 2007, fez 90 anos da revolução russa. Na praça vermelha, em Moscou, 150 mil pessoas se reuniram para comemorar a data. A Rússia foi transformada em União Soviética, em 1922, e o socialismo vingou até 1992. Desde lá, todas as pessoas, diziam que o comunismo nunca mais se faria na terra. Cuba permanece socialista até hoje, com ou sem Fidel. A China também, embora a forma econômica na terra dos dragões seja diferente. Uma economia mista, com forte presença do estado. Ambos já começam a abrir mais suas políticas. Cuba ainda vive o esmagador bloqueio econômico, mas tem índices sociais de fazer inveja a qualquer país desenvolvido. E a China se desenvolve e cresce mais que qualquer outro país no planeta.

Mais recentemente, saiu uma pesquisa publicada no jornal alemão, Der Spiegel, que 57% dos alemães orientais (os comunistas) preferiam viver na antiga república, a hoje em dia na Alemanha Unificada. A pesquisa revela vários aspectos, mas o principal, o que a maioria dos entrevistados disseram, foi em relação a solidariedade, igualdade e justiça que na atual Alemanha, ‘unificada’ e capitalista não existem. “No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje. Quero ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga
Alemanha Oriental”, relatou Schön um artesão que não revelou seu segundo nome.

O mundo vive uma crise econômico ferrenha, que não atinge tão em cheio o Brasil, devido a não termos uma grande economia mundial, de certa forma, sorte nossa. Com essa crise, alguns americanos, mais conservadores, já temem, mais uma vez, uma ascensão comunista pelo mundo, pois a falta de investimentos de países desenvolvidos gera a cada dia o desemprego. A alternativa para as injustiças sociais, sempre foi o socialismo, que visa o pleno emprego a todos, além dos cinco serviços básicos para o homem, viver e não sobreviver, como no Brasil. São elas educação, saúde, moradia, segurança e alimentação.

“Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu”. Além da pesquisa boca a boca, os entrevistados responderam perguntas por cartas, e essa citação é de uma delas. A pesquisa revelou, ainda, que os cidadãos da antiga Alemanha Oriental são injustiçados em relação aos antigos alemães ocidentais [capitalistas]. Os ‘ex-comunistas’, recebem piores salários e não tem tanta liberdade, quanto os capitalistas dizem que oferecem. “A RDA [República Democrática Alemã] tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje”, diz outro cidadão, numa carta.

O fato é que o mundo acha que os comunistas são agradecidos aos capitalistas pela ‘libertação’. E é totalmente ao contrário. Os países que viveram sobre a custódia do comunismo, tiveram seus problemas, sim, todos tem, porém, numa sociedade socialista o eu é secundária, e coisas fúteis, como assistir novela e comer em fastfood não tem tanta relevância. Você prefere que seu filho coma lagosta, e seja apenas um trabalhador simples, ou que ele não coma lagosta e seja um médico renomado?

O grande problema de países que vivem o capitalismo é esse. Achar que a nossa futilidade atinge países que tem projetos cidadãos concretizados voltados para o povo, e não para uma elite dominante.

A pesquisa faz questão de revela que não só foram entrevistados ‘velhos’ saudosistas, mas jovens que nasceram na Alemanha Oriental, como Birger, de 30 anos. “Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje. A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa. Com certeza, não acho que aqui é melhor”, se referindo a unificação da Alemanha, realizada em setembro de 1991.

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Foto: Rogério Marques/foque.com.br

Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem seu antigo país. “A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá” (carta).

Por fim, o mundo pode até achar que o comunismo acabou, mas sem dúvida alguma, os comunistas estão bem vivos. Como dizia uma velha campanha de filiação do Partido Comunista Brasileiro [PCB], “Coração é vermelho e bate no lado esquerdo”.

 

[Citações retiradas da reportagem de Julia Bonstein, do jornal Der Spiegel; Tradução: Eloise De Vylder].


Foto da Semana

Julho 27, 2009
Foto: Bruno Rebouças/foque.com.br

Foto: Bruno Rebouças/foque.com.br

Virou corriqueiro. A agilidade do dia a dia nos deixou cegos e insensíveis. Deparamo-nos com crianças esfomeadas pedindo esmola e não nos sensibilizamos. Vemos homens pedindo comida, e nem mais olhamos para saber quem é. Um filho morrer assassinado na frente da mãe é normal, é irrelevante.

