Micarla e o jeito patricinha mimada de administrar

Dezembro 2, 2009

Tullio Andrade – jornalista e escritor

www.verborragicos.com 

HOJE, 26 de novembro de 2009, deveríamos estar prestigiando a quarta edição do Encontro Natalense de Escritores (ENE), mas… Havia uma menina birrenta no meio do caminho!

Sob o argumento… Ou melhor. Que argumento? A Prefeita de Natal, Micarla de Sousa, mandou acabar com o evento. E, por isso, nomes como Marçal Aquino, Xico Sá e Marcelino Freire não estão hoje em Natal. Um ano de trabalho sério da Fundação Capitania das Artes (FUNCARTE) foi jogado fora sem nenhuma explicação justa.

Nada contra se reformular eventos em busca de melhorias etc. Mas fazer isso às vésperas e às pressas é um tanto imprudente. E o pior: não se dar nem ao trabalho de avisar aos convidados que o evento foi cancelado. Eles que fossem buscar na imprensa as informações… Para quem mora em Natal, até que é fácil saber esse tipo de notícia; pois tudo foi divulgado nos jornais – o que não justifica a falta de elegância de não se dar nem a menor satisfação aos convidados. Mas para quem mora em outros Estados?! Em conversa por e-mail com um dos autores que viriam para o ENE, ele me falou que não recebeu qualquer tipo de aviso… Isso a poucas semanas antes da data prevista para o evento. E diga-se de passagem, à essa época, a prefeitura já havia decretado a não realização dele. Então me pergunto como posso chamar esse tipo de atitude: Irresponsabilidade? Descaso? Ou birra de menina mimada?

Sinceramente estou tendencioso para a última opção; pois nenhum argumento (se é que há algum)  me convence de atitudes como estas. Depois de muito tentar contato com a FUNCARTE, finalmente soube que a ideia da prefeita é adiar o encontro para o mês e março de 2010, para ele “ressurgir” reformulado e com novo nome. Volto a dizer, nada contra se reformular o ENE para melhorá-lo. Mas está claro que a intenção da prefeitura não é essa. De fato, o que se vê é uma atitude infantil e irresponsável de uma menina mimada que quer desvincular qualquer iniciativa bem sucedida do nome da administração passada. É o velho jeito de fazer política, no qual se “reformula” as ações que vêm dando certo, as rebatiza e diz que é cria da nova administração. Mas só um aviso para aqueles que ainda pensam que política se faz assim: esse modelo arcaico e falacioso de administrar não funciona mais; pois a população não cai mais nessa.

Espero que realmente que essa “reformulação” de fato aconteça para melhorar o ENE (ou seja lá que nome ele venha a ter agora). Por enquanto, é pagar para ver. Mas atitudes como essa já dão indícios de como é que a nova administração trata a cultura. Com toda sinceridade, espero que a prefeita me prove que estou errado. E se isso acontecer, estarei na linha de frente defendendo suas ações e iniciativas… desde que elas sejam feitas de forma responsável e, principalmente, respeitando os artistas e a população.


Utilidade Pública

Dezembro 2, 2009

 [Bruno Rebouças, jornalista

Recebi essa carta por email e estou repassando. As organizações de saúde estão preocupadas com a gripe suína em relação ao carnatal. Já não há mais leito nos hospitais, em Natal e região, para atendimento de cidadãos com a dita gripe A.

Segue a carta da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia.

 

 

Caso você tenha contraído a doença, por favor, tenha consciência e não compareça a maior micareta do Brasil.

PS. Aperte CTRL + para aumentar a imagem e poder lê-la melhor.


O Muro caiu, mas a unificação não existe

Dezembro 1, 2009

 [Bruno Rebouças, jornalista e editor de O Coletivo e autor de No terreno da Fantasia

 

Nada além, nada além de uma ilusão”. Essas palavras soavam como profecia e tocavam o coração de um utópico com 69 anos de idade. Era madrugada do dia 9 de novembro de 1989, uma quinta-feira. Camilo não conseguira dormir; dali a horas o Muro de Berlim, ou da Vergonha, irá ruir. O fim estava próximo. O eixo soviético, que sempre deu as regras do mundo comunista, estava em crise. Países como Romênia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária e Polônia já se des­fizeram dos seus regimes ditatoriais. Na União Soviética, Gorbachev, eleito em 1985, começara a implantar reformas na economia estagnada. Um dos últimos redutos dos revolucionários era o tal muro. O partido está fragmentado, as ilusões perdidas. [...] Na TV, Sérgio Chapellin chama o repórter Ciro Bocanera, direto de Berlim, onde começa a maior transmissão da história da TV. [...] O primeiro guindaste se aproxima. Gente de todas as idades chegam perto do muro, onde anos antes seria impossível chegar. Pessoas que foram separadas pelo ódio ideológico, por um muro de 4 metros de altura por 162 km de extensão, estão prestes a se reencontrar. Vai começar a cair.         [...] A primeira pancada. Cai a primeira viga. O povo, que até então só observava, corre e começa a arrancar pedaços do muro da vergonha como podem. Ao vivo na TV, em cores, o cinegrafista dá um close em dois homens, um com barba e o outro sem; um com uma foice o outro com um martelo. Contradição. Reflete Camilo [...]. Trecho retirado do romance-reportagem No terreno da Fantasia – uma história do PCB/RN nos anos 1980*, de Bruno Rebouças e Roberta Maia.

