[Bruno Rebouças, jornalista
Podemos acreditar no que o governo diz?
As notícias são dadas todos os dias. Sempre que os programas de televisão atualizam os dados a preocupação toma conta dos cidadãos. As pessoas andam temerosas, no Rio Grande do Norte, não usamos mascaras, ainda. Embora, volta e meia encontramos pessoas passeando pela cidade com a máscara. O governo diz que não tem necessidade, mas como acreditar em pessoas que tratam a saúde e a educação brasileira com tanto desprezo? Talvez, devêssemos rezar como fazem os mais religiosos, para o vírus Influenza A não chegar a nossa casa e não atingir nenhum dos nossos.
Osmar Terra, secretário de saúde do Rio Grande do Sul, afirma que seu estado deve ter 12 mil casos da nova gripe. No estado de São Paulo, três das maiores Universidade cancelaram o início das aulas no segundo semestre. Universidade de São Paulo [USP], Universidade Estadual de Campinas [UNICAMP] e a Universidade Estadual Paulista [Unesp] resolveram seguir a orientação da Secretaria Estadual de Saúde do estado de São Paulo.
No Nordeste, a primeira vítima da gripe A foi em João Pessoa. O estudante de enfermagem Severino Galdino, 31, morreu e seu corpo não foi velado por medidas de segurança. Morreram outras pessoas, uma em Alagoas, outra em Salvador. Consta-se que todos por falta de atendimento, ou por negligencia mesmo. No RN, o último dado [27.07], afirmava que 23 casos haviam sido confirmados. Em 24 de agosto a secretaria de saúde confirmou a primeira morte, ocorrida em 15 de agosto.
No Brasil, os números dobraram em nove dias. Até o dia 31 de julho, eram 96 mortes devido a gripe. Em 11.08, o Ministério da Saúde divulgou que até o dia 9 de agosto, morreram 192 pessoas pela gripe. As secretarias estaduais de saúde, juntas, dizem que são 220 mortes. Em quem acreditar? José Gomes Temporão, ministro da Saúde, declarou que há uma defasagem entre as informações dada pelo ministério e pelas secretarias estaduais. Os casos chegam a 552 confirmados, até o dia 11 de agosto.
O ministro da saúde divulgou esses dados, na tribuna da Câmara dos Deputados, e foi duramente criticado pelos deputados, pois o Ministério da Saúde utilizou, apenas, 11 milhões dos 102 milhões destinados ao combate à doença. Isso o ministro Temporão não justificou.
Das 192 mortes, 28 foram de gestantes. Cento e sete contraíram a doença, mas foram curadas. O ministro garantiu que não faltará o medicamento, Tamiflu, para o tratamento da gripe A. Este mês, de agosto, serão distribuídos, 800 mil kits de tratamento para os estados e municípios do Brasil.
O último relatório da Organização Mundial de Saúde [OMS], divulgado dia 6 de julho, relata que no mundo inteiro foram registrados 94.512 casos da gripe A [H1N1], tendo 429 óbitos. Porém, não entram nas estatísticas as pessoas contaminadas que não apresentam sintomas ou as que têm apenas sintomas leves. Alguns especialistas criticam a OMS e garantem que esses dados não são tão confiáveis. Tini Garke, especialista do Imperial College de Londres, contesta os números da OMS. “As estatísticas sobre o número de casos e de óbitos ligados à gripe suína não são confiáveis, especialmente porque a maior parte das pessoas contaminadas não são computadas”, declara.
ENQUANTO ISSO NO RN
Aqui no Rio Grande do Norte, foi confirmada a primeira morte, ocorrida dia 15 de agosto. Conta-se que 23 casos foram confirmados [até 11.08]. Mas nossa equipe foi informada que alguns hospitais particulares não estão divulgando o verdadeiro número de casos, a pedido dos próprios pacientes.
Em 27 de julho aconteceu uma palestra no Instituto Maria Auxiliadora, com os diretores de escolas privadas de Natal. A Secretaria Estadual de Saúde [Sesap] esclareceu que essas palestras fazem parte das ações de prevenção e esclarecimento sobre a gripe A. As mesmas informações serão passadas as Secretarias Estadual e Municipal de educação, para esclarecer e prevenir os alunos da educação pública também.
Por fim, não só no Brasil, mas no mundo inteiro existe uma tentativa, talvez, de manipular números para não causar o caos. Porém, essa prática é totalmente perigosa, pois a maioria da população fica no meio termo e não encontra explicações suficientes.
Escrito por mediaalternativa
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