Na manhã de 24.07, este senhor dormia na calçada da Avenida Rio Branco, em cima de um carrinho que serve para carregar objetos. Talvez a fome e a fadiga obrigaram-no a parar e descansar em frente a uma loja no centro. O que mais estarrece são as pessoas passarem e não repararem o senhor que ali está.


História, reportagem e romance. Um relato sobre os comunistas do Brasil e do RN

Julho 25, 2009

 

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No Terreno da Fantasia – uma história do PCB/RN nos anos de 1980 é um romance reportagem que aborda a história do partidão no Rio Grande do Norte, trazendo fatos e histórias dos comunistas brasileiros e norte-rio-grandenses. O romance reportagem é a junção da subjetividade literária com a objetividade da apuração jornalística. Os jornalistas e autores, Bruno Rebouças e Roberta Maia, investiram nesse tipo de escrita para atrair o maior número de leitores possíveis, pois consideram que os brasileiros devam conhecer mais a própria história. “A obra é um passeio na história contemporânea do Brasil, em que os autores abordam, na tessitura do texto, as nuances do romance reportagem”, Manoel Pereira da Rocha Neto, professor Doutor da UnP e orientador do Trabalho de Conclusão de Curso.                            

O livro começa com a queda do muro de Berlim (1989) e volta no tempo para contar a história do PCB, saindo da revolução russa de 1917, à fundação do partido em 1922; passando pelo Levante Comunista de 1935, no qual, Natal foi a primeira cidade da América a ter um governo comunista, mesmo que de forma efêmera. O livro relata a abertura política, já na década de 1980; As Diretas Já (1984); A eleição de 1987; e após 29 anos a primeira eleição, com voto aberto, para Presidente da República, em 1989.                                    

A história é delineada pelo personagem central, Camilo Costa (ficção), que vivencia todos os fatos transcritos no livro de forma direta. O romance reportagem foi desenvolvido pelos autores, ainda na Universidade, como requisito de conclusão de curso, com nota máxima na apresentação. Esse estudo revela a ilusão, as alegrias e as frustrações vivenciadas pelo jovem Camilo. “Nota-se, do começo ao fim, sob a perspectiva da (des) ilusão do personagem Camilo, um olhar para o século XX e as ideias em torno do socialismo. De forma romântica, honesta e irônica, No Terreno da Fantasia deixa ao leitor um fragmento complexo da memória de um período e de suas ideias”, Gustavo Bittencourt, professor dos cursos de Comunicação Social da UnP e Mestre em Ciências Sociais.                                                                                 

Tipógrafo, Camilo trabalhava no jornal A República, quando os comunistas tomaram conta das instalações do prédio na Ribeira, confeccionando um jornal intitulado de ‘A Liberdade’. A partir daí o jovem, de então 15 anos, começa a se transformar em comunista, se filiando ao PCB em 1946, no fim do Estado Novo. Camilo tem como ídolo Luís Carlos Prestes e seu ‘amigo’ Luiz Maranhão. No Terreno da Fantasia é um resgate da história brasileira. Muito mais que fatos e histórias esquecidas, o romance resgata histórias de homens e mulheres que morreram, lutaram e foram torturadas pela inconsciência de outros homens. “Como escreveu o poeta Ferreira Gullar, o Partidão não se tornou o maior partido do ocidente, mas quem quiser contar a história do nosso povo terá de falar dele. No Terreno da Fantasia, uma pesquisa em forma de romance, traz um precioso e necessário resgate dessa história”, Cláudio de Oliveira, jornalista e chargista do jornal Agora São Paulo.                                                          

A pesquisa foi desenvolvida durante todo o ano de 2008. E seria impossível concluí-la sem os relevantes depoimentos de Hermano Paiva, Meri Medeiros, Cláudio de Oliveira, Wober Júnior e José Ferreira. Os arquivos do jornal Diário de Natal e dos jornais especializados Folha Popular e Voz da Unidade. Além de arquivos pessoais disponibilizados por Cláudio de Oliveira e Wober Júnior.                                                                                          

O livro termina na mudança de sigla do partido, em 1992, de PCB para PPS. Muito mais que um relato sobre o comunismo e a história do Partido Comunista Brasileiro, No Terreno da Fantasia é um resgate sobre a história brasileira, esquecida pela imprensa e pelos livros oficiais. Vale a pena conferir. O lançamento do livro será dia 5 de agosto, no espaço social do Natal Shopping, dentro da III Feira de Livros de Natal, promovido pela Siciliano. O valor do livro é R$ 20,00. Vale a pena conferir.