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Dia 9 de novembro fez 20 anos da queda do muro de Berlim, fato que concretizou a vitória do capitalismo sobre o socialismo real. Fato comemorado pelos países do ocidente, embora tenha causado tristeza na ala da esquerda pelo mundo. Todos os jornais do Brasil praticamente publicaram o fato em suas páginas. Umas boas reportagens, outras ruins coladas de agências internacionais. Todas alardeando e pegando depoimentos de pessoas separadas pelo ódio ideológico. 

Verdade que sem o muro as coisas ficaram melhores, e que antes morreram muitas pessoas, nas tentativas de atravessar o muro da vergonha, como o ocidente costumava chamar. Está certo, também, que muitos que tentaram de forma legal, levaram não, ou conseguiram. Não é uma defesa, mas não podemos exagerar e manipular como fez toda a grande imprensa nesse dia tão especial para humanidade. Festas e comemorações marcaram os 20 anos da queda. Discurso ao pé dos restos do muro e insinuação da queda total em formato dominó fora realizado. Histórias marcantes e emocionantes contadas nas telas da televisão. 

O fato deve ser comemorado e nunca esquecido. O muro foi construído pela Alemanha Oriental para o país da cidade capitalista ocidental. Berlim Ocidental foi transformada numa vitrine do capitalismo, onde os táxis eram Mercedes Bens. Tudo para manipular e corromper a realidade, de um sistema ambíguo como o capital, que produz riquezas para mil, e é alimentado pela miséria de milhões. 

O muro foi construído em 1961, tinha 300 torres de vigilância e 162 km de extensão, muitos veículos de comunicação do RN publicaram, erroneamente, que seriam 155 km. Tinha 4,20m de altura, próximo ao portal de Brandemburgo, e em outras localidades era mais baixo. Estima-se que morreram 80 pessoas, identificadas; 112 ficaram feridas e milhares foram presas tentando atravessá-lo. Com a queda do muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, foi decretado o fim da guerra fria. Dali a três anos, em 1992, a União Soviética também seria extinta e o mundo voltaria a ser polarizado pelo capitalismo. O passo mais importante da queda do muro foi a dita unificação das Alemanhas. Tal fato aconteceu em 3 de outubro de 1990. 

UNIFICAÇÃO DE UM LADO

A unificação veio e a Alemanha, desde então, é uma só. Mas a imprensa não relatou uma pesquisa recente, que demonstra a desigualdade no tratamento entre os alemães ocidentais e os antigos orientais. A pesquisa foi publicada no jornal alemão Der Spiegel². Traduzida para o UOL. O Foque fez uma reportagem sobre tal pesquisa (leia a íntegra aqui) revelou que 57% dos alemães orientais (os comunistas) preferiam viver na antiga república, a hoje em dia na Alemanha Unificada.

A pesquisa revela vários aspectos, mas o principal, o que a maioria dos entrevistados disseram, foi em relação a solidariedade, igualdade e justiça que na atual Alemanha, ‘unificada’ e capitalista, não existem. “No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje. Quero ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga Alemanha Oriental”, relatou Schön um artesão que não revelou seu sobrenome.

“Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu”. Além da pesquisa boca a boca, os entrevistados responderam perguntas por cartas, e essa citação é de uma delas. A pesquisa revelou, ainda, que os cidadãos da antiga Alemanha Oriental são injustiçados em relação aos antigos alemães ocidentais [capitalistas]. Os ‘ex-comunistas’, recebem piores salários e não tem tanta liberdade, quanto os capitalistas dizem que oferecem. “A RDA [República Democrática Alemã] tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje”, diz outro cidadão numa carta.

A pesquisa faz questão de revelar que não só foram entrevistados ‘velhos’ saudosistas, mas jovens que nasceram na Alemanha Oriental, como Birger, de 30 anos. “Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje. A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa. Com certeza, não acho que aqui é melhor”, se referindo à unificação da Alemanha, em 1991.

Por fim, não faço defesa do muro, pelo contrário. A sua queda colocou fim numa era perigosa e de conflitos indiretos que poderiam ter acabado com o mundo, caso a guerra fria tivesse esquentado. Mas, é fato que a imprensa só publica o que lhe convém. Agendando e fazendo questão que a queda do muro seja uma glória do capitalismo e dos EUA, e entre em discussão em todas as esquinas, mesas de bares e rodas sociais novamente. Os pecados cometidos pelo mundo socialista e a censura do direito de ir e vir, não podem ser cometidos novamente. Mas a manipulação e defesa do capital pela mídia não podem passar batidos pelos jornalistas comprometidos com a história e a verdade.

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² Citações retiradas da reportagem de Julia Bonstein, do jornal Der Spiegel; Tradução: Eloise De Vylder].

