Nunca na história desse mundo…

Outubro 1, 2009

Estudo do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (PMA) revela que 87 milhões de habitantes passaram a sofrer de fome, em 2009

[Bruno Rebouças, jornalista

 

Antes do mundo entrar em recessão, o homem nunca havia produzido tanta comida, carro, construção imobiliária e tantos outros produtos. Com a recessão, que assola grandes economias, mais miseráveis apareceram no mundo. No Brasil, o governo investe pesado na maior compra de votos a céu aberto da história, as bolsas assistencialistas. Bolsas que, realmente, ajudam famílias, porém, não formam novas mentes. Trotsky já havia dito que o Estado se resume na força. As bolsas assistencialistas não deixam de ser a força do Estado perante a população, refém ao presidente Lula e ao seu pseudo-governo dos trabalhadores, como bem disse, Manoel Moura Filho, do INSS-RN, que estava em greve de fome há 37 dias por ter tido, assim como todos os servidores do INSS, 84,32% do seu salário confiscado pelo governo.

No ano de 2009, uma pesquisa publicada em 16 de setembro, pelo Programa Mundial de Alimentação da ONU, revelou ao mundo um número assombroso. Apenas neste ano, 87 milhões de pessoas pelo mundo todo entraram na zona dos famintos, aqueles que não tem o que comer todos os dias; os que vivem abaixo da linha da miséria. Muitos que perderam seus empregos devido a mais uma crise do capitalismo, que gera muita riqueza... Para seus donos.

A pesquisa revela que no mundo atual, nunca se teve tanta gente passando fome. Estima-se que esse número é de 1,02 bilhão de habitantes. É quase o mesmo número da China, o país mais populoso da Terra. O estudo ainda diz que “em muitos países em desenvolvimento, os pobres não podem se dar ao luxo de comprar comida. Ao mesmo tempo, os infortúnios econômicos significam que muitos países ricos têm cortado o financiamento à assistência alimentar. É uma receita para o desastre”, diz o estudo do PMA, que ainda revela que a ajuda dos países ricos é a mais baixa em 20 anos.

O orçamento da PMA corresponde a 6,7 bilhões de dólares para combater a fome. Porém, em 2009, eles só receberam 30% desse valor [cerca de 1,8 bilhão], que só dá para tentar ajudar 108 milhões de habitantes. Ou seja, um bilhão, seiscentos e noventa e dois milhões de pessoas continuarão a passar fome. Mesmo que o Programa Mundial de Alimentação, recebesse os 6 bilhões anuais, não seriam suficientes para alimentar os cerca de 1 bilhão de famintos. Seria necessários mais 3 bilhões de dólares, somando 9 bilhões. Vale ressaltar que essa quantia não acabaria com a fome no mundo, mas sim, proporcionaria uma alimentação diária, apenas. Um dos entrevistados na pesquisa, um geólogo de 34 anos, contou que na República Democrática do Congo (ex-Zaire), a fome impõe escolhas radicais para as famílias. “Em algumas famílias, se o pai e dois filhos comem hoje, amanhã ficam sem se alimentar para dar lugar à mulher e às outras crianças. Não existe comida para todos”, alertou.

Por fim, enquanto famílias pelo mundo afora fazem rodízio para quem come, Obama investe, em empresas falidas, 700 bilhões de dólares e Lula empresta 10 bilhões ao FMI. O Brasil gastou 3 bilhões de reais nos jogos Panamericanos. Só para a candidatura do Rio, para sede das Olimpíadas de 2016, já foram gastos 180 milhões. Ou seja, 1 milhão para cada habitante do Brasil, até 2002. Se for escolhida sede de 2016, em 2 de outubro, o orçamento será de 38 bilhões de dólares. Para 2014, só no projeto de Natal, será gasto, com toda a estrutura, 1,2 bilhão de reais. Dinheiro mais que suficiente para exterminar a fome no mundo.


Recordes e mais recordes

Setembro 22, 2009

 [Bruno Rebouças, jornalista

 

O Rio Grande de Norte está orgulhoso. Orgulhoso de ser sede de uma Copa do Mundo que será realizada apenas em 2014, da qual, quase todos nós veremos os jogos pela televisão, assim como fizemos toda nossa vida. Digo isso porque, fazendo uma comparação simples, em 2006, na Copa da Alemanha, um ingresso custava mil euros. Convertendo para reais, nossa singela moeda, dá incríveis três mil reais. Ou seja, cinco vezes e meio a mais que o seu salário mínimo de R$ 465.

Enquanto todos os políticos fanfarrões posam na foto, abraçados querendo herdar o projeto de sediar a copa, o caos da saúde aumenta a cada dia, agora com o possível fechamento da pediatria do hospital Santa Catariana, na Zona Norte. Enquanto milhões serão gastos num estádio de nome, horroroso, Arena das Dunas; tem gente morrendo na fila do hospital. Pessoas, como você, que depende de ônibus sendo assaltado e vivendo do medo.

Enquanto uma comitiva da prefeitura viaja para Portugal com o seu dinheiro, você economiza no café da manhã para poder jantar; enquanto eles, os donos do poder não dão a mínima para as necessidades básicas da sociedade, que é garantido na Constituição de 1988, saúde, moradia, emprego, segurança e alimentação. Você escolhe se come ou se deixa seu filho comer.

Enquanto políticos negociam o apoio do presidente Lula para seus candidatos a prefeitura de Natal e não o fazem para conseguir verba para o desenvolvimento do estado ou para dar suporte as enchentes no Vale do Assú, seu salário é levado por bandidos nos quatro cantos da cidade. Enquanto o senador Agripino e o eterno e inútil deputado federal Henrique