Em busca do reconhecimento

Julho 21, 2009

Movimento cria site para que Landell de Moura seja reconhecido como pioneiro das telecomunicações

O padre-cientista brasileiro Roberto Landell de Moura foi o pioneiro mundial das telecomunicações, mas perdeu a batalha de marketing para Guglielmo Marconi, que colou seu nome ao da invenção da radiodifusão. Erros históricos também podem ser reparados. É nisso que acredita o Movimento Landell de Moura (MLM), que acaba de colocar no ar um site – www.mlm.landelldemoura.qsl.br – a fim de angariar adesões a um abaixo-assinado, que pretende o reconhecimento dos feitos científicos do padre Landell, ao menos no Brasil. E que sua obra seja incluída no currículo escolar brasileiro.

Embora tenha inventado o rádio antes de Marconi, obtido patentes no Brasil e nos Estados Unidos, e projetado a televisão e o teletipo muitos anos antes do que diz a história oficial, padre Landell não foi reconhecido em seu tempo, e é quase desconhecido nos dias atuais. Nem em seu país teve ou tem o reconhecimento devido.

O site do Movimento Landell de Moura (MLM) pode ser acessado em quatro idiomas – português, inglês, espanhol e alemão – e contém dados e documentos relativos às invenções do Padre Landell, além da bibliografia existente e links para outros sites que relatam os feitos do cientista.

O abaixo-assinado é digital. O MLM não tem fins político-partidários, religiosos, financeiros ou de promoção pessoal. O intuito é sensibilizar o governo brasileiro para que seja reparada uma injustiça histórica cometida contra um genial inventor brasileiro. Um reconhecimento, aliás, que valoriza a ciência nacional. O MLM é uma iniciativa dos radioamadores Alda Niemeyer (PP5ASN) e Daniel Figueredo (PU6ESE), do jornalista e escritor Hamilton Almeida, e do professor de matemática e especialista em eletrônica industrial, Luiz Netto.

Senhores da LABRE e/ou associações e grupos de Radioamadores, Onzemetristas e Radio-escutas: enviamos em anexo um gif animado do movimento para que possam colocar em seus sites, ajudando assim a alcançar o objetivo acima descrito, como contribuição, estaremos colocando o link da LABRE que tenha colaborado conosco na divulgação do MLM na seção PARCEIROS DO SITE DO MLM.

MOVIMENTO MLM.


O Circo dos Vereadores

Julho 2, 2009

Enquanto vereadores discursam em plenário, na sala de imprensa jornalistas e assessores torcem. Batem palma, gritam e vaiam… É um espetáculo audiência na Câmara de Vereadores, em Natal.

por Bruno Rebouças [jornalista que viu e ouviu o que os vereadores e jornalistas fazem em plenário] 

Estava agitado o plenário da Câmara Municipal de Vereadores. No fim da tarde de 28.05, 13 vereadores, que a imprensa intitulou de ‘G-13’ haviam conseguido na noite de 27 de maio, quarta, antecipar a eleição para a mesa diretora da Câmara que se realizaria apenas em 2011. A verdadeira intenção, segundo rolava nos bastidores, era que os líderes do projeto, Júlio Protásio (PSB) e Edivan Martins (PV) queriam antecipar o resultado do inquérito da Operação Impacto*, na qual o juiz decidirá quem continua como réu ou não.

O fato concreto é que o ‘G-13’ bateu o recorde mundial de rapidez na votação de um projeto. É evidente que o projeto beneficia eles mesmos. O grupo conseguiu apresentar, votar e aprovar o projeto que adiantou a eleição, de 2011 para 2009, em menos de 24 horas.

Voltando. Estava tudo agitado na Câmara. Muitos jornalistas, assessores e civis lotaram o plenário da casa. Enquanto alguns vereadores discursavam sobre os agentes de saúde, todo mundo conversava sem dar à mínima. Logo começaram as discussões sobre a votação de logo mais. E de maneira arbitrária, Dicksson Nasser deu por encerrada a sessão, que até então, iria tratar do projeto sobre os Agentes de Saúde. Um grupo de seis vereadores correu em direção a mesa, lembrando que estavam escritos e, logo, a sessão não poderia ter fim sem eles serem consultados.