Texto publicado no observatoriodaimprensa.com.br e no foque.com.br


Nunca na história desse mundo…

Outubro 1, 2009

Estudo do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (PMA) revela que 87 milhões de habitantes passaram a sofrer de fome, em 2009

[Bruno Rebouças, jornalista

 

Antes do mundo entrar em recessão, o homem nunca havia produzido tanta comida, carro, construção imobiliária e tantos outros produtos. Com a recessão, que assola grandes economias, mais miseráveis apareceram no mundo. No Brasil, o governo investe pesado na maior compra de votos a céu aberto da história, as bolsas assistencialistas. Bolsas que, realmente, ajudam famílias, porém, não formam novas mentes. Trotsky já havia dito que o Estado se resume na força. As bolsas assistencialistas não deixam de ser a força do Estado perante a população, refém ao presidente Lula e ao seu pseudo-governo dos trabalhadores, como bem disse, Manoel Moura Filho, do INSS-RN, que estava em greve de fome há 37 dias por ter tido, assim como todos os servidores do INSS, 84,32% do seu salário confiscado pelo governo.

No ano de 2009, uma pesquisa publicada em 16 de setembro, pelo Programa Mundial de Alimentação da ONU, revelou ao mundo um número assombroso. Apenas neste ano, 87 milhões de pessoas pelo mundo todo entraram na zona dos famintos, aqueles que não tem o que comer todos os dias; os que vivem abaixo da linha da miséria. Muitos que perderam seus empregos devido a mais uma crise do capitalismo, que gera muita riqueza... Para seus donos.

A pesquisa revela que no mundo atual, nunca se teve tanta gente passando fome. Estima-se que esse número é de 1,02 bilhão de habitantes. É quase o mesmo número da China, o país mais populoso da Terra. O estudo ainda diz que “em muitos países em desenvolvimento, os pobres não podem se dar ao luxo de comprar comida. Ao mesmo tempo, os infortúnios econômicos significam que muitos países ricos têm cortado o financiamento à assistência alimentar. É uma receita para o desastre”, diz o estudo do PMA, que ainda revela que a ajuda dos países ricos é a mais baixa em 20 anos.

O orçamento da PMA corresponde a 6,7 bilhões de dólares para combater a fome. Porém, em 2009, eles só receberam 30% desse valor [cerca de 1,8 bilhão], que só dá para tentar ajudar 108 milhões de habitantes. Ou seja, um bilhão, seiscentos e noventa e dois milhões de pessoas continuarão a passar fome. Mesmo que o Programa Mundial de Alimentação, recebesse os 6 bilhões anuais, não seriam suficientes para alimentar os cerca de 1 bilhão de famintos. Seria necessários mais 3 bilhões de dólares, somando 9 bilhões. Vale ressaltar que essa quantia não acabaria com a fome no mundo, mas sim, proporcionaria uma alimentação diária, apenas. Um dos entrevistados na pesquisa, um geólogo de 34 anos, contou que na República Democrática do Congo (ex-Zaire), a fome impõe escolhas radicais para as famílias. “Em algumas famílias, se o pai e dois filhos comem hoje, amanhã ficam sem se alimentar para dar lugar à mulher e às outras crianças. Não existe comida para todos”, alertou.

Por fim, enquanto famílias pelo mundo afora fazem rodízio para quem come, Obama investe, em empresas falidas, 700 bilhões de dólares e Lula empresta 10 bilhões ao FMI. O Brasil gastou 3 bilhões de reais nos jogos Panamericanos. Só para a candidatura do Rio, para sede das Olimpíadas de 2016, já foram gastos 180 milhões. Ou seja, 1 milhão para cada habitante do Brasil, até 2002. Se for escolhida sede de 2016, em 2 de outubro, o orçamento será de 38 bilhões de dólares. Para 2014, só no projeto de Natal, será gasto, com toda a estrutura, 1,2 bilhão de reais. Dinheiro mais que suficiente para exterminar a fome no mundo.


Recordes e mais recordes

Setembro 22, 2009

 [Bruno Rebouças, jornalista

 

O Rio Grande de Norte está orgulhoso. Orgulhoso de ser sede de uma Copa do Mundo que será realizada apenas em 2014, da qual, quase todos nós veremos os jogos pela televisão, assim como fizemos toda nossa vida. Digo isso porque, fazendo uma comparação simples, em 2006, na Copa da Alemanha, um ingresso custava mil euros. Convertendo para reais, nossa singela moeda, dá incríveis três mil reais. Ou seja, cinco vezes e meio a mais que o seu salário mínimo de R$ 465.

Enquanto todos os políticos fanfarrões posam na foto, abraçados querendo herdar o projeto de sediar a copa, o caos da saúde aumenta a cada dia, agora com o possível fechamento da pediatria do hospital Santa Catariana, na Zona Norte. Enquanto milhões serão gastos num estádio de nome, horroroso, Arena das Dunas; tem gente morrendo na fila do hospital. Pessoas, como você, que depende de ônibus sendo assaltado e vivendo do medo.

Enquanto uma comitiva da prefeitura viaja para Portugal com o seu dinheiro, você economiza no café da manhã para poder jantar; enquanto eles, os donos do poder não dão a mínima para as necessidades básicas da sociedade, que é garantido na Constituição de 1988, saúde, moradia, emprego, segurança e alimentação. Você escolhe se come ou se deixa seu filho comer.

