[Por Bruno Rebouças, jornalista
Em 2007, fez 90 anos da revolução russa. Na praça vermelha, em Moscou, 150 mil pessoas se reuniram para comemorar a data. A Rússia foi transformada em União Soviética, em 1922, e o socialismo vingou até 1992. Desde lá, todas as pessoas, diziam que o comunismo nunca mais se faria na terra. Cuba permanece socialista até hoje, com ou sem Fidel. A China também, embora a forma econômica na terra dos dragões seja diferente. Uma economia mista, com forte presença do estado. Ambos já começam a abrir mais suas políticas. Cuba ainda vive o esmagador bloqueio econômico, mas tem índices sociais de fazer inveja a qualquer país desenvolvido. E a China se desenvolve e cresce mais que qualquer outro país no planeta.
Mais recentemente, saiu uma pesquisa publicada no jornal alemão, Der Spiegel, que 57% dos alemães orientais (os comunistas) preferiam viver na antiga república, a hoje em dia na Alemanha Unificada. A pesquisa revela vários aspectos, mas o principal, o que a maioria dos entrevistados disseram, foi em relação a solidariedade, igualdade e justiça que na atual Alemanha, ‘unificada’ e capitalista não existem. “No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje. Quero ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga
Alemanha Oriental”, relatou Schön um artesão que não revelou seu segundo nome.
O mundo vive uma crise econômico ferrenha, que não atinge tão em cheio o Brasil, devido a não termos uma grande economia mundial, de certa forma, sorte nossa. Com essa crise, alguns americanos, mais conservadores, já temem, mais uma vez, uma ascensão comunista pelo mundo, pois a falta de investimentos de países desenvolvidos gera a cada dia o desemprego. A alternativa para as injustiças sociais, sempre foi o socialismo, que visa o pleno emprego a todos, além dos cinco serviços básicos para o homem, viver e não sobreviver, como no Brasil. São elas educação, saúde, moradia, segurança e alimentação.
“Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu”. Além da pesquisa boca a boca, os entrevistados responderam perguntas por cartas, e essa citação é de uma delas. A pesquisa revelou, ainda, que os cidadãos da antiga Alemanha Oriental são injustiçados em relação aos antigos alemães ocidentais [capitalistas]. Os ‘ex-comunistas’, recebem piores salários e não tem tanta liberdade, quanto os capitalistas dizem que oferecem. “A RDA [República Democrática Alemã] tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje”, diz outro cidadão, numa carta.
O fato é que o mundo acha que os comunistas são agradecidos aos capitalistas pela ‘libertação’. E é totalmente ao contrário. Os países que viveram sobre a custódia do comunismo, tiveram seus problemas, sim, todos tem, porém, numa sociedade socialista o eu é secundária, e coisas fúteis, como assistir novela e comer em fastfood não tem tanta relevância. Você prefere que seu filho coma lagosta, e seja apenas um trabalhador simples, ou que ele não coma lagosta e seja um médico renomado?
O grande problema de países que vivem o capitalismo é esse. Achar que a nossa futilidade atinge países que tem projetos cidadãos concretizados voltados para o povo, e não para uma elite dominante.
A pesquisa faz questão de revela que não só foram entrevistados ‘velhos’ saudosistas, mas jovens que nasceram na Alemanha Oriental, como Birger, de 30 anos. “Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje. A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa. Com certeza, não acho que aqui é melhor”, se referindo a unificação da Alemanha, realizada em setembro de 1991.

Foto: Rogério Marques/foque.com.br
Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem seu antigo país. “A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá” (carta).
Por fim, o mundo pode até achar que o comunismo acabou, mas sem dúvida alguma, os comunistas estão bem vivos. Como dizia uma velha campanha de filiação do Partido Comunista Brasileiro [PCB], “Coração é vermelho e bate no lado esquerdo”.
[Citações retiradas da reportagem de Julia Bonstein, do jornal Der Spiegel; Tradução: Eloise De Vylder].
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