Enquanto isso, na sala de imprensa, os jornalistas e assessores trocavam informações, uns diziam que aquilo tinha sido manobra de Dicksson para que a população fosse embora. Coisa que realmente aconteceu. Outrora, alguns jornalistas acomunados com alguns assessores começaram a vaiar. Se eu estivesse com os olhos fechados, pensaria: ‘estou num estádio’.

Logo começou a gritaria e a algazarra.  A ‘ordem’ foi estabelecida, e a primeira a falar foi a vereadora sargento Regina, que desceu o cacete nos demais vereadores que foram para cima da mesa. Regina foi contra o projeto e manteve seu voto assim até o fim. A vereadora do PDT chamou os parlamentares de ‘urubus’ fato que levou a galera da sala da imprensa ao delírio.

Você torcedor que já foi a um estádio, sabe quando seu ídolo dribla um adversário tão bem, que até os outros torcedores elogiam? Foi assim que aconteceu. Mais pessoas da imprensa chegavam e mais tumulto se fazia. A imprensa estava em festa. Teve jornalista que olhou para mim e disse: ‘se Dicksson continuar na presidência, não piso mais aqui’. Pensei: torcedor.

Júlio Protásio, citado na fala de Regina pediu a palavra. E aí foi gol em final de copa do mundo. Muitos jornalistas presente torciam pelo G-13, alguns queriam fazer, apenas, seu trabalho e outros, aturdidos, olhavam. Eu, no caso. Júlio começou a falar e o silêncio, pela primeira e última vez imperou. Júlio atacou o deputado federal Rogério Marinho, que já foi duas vezes presidente da casa e elegeu seu sucessor, Dicksson Nasser.

Protásio acusou Rogério de tentar manipular a eleição, declarando que os vereadores contra a votação estavam esperando o deputado chegar de Brasília, para junto do procurador Alexandre Magno, cancelar a votação. Ao fim, Júlio declarou que a base do deputado Rogério Marinho, que inclui todos os vereadores contrários a eleição, queriam enganar a opinião pública. Golaço. Assessores e jornalistas aplaudiram o vereador acusado na operação impacto. Concluí duas coisas nesse instante.

Uma: quem fala muito alto, reclama, ameaça, quando ouve um grito se cala e fala baixo. Sargento Regina pediu a palavra novamente, todos esperavam uma resposta e ela declarou: ‘parabenizo o parlamento, por que nem todos têm coragem de dizer o que o vereador Júlio Protásio disse’.

Duas: quando os políticos são ofendidos e acusados, perdem o coro parlamentar, incham e ficam vermelhos de ódio. Isso não se repete para a defesa do cidadão, apenas, para a própria defesa e a do seu grupo.

Ranieri Barbosa ainda tentou voltar a falar sobre os agentes de saúde mais ninguém deu à mínima. Júlio Protásio saiu do plenário e levou metade dos ‘urubus’. A outra ficou na sala de imprensa que parece um curral. Enquanto o vereador Ranieri ganhava tempo, os vereadores conversavam, jornalistas falavam de futebol e assuntos afins. Uns batiam no vidro tentando falar com Edivan Martins, candidato único a presidente. O fato é que as conversas, os risos fluíam como se fossem numa mesa de bar. O vereador Maurício Gurgel, cara de menino e mentalidade de criança… Apenas ria e ajeitava o terno. E os outros conversavam…

A ELEIÇÃO EM SI FOI UMA FACHADA

A partir das 18 horas de 28.05, Edivan Martins foi eleito o novo presidente da Câmara dos Vereadores. Ele assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2011. A eleição foi uma fachada e todos já sabiam o resultado antes da mesma. Foram 17 votos a favor e um contra. Sargento Regina (PDT) manteve a postura e votou contra. Enildo Alves (PSB) e Dicksson Nasser (PSB) se retiraram da sessão, enquanto Luís Carlos (PMDB) absteve.

A mesa diretora será composta pelos vereadores, Edivan Martins (PV) – Presidente; Ney Lopes Júnior (DEM) - Primeiro vice-presidente; Julia Arruda (PSB) - Segundo vice-presidente; Maurício Gurgel (PHS) – Terceiro vice-presidente; Júlio Protásio (PSB) - Primeiro secretário; Albert Dickson (PP) - Segundo secretário; Adão Eridan (PR) - Terceiro secretário; Chagas Catarino (PP) – Quarto secretário.

A partir de janeiro de 2011, eles administrarão R$ 33 milhões anuais e poderão nomear 291 cargos comissionados num total de 586.