Enquanto políticos negociam o apoio do presidente Lula para seus candidatos a prefeitura de Natal e não o fazem para conseguir verba para o desenvolvimento do estado ou para dar suporte as enchentes no Vale do Assú, seu salário é levado por bandidos nos quatro cantos da cidade. Enquanto o senador Agripino e o eterno e inútil deputado federal Henrique Alves negociam com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, Natal como sede, a filha de algum homem, trabalhador, é estuprada num terreno baldio.

Enquanto a governadora decide quem apóia ao governo em 2010, a grande imprensa omite a maioria dos fatos. No RN, de cada cinco pessoas, uma é analfabeta. O RN da copa de 2014 é o 5º estado com a maior média de analfabetos do Brasil. A média brasileira é de 19,4%, o que já um absurdo. A média do RN está em 20,74% o que é mais absurdo ainda para um estado que tem 2 milhões de habitantes.

Em julho, saiu uma pesquisa feita pelo IBGE que dizia que o RN era o 6º estado do Brasil com mais crianças analfabetas. Agora somos o 5º estado com a maior média de analfabetos do Brasil. E ninguém interpela a prefeita ou a governadora sobre isso. Essa omissão da imprensa é de fazer vergonha, mas eles cumprem seus papéis, que é manipular e iludir a realidade dá população.

Os saudosistas não podem dizem quer é incapacidade das crianças ou dos adultos. É insensibilidade dos políticos. Porque insensibilidade e não inutilidade? Porque os políticos, esses grupos que tomam contam do poder, fazem tudo proposital. A falta de educação, o não direito a informação perpetua mais e mais analfabetos. Os bolsas famílias da vida acomodam mais e mais pessoas, que são refém do estado. Por isso insensibilidade e não inutilidade.

A causa deles é legitima e proposital. Quanto mais pobre, mas explorados. Quanto mais mendigos, mais assistência. Mais assistência, mais voto. Mais voto, mais poder e dinheiro para os políticos. O Brasil bate recordes e recordes de fatores negativos, desemprego, desigualdade, fome, injustiça. O RN segue o mesmo caminho, já que nossos políticos não servem para outra coisa a não ser ganhar nosso dinheiro e gastá-lo com coisas que nós, simples mortais, nunca gastaremos um dia.

Por fim, não se trata da incapacidade dos analfabetos. Eles são frutos da má qualidade das escolas, dos professores e do sistema de ensino. Trata-se da insensibilidade nata dos governantes, que se negam a valorizar os educadores e a estruturar uma escola pública de qualidade. Governo vai e vem e o futuro se perde na falta de perspectiva para 54 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Falta querer acabar com o exército de miseráveis existente em nosso país, e que começa a se formar em nosso estado.


Carta aberta para Renato Aragão, o Didi.

Setembro 9, 2009

Recebi essa carta por email e não poderia deixar de publica-la. Não sei quem é a autora. Como muita gente recebeu, e eu concordo plenamente com o conteúdo da carta escrita por Eliane Sinhasique, estou a publicar.

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Por: Eliane Sinhasique

  Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências)…

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por ‘algum’ motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?

Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é ‘o cara’. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece…

No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da ‘minha’ doação, que a ‘minha’ doação faz toda a diferença… Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias…

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar.Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando… Eliane Sinhasique – Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS? MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) DIVULGUEM ESSA REVOLTA…. Isto deveria chegar a Brasilia…


‘Quem está na linha é Deus’

Setembro 1, 2009

Bruno Rebouças, jornalista.

Dizer que Raul Seixas é o maluco beleza é um clichê tachado e envelhecido. Uma mesmice que Raul odiava. Justificando que o sonho do careta é a realidade do maluco. Há vinte um anos morreu a criatividade, a inovação. Não somente um homem chamado Raul Santos Seixas, nascido em Salvador, aos 28 de junho de 1945. Diferentemente dos arranjos de duas notas da maioria dos músicos baianos, Raul inovou a música brasileira.

Formado em Psicologia, queria ser literário, mas não pôde. Criticou como poucos a sociedade brasileira e suas futilidades. Criticou a bossa nova, da qual nunca foi bem-vindo e muitos menos adepto. Morreu dentro de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar. E ela chegou, em 21 de agosto de 1989. Não votou para presidente, mas votar pra presidente é um quesito mínimo numa democracia.

Raul, com certeza, foi se encontrar com os moços dos discos voadores, que tanto deixaram ele na terra, enquanto, Raul, sabia das estrelas que haviam pelo espaço.

Raul se foi há 21 anos, e eu tenho dois a mais que isso. Não vi. Mas ouço. E ouço algo encantador. Nada de letras monossilábicas do forró, ou do axé baiano. Ouço letras sociais, críticas e reveladoras. Letras engraçadas, como as que compõem o título. Deus ligando para a terra e perguntando onde errou. A canção se chama DDI [Discagem direta interestelar]. Raul diz por Deus:

Alô, aqui é do céu. Quem tá na linha é Deus. Tô vendo tudo esquisito O que que há com vocês? [...] o diabo diz que vai baixar de uma vez por aí. Eu fiz vocês como eu, imagem e perfeição. E vocês anarquizando a minha reputação. Não é só novena, terço e oração [...].

O melhor disso tudo é que a razão daquele que é, dizem, louco é muito clara. Os que creem em Deus o interpretam como alguém bondoso com eles, e maléfico com os que não creem. Logo, não anarquizem Deus.

DDI foi censurada, mas em sites com letras de músicas é possível encontrar o trecho: convidado a sair. Parece que Raul fez a canção para os escândalos da política brasileira atual. Deus declara: Eu não compreendo tanta reclamação, se dei igual pra todo mundo, tem gente aí metendo a mão…”. O trecho a seguir aborda a destruição da terra e do espaço. Tão acabando com a Terra… que era somente sua. Agora já tão querendo se mudar pra lua [...].

Para Raul a mesmice é o erro dos normais. Frases simples, ditas aos acordes da guitarra do astro, amigo de composição do outrora excelente Paulo Coelho, que virou um autor meia boca e vende milhões de livros para leitores meia boca. Desculpe, mas é o que eu acho. Paulo Coelho se considera, no mais puro equívoco, o maior intelectual da nossa história.

Voltando a Raul. O astro era contra a mesmice, e avisa claramente nessa frase, marcante:

Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez

Personalidade forte, Seixas foi preso e torturado em 1973, já na parceria com Coelho. Exilou-se nos Estados Unidos, país da qual era extremamente fã. Nesse mesmo ano compôs Ouro de Tolo, canção autobiográfica e que criticava a ditadura militar e o seu milagre econômico. O ouro de tolo é considerado o maior sucesso de Raul Seixas. Nessa canção a futilidade da vida é posta a prova, novamente, e Raul dá um tapa na cara da sociedade carioca e brasileira quando diz:

é você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota. Saber que é humano ridículo, limitado, que só usa dez por cento, de sua cabeça animal… E você ainda acredita, que é um doutor, padre ou policial; que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social….

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Não deixa de ser.

Compôs tantas músicas que se fosse citá-las não caberia nessa página. Raul compôs, estima-se, mais de 260 canções em inglês e portugues, divididas em 21 álbuns. Músicas de grande sucesso, que para os fãs não precisam ser nomeadas. Admiro muito a letra de S.O.S, que fala da falta de pensamento e visão de uma sociedade que não tem mais tempo para pensar.

Hoje é domingo, missa e praia, céu de anil.

Não existe mais clichê que domingo, segundo Raulzito.

Eu sou egoísta, além de ser divertida, é irônica e, acima de tudo, verdadeira. “Eu sou estrela no abismo do espaço. O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço. Onde eu tô não há bicho-papão. Eu vou sempre avante no nada infinito, flamejando meu rock, o meu grito. Minha espada é a guitarra na mão.

Outra música de Raul censurada pela ditadura militar foi descoberta pelo amigo e produtor Marco Mazzol, que gravou a original com Raul. A música foi regravada com a voz de Raul e novos arranjos musicais, graças a tecnologia [ver aqui]. Mazzola declarou que Raul era um careta nato. Falava inglês fluentemente. Mas o astro tinha a necessidade de ser diferente, de mudar. Necessidade de criar a tão sonhada Sociedade Alternativa. Mudar a mesmice da vida, da sociedade, dos pensamentos. Necessidade de tentar achar resposta para tudo. Foi sobre isso que falou em sua carreira. Ele pensava numa mudança de postura.

Em Eu também vou reclamar, ele aborda tudo já dito nesse texto, principalmente a ociosidade e reclamação da classe média, dos filhos da burguesia. Retrata ainda a falta de opção nos jornais, na televisão e suas ninharias.

[...] Tô trancado aqui no quarto, de pijama, porque tem visita estranha na sala. Aí eu pego e passo a vista no jornal… Ligo o rádio e ouço um chato que me grita nos ouvidos: Pare o mundo, que eu quero descer. Falam em nuvens passageiras, mandam ver qualquer besteira e eu não tenho nada prá escolher… Ao meu lado um dicionário, cheio de palavras que eu sei que nunca vou usar.

Considero Raul o melhor e maior músico e compositor desse país. Pela originalidade, pela crítica, coragem. Pela lucidez exagerada que nós, normais, não conseguimos enxergar. Raul compôs músicas nas décadas de 1960, 1970 e 1980, mas todas elas serviriam muito bem para o nosso momento atual. Tanto na política, nos escândalos, na falta de identidade de uma sociedade e sua futilidade marcante. Quanto na falta de inteligência e sensibilidade de homens e mulheres que regem esse país. Nesse momento, mais que em qualquer outro, devemos dizer: parem o mundo que eu quero descer.

Raul deixou o seu legado, que não pode ser esquecido. Nosso dever, como fãs, jornalistas, historiadores, é manter a memória desse gênio viva. Raul morreu, mas fica seus pensamentos e composições. Como ele mesmo disse:

Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida”.


Casos e descasos com a saúde brasileira

Agosto 25, 2009

[Bruno Rebouças, jornalista

Podemos acreditar no que o governo diz?

As notícias são dadas todos os dias. Sempre que os programas de televisão atualizam os dados a preocupação toma conta dos cidadãos. As pessoas andam temerosas, no Rio Grande do Norte, não usamos mascaras, ainda. Embora, volta e meia encontramos pessoas passeando pela cidade com a máscara. O governo diz que não tem necessidade, mas como acreditar em pessoas que tratam a saúde e a educação brasileira com tanto desprezo? Talvez, devêssemos rezar como fazem os mais religiosos, para o vírus Influenza A não chegar a nossa casa e não atingir nenhum dos nossos.

Osmar Terra, secretário de saúde do Rio Grande do Sul, afirma que seu estado deve ter 12 mil casos da nova gripe. No estado de São Paulo, três das maiores Universidade cancelaram o início das aulas no segundo semestre. Universidade de São Paulo [USP], Universidade Estadual de Campinas [UNICAMP] e a Universidade Estadual Paulista [Unesp] resolveram seguir a orientação da Secretaria Estadual de Saúde do estado de São Paulo.

No Nordeste, a primeira vítima da gripe A foi em João Pessoa. O estudante de enfermagem Severino Galdino, 31, morreu e seu corpo não foi velado por medidas de segurança. Morreram outras pessoas, uma em Alagoas, outra em Salvador. Consta-se que todos por falta de atendimento, ou por negligencia mesmo. No RN, o último dado [27.07], afirmava que 23 casos haviam sido confirmados. Em 24 de agosto a secretaria de saúde confirmou a primeira morte, ocorrida em 15 de agosto.

No Brasil, os números dobraram em nove dias. Até o dia 31 de julho, eram 96 mortes devido a gripe. Em 11.08, o Ministério da Saúde divulgou que até o dia 9 de agosto, morreram 192 pessoas pela gripe. As secretarias estaduais de saúde, juntas, dizem que são 220 mortes. Em quem acreditar? José Gomes Temporão, ministro da Saúde, declarou que há uma defasagem entre as informações dada pelo ministério e pelas secretarias estaduais. Os casos chegam a 552 confirmados, até o dia 11 de agosto.

O ministro da saúde divulgou esses dados, na tribuna da Câmara dos Deputados, e foi duramente criticado pelos deputados, pois o Ministério da Saúde utilizou, apenas, 11 milhões dos 102 milhões destinados ao combate à doença. Isso o ministro Temporão não justificou.

Das 192 mortes, 28 foram de gestantes. Cento e sete contraíram a doença, mas foram curadas. O ministro garantiu que não faltará o medicamento, Tamiflu, para o tratamento da gripe A. Este mês, de agosto, serão distribuídos, 800 mil kits de tratamento para os estados e municípios do Brasil.

O último relatório da Organização Mundial de Saúde [OMS], divulgado dia 6 de julho, relata que no mundo inteiro foram registrados 94.512 casos da gripe A [H1N1], tendo 429 óbitos. Porém, não entram nas estatísticas as pessoas contaminadas que não apresentam sintomas ou as que têm apenas sintomas leves. Alguns especialistas criticam a OMS e garantem que esses dados não são tão confiáveis. Tini Garke, especialista do Imperial College de Londres, contesta os números da OMS. “As estatísticas sobre o número de casos e de óbitos ligados à gripe suína não são confiáveis, especialmente porque a maior parte das pessoas contaminadas não são computadas”, declara.

ENQUANTO ISSO NO RN

Aqui no Rio Grande do Norte, foi confirmada a primeira morte, ocorrida dia 15 de agosto. Conta-se que 23 casos foram confirmados [até 11.08]. Mas nossa equipe foi informada que alguns hospitais particulares não estão divulgando o verdadeiro número de casos, a pedido dos próprios pacientes.

Em 27 de julho aconteceu uma palestra no Instituto Maria Auxiliadora, com os diretores de escolas privadas de Natal. A Secretaria Estadual de Saúde [Sesap] esclareceu que essas palestras fazem parte das ações de prevenção e esclarecimento sobre a gripe A. As mesmas informações serão passadas as Secretarias Estadual e Municipal de educação, para esclarecer e prevenir os alunos da educação pública também.

Por fim, não só no Brasil, mas no mundo inteiro existe uma tentativa, talvez, de manipular números para não causar o caos. Porém, essa prática é totalmente perigosa, pois a maioria da população fica no meio termo e não encontra explicações suficientes.


O comunismo pode ter acabado, mas os comunistas vivem

Julho 28, 2009

[Por Bruno Rebouças, jornalista

Em 2007, fez 90 anos da revolução russa. Na praça vermelha, em Moscou, 150 mil pessoas se reuniram para comemorar a data. A Rússia foi transformada em União Soviética, em 1922, e o socialismo vingou até 1992. Desde lá, todas as pessoas, diziam que o comunismo nunca mais se faria na terra. Cuba permanece socialista até hoje, com ou sem Fidel. A China também, embora a forma econômica na terra dos dragões seja diferente. Uma economia mista, com forte presença do estado. Ambos já começam a abrir mais suas políticas. Cuba ainda vive o esmagador bloqueio econômico, mas tem índices sociais de fazer inveja a qualquer país desenvolvido. E a China se desenvolve e cresce mais que qualquer outro país no planeta.

Mais recentemente, saiu uma pesquisa publicada no jornal alemão, Der Spiegel, que 57% dos alemães orientais (os comunistas) preferiam viver na antiga república, a hoje em dia na Alemanha Unificada. A pesquisa revela vários aspectos, mas o principal, o que a maioria dos entrevistados disseram, foi em relação a solidariedade, igualdade e justiça que na atual Alemanha, ‘unificada’ e capitalista não existem. “No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje. Quero ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga
Alemanha Oriental”, relatou Schön um artesão que não revelou seu segundo nome.

O mundo vive uma crise econômico ferrenha, que não atinge tão em cheio o Brasil, devido a não termos uma grande economia mundial, de certa forma, sorte nossa. Com essa crise, alguns americanos, mais conservadores, já temem, mais uma vez, uma ascensão comunista pelo mundo, pois a falta de investimentos de países desenvolvidos gera a cada dia o desemprego. A alternativa para as injustiças sociais, sempre foi o socialismo, que visa o pleno emprego a todos, além dos cinco serviços básicos para o homem, viver e não sobreviver, como no Brasil. São elas educação, saúde, moradia, segurança e alimentação.

“Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu”. Além da pesquisa boca a boca, os entrevistados responderam perguntas por cartas, e essa citação é de uma delas. A pesquisa revelou, ainda, que os cidadãos da antiga Alemanha Oriental são injustiçados em relação aos antigos alemães ocidentais [capitalistas]. Os ‘ex-comunistas’, recebem piores salários e não tem tanta liberdade, quanto os capitalistas dizem que oferecem. “A RDA [República Democrática Alemã] tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje”, diz outro cidadão, numa carta.

O fato é que o mundo acha que os comunistas são agradecidos aos capitalistas pela ‘libertação’. E é totalmente ao contrário. Os países que viveram sobre a custódia do comunismo, tiveram seus problemas, sim, todos tem, porém, numa sociedade socialista o eu é secundária, e coisas fúteis, como assistir novela e comer em fastfood não tem tanta relevância. Você prefere que seu filho coma lagosta, e seja apenas um trabalhador simples, ou que ele não coma lagosta e seja um médico renomado?

O grande problema de países que vivem o capitalismo é esse. Achar que a nossa futilidade atinge países que tem projetos cidadãos concretizados voltados para o povo, e não para uma elite dominante.

A pesquisa faz questão de revela que não só foram entrevistados ‘velhos’ saudosistas, mas jovens que nasceram na Alemanha Oriental, como Birger, de 30 anos. “Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje. A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa. Com certeza, não acho que aqui é melhor”, se referindo a unificação da Alemanha, realizada em setembro de 1991.

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Foto: Rogério Marques/foque.com.br

Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem seu antigo país. “A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá” (carta).

Por fim, o mundo pode até achar que o comunismo acabou, mas sem dúvida alguma, os comunistas estão bem vivos. Como dizia uma velha campanha de filiação do Partido Comunista Brasileiro [PCB], “Coração é vermelho e bate no lado esquerdo”.

 

[Citações retiradas da reportagem de Julia Bonstein, do jornal Der Spiegel; Tradução: Eloise De Vylder].


O Circo dos Vereadores

Julho 2, 2009

Enquanto vereadores discursam em plenário, na sala de imprensa jornalistas e assessores torcem. Batem palma, gritam e vaiam… É um espetáculo audiência na Câmara de Vereadores, em Natal.

por Bruno Rebouças [jornalista que viu e ouviu o que os vereadores e jornalistas fazem em plenário] 

Estava agitado o plenário da Câmara Municipal de Vereadores. No fim da tarde de 28.05, 13 vereadores, que a imprensa intitulou de ‘G-13’ haviam conseguido na noite de 27 de maio, quarta, antecipar a eleição para a mesa diretora da Câmara que se realizaria apenas em 2011. A verdadeira intenção, segundo rolava nos bastidores, era que os líderes do projeto, Júlio Protásio (PSB) e Edivan Martins (PV) queriam antecipar o resultado do inquérito da Operação Impacto*, na qual o juiz decidirá quem continua como réu ou não.

O fato concreto é que o ‘G-13’ bateu o recorde mundial de rapidez na votação de um projeto. É evidente que o projeto beneficia eles mesmos. O grupo conseguiu apresentar, votar e aprovar o projeto que adiantou a eleição, de 2011 para 2009, em menos de 24 horas.

Voltando. Estava tudo agitado na Câmara. Muitos jornalistas, assessores e civis lotaram o plenário da casa. Enquanto alguns vereadores discursavam sobre os agentes de saúde, todo mundo conversava sem dar à mínima. Logo começaram as discussões sobre a votação de logo mais. E de maneira arbitrária, Dicksson Nasser deu por encerrada a sessão, que até então, iria tratar do projeto sobre os Agentes de Saúde. Um grupo de seis vereadores correu em direção a mesa, lembrando que estavam escritos e, logo, a sessão não poderia ter fim sem eles serem consultados.

Enquanto isso, na sala de imprensa, os jornalistas e assessores trocavam informações, uns diziam que aquilo tinha sido manobra de Dicksson para que a população fosse embora. Coisa que realmente aconteceu. Outrora, alguns jornalistas acomunados com alguns assessores começaram a vaiar. Se eu estivesse com os olhos fechados, pensaria: ‘estou num estádio’.

Logo começou a gritaria e a algazarra.  A ‘ordem’ foi estabelecida, e a primeira a falar foi a vereadora sargento Regina, que desceu o cacete nos demais vereadores que foram para cima da mesa. Regina foi contra o projeto e manteve seu voto assim até o fim. A vereadora do PDT chamou os parlamentares de ‘urubus’ fato que levou a galera da sala da imprensa ao delírio.

Você torcedor que já foi a um estádio, sabe quando seu ídolo dribla um adversário tão bem, que até os outros torcedores elogiam? Foi assim que aconteceu. Mais pessoas da imprensa chegavam e mais tumulto se fazia. A imprensa estava em festa. Teve jornalista que olhou para mim e disse: ‘se Dicksson continuar na presidência, não piso mais aqui’. Pensei: torcedor.

Júlio Protásio, citado na fala de Regina pediu a palavra. E aí foi gol em final de copa do mundo. Muitos jornalistas presente torciam pelo G-13, alguns queriam fazer, apenas, seu trabalho e outros, aturdidos, olhavam. Eu, no caso. Júlio começou a falar e o silêncio, pela primeira e última vez imperou. Júlio atacou o deputado federal Rogério Marinho, que já foi duas vezes presidente da casa e elegeu seu sucessor, Dicksson Nasser.

Protásio acusou Rogério de tentar manipular a eleição, declarando que os vereadores contra a votação estavam esperando o deputado chegar de Brasília, para junto do procurador Alexandre Magno, cancelar a votação. Ao fim, Júlio declarou que a base do deputado Rogério Marinho, que inclui todos os vereadores contrários a eleição, queriam enganar a opinião pública. Golaço. Assessores e jornalistas aplaudiram o vereador acusado na operação impacto. Concluí duas coisas nesse instante.

Uma: quem fala muito alto, reclama, ameaça, quando ouve um grito se cala e fala baixo. Sargento Regina pediu a palavra novamente, todos esperavam uma resposta e ela declarou: ‘parabenizo o parlamento, por que nem todos têm coragem de dizer o que o vereador Júlio Protásio disse’.

Duas: quando os políticos são ofendidos e acusados, perdem o coro parlamentar, incham e ficam vermelhos de ódio. Isso não se repete para a defesa do cidadão, apenas, para a própria defesa e a do seu grupo.

Ranieri Barbosa ainda tentou voltar a falar sobre os agentes de saúde mais ninguém deu à mínima. Júlio Protásio saiu do plenário e levou metade dos ‘urubus’. A outra ficou na sala de imprensa que parece um curral. Enquanto o vereador Ranieri ganhava tempo, os vereadores conversavam, jornalistas falavam de futebol e assuntos afins. Uns batiam no vidro tentando falar com Edivan Martins, candidato único a presidente. O fato é que as conversas, os risos fluíam como se fossem numa mesa de bar. O vereador Maurício Gurgel, cara de menino e mentalidade de criança… Apenas ria e ajeitava o terno. E os outros conversavam…

A ELEIÇÃO EM SI FOI UMA FACHADA

A partir das 18 horas de 28.05, Edivan Martins foi eleito o novo presidente da Câmara dos Vereadores. Ele assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2011. A eleição foi uma fachada e todos já sabiam o resultado antes da mesma. Foram 17 votos a favor e um contra. Sargento Regina (PDT) manteve a postura e votou contra. Enildo Alves (PSB) e Dicksson Nasser (PSB) se retiraram da sessão, enquanto Luís Carlos (PMDB) absteve.

A mesa diretora será composta pelos vereadores, Edivan Martins (PV) – Presidente; Ney Lopes Júnior (DEM) - Primeiro vice-presidente; Julia Arruda (PSB) - Segundo vice-presidente; Maurício Gurgel (PHS) – Terceiro vice-presidente; Júlio Protásio (PSB) - Primeiro secretário; Albert Dickson (PP) - Segundo secretário; Adão Eridan (PR) - Terceiro secretário; Chagas Catarino (PP) – Quarto secretário.

A partir de janeiro de 2011, eles administrarão R$ 33 milhões anuais e poderão nomear 291 cargos comissionados num total de 586.

Por fim, a Câmara é uma fanfarronice. Assessores e jornalistas aplaudem, gritam e vaiam de acordo com o discurso ou vereador. Parece jogo de futebol. E, os profissionais da mídia são os torcedores… No curral, onde a imprensa fica, reina o barulho e a desordem.

 ***

*Operação Impacto:

Foi a operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. O objetivo é investigar supostas irregularidades na conduta de parlamentares no processo de votação das emendas do Plano Diretor de Natal. Cerca de R$ 94,4 mil foram apreendidos. Os vereadores foram acusados de corrupção passiva e ativa, e formação de quadrilha. As investigações tiveram por base denúncia de um suposto esquema de corrupção na Câmara Municipal de Natal feita pela procuradora do Município, Marise Costa à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. 

Com a autorização da quebra do sigilo telefônico de 16 dos 21 vereadores, o Ministério Público conseguiu interceptar diversas diálogos nos quais tratam da divisão do dinheiro relativo à propina acertada que levaram os promotores Afonso de Ligório, Giovanni Rosado e Alexandre Frazão a confirmar a existência “do grave esquema de corrupção”.