Por fim, a Câmara é uma fanfarronice. Assessores e jornalistas aplaudem, gritam e vaiam de acordo com o discurso ou vereador. Parece jogo de futebol. E, os profissionais da mídia são os torcedores… No curral, onde a imprensa fica, reina o barulho e a desordem.

 ***

*Operação Impacto:

Foi a operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. O objetivo é investigar supostas irregularidades na conduta de parlamentares no processo de votação das emendas do Plano Diretor de Natal. Cerca de R$ 94,4 mil foram apreendidos. Os vereadores foram acusados de corrupção passiva e ativa, e formação de quadrilha. As investigações tiveram por base denúncia de um suposto esquema de corrupção na Câmara Municipal de Natal feita pela procuradora do Município, Marise Costa à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. 

Com a autorização da quebra do sigilo telefônico de 16 dos 21 vereadores, o Ministério Público conseguiu interceptar diversas diálogos nos quais tratam da divisão do dinheiro relativo à propina acertada que levaram os promotores Afonso de Ligório, Giovanni Rosado e Alexandre Frazão a confirmar a existência “do grave esquema de corrupção”.


Robby Wood ao contrário

Julho 2, 2009

Deputados brasileiros custam o triplo de um deputado italiano e quase o dobro de um parlamentar francês… E é você quem paga a conta 

Bruno Rebouças [jornalista que a partir de 2008 só vota nulo] 

Toda criança já assistiu Alice no País das maravilhas. Eu também, embora odiasse aquela confusão do Coelho correndo e a menininha lorinha atrás, desesperada. O que eu nunca soube é que aquele país é o Brasil. Isso mesmo. Você já vai entender do que eu estou falando. 

Antônio Octávio Cintra, consultor Legislativo, PhD em Ciência Política pelo MIT; Ricardo Rodrigues, diretor da Consultoria Legislativa da Câmara, PhD em Ciência Política na New York University; e Francisco José Pompeu especialista em políticas públicas e gestão governamental, mestre em Economia pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madrid¹. Realizaram um estudo e fizeram um comparativo entre os custos dos deputados no Brasil e em outros países do mundo. A revelação é que lá em Brasília é uma verdadeira farra deliberada de dinheiro público.

 O fato é que, alguns deles, dizem não dar a mínima para a opinião pública. Outros acusam, nós da imprensa, de perseguição. O fato é que eu não sinto um mínimo de pena deles, e você deveria fazer o mesmo.

 OS DEPUTADOS NO PÁIS DAS MARAVILHAS

Pois bem, continuando o que disse mais a cima, você já irá entender a metáfora do texto com o desenho. Antes, eu estive em Brasília domingo, 17, foi muito rápido o tempo de uma conexão de vôo. Brasília é linda, bem estruturada, palácios belos e um céu tão lindo.

 Mas além disso, Brasília é o cenário brasileiro da falcatrua, dos acordos escusos, e como Luís Inácio falou em 1993, a casa dos 300 picaretas. Naquela época ainda eram 300, hoje são 513. Você pode se perguntar, e isso é uma dúvida freqüente para quem não dá a mínima para política, para que serve um deputado? Sem eles uma nação não é considerada democrática, pois sem os legisladores, que vão dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores o presidente seria o poder absoluto e tudo dependeria do seu bel prazer. Os deputados servem para elaborar leis, fiscalizar o poder Executivo (aquele que sanciona ou veta as leis, no caso, os prefeitos, os governadores e o presidente). E deveriam servir para estabelecer uma ligação entre o povo e o Executivo.

 Tudo isso na teoria. Claro.

 A minha resposta é que deputado só serve para gastar seu dinheiro. Para gastar verba à toa e para pagar passagem para modelos e atores globais como fez o deputado, para não dizer outra coisa, Fábio Faria. Além disso, eles não servem para nada. A tirar dos deputados do RN na Câmara Federal, Walter Alves que não faz nada e incrivelmente foi eleito em 2008 um dos melhores parlamentares do Brasil (não sei por quem); Felipe Maia, sua maior qualidade é ser filho do senador Agripino. E, estrelando, Henrique Alves que está no seu 11° mandato, ou seja, 44 anos e até hoje não trouxe um benefício ao Rio Grande do Norte. Têm outros, mas não vou citá-los, pois parece que eles batem ponto lá em Brasília.

 A incompetência desses e outros parlamentares é tamanha que em 2008 o Vale do Assú ficou embaixo d’agua e a verba que o Governo Federal enviou não foi suficiente para reconstruir a estrutura das cidades alagadas. Disseram em 2008 que não estávamos preparados, e que aquilo não aconteceria mais. Porém em 2009, a história se repete e mais de 10 mil desabrigados. E a frase continua: “o governo não liberou dinheiro suficiente”. Definitivamente a culpa é de São Pedro, só pode ser.

Pois bem, caro leitor. Enquanto eu e você somos enganados a todo instante, os politicos vão enriquecendo, ao nosso suor, e aprovando mais e mais projetos que só interessam a eles e aos seus grupos políticos.

 LADRÃO QUE AJUDA LADRÃO AINDA RECEBE CONCESSÃO

 A frase do sub-título é da música Luís Inácio (300 picaretas), do Paralamas do Sucesso. O que acontece é que 95% dos meios de comunicação, se não mais, estão nas mãos de políticos. Principalmente o veículo TV que atinge 99% dos lares brasileiros. Nesses veículos são publicadas notícias que só interessam aos seus coronéis. Alienação, mentiras e fatos sensacionais são veiculados para anestesiar o cidadão da realidade do país. Assim como as novelas.

Mas como eu disse no primeiro parágrafo, o Brasil é o país das maravilhas. Então vamos aos fatos. Um deputado na Itália custa aos cofres públicos, ou seja, aos contribuintes, no caso nós mesmos R$ 469 mil. Na França o valor é, um pouco, mais alto chegando a R$ 736 mil. Valores elevadíssimos, considerando que um deputado trabalha 6 horas por dia, e tem férias de três meses.

Essa quantia é relativa a salário, “e as chamadas verbas de representação, que cobrem as despesas relacionadas com o exercício do mandato” (Josias de Souza). Esses são valores anuais. No Reino Unido, onde há um padrão de vida elevado e condições sociais mínimas, como saúde, moradia e educação um deputado custa R$ 699 mil. Na Alemanha, o padrão já sobe. Mas, a Alemanha é um país desenvolvido com altos índices sociais. Um parlamentar está custando aos cofres públicos R$ 1,004 milhão de reais por ano.

Todos os países citados são exemplos de economia, produção, educação, saúde. Os valores são bem elevados e se você já ficou desconfortável na cadeira, se segure.

Um inábil deputado no Brasil vale: R$ 1,274 milhão por ano. Num país onde o trabalhador não tem como chegar ao trabalho de forma decente. Onde a educação pública é exdrúxula; Onde homens e mulheres de todas as idades morrem na fila dos hospitais. País esse que crianças pedem dinheiro no sinal e dormem na rua. Um país onde os dados oficiais declaram que 14,9 milhões² de pessoas são analfabetas, desconsiderando os semi-analfabetos (aqueles que só assinam o nome), e tantos outros milhões de analfabetos funcionais (sabem ler e escrever, mas não conseguem interpreter um texto). 

É nesse país que um deputado recebe um milhão duzentos e setenta e quatro mil reais. Um trabalhador que bate expediente das 7 as 19 horas, que é assaltado, assassinado por falta de segurança. O pai de família que vê seu filho morrer no corredor de um hospital esperando uma ficha para ser atendido precisaria, sem gastar com absolutamente nada, de 19 anos, ou 228 meses com o salário atual (R$ 465) para chegar a quantia exata de R$ 1,272 milhão de reais. Ou seja, uma vergonha. O que você que está lendo conquistará em 19 anos da sua vida, um deputado que não trabalha todos os dias, ganhará em 12 meses. 

Para complementar, um deputado brasileiro só não vale mais que um deputado norte-americano que custa ao Estado R$ 3.814 milhões por ano. 

ALICE SOMOS NÓS 

Por fim, declaro que o coelho que corre olhando sempre para o relógio não dando a mínima para Alice são os políticos, por que eles estão se lixando para opinião pública, para mim e para você. E a Alice que corre desesperada atrás do orelhudo somos nós, que não entendemos porque um país subdesenvolvido paga o maior imposto do planeta terra, em troca de nenhum benefício. 

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Tabela: Quanto vale um deputado em outros paíse?

EUA: até R$ 3.814 milhões por ano;

Brasil: até R$ R$ 1.274 milhão anuais;

Alemanha: R$ 1.004 milhão;

França: R$ 736 mil;

Grã-Bretanha: R$ 699 mil;

Chile: R$ 545 mil;

Itália: R$ 469 mil.

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¹Informações e dados retirados do blog Josias de Souza

²Unesco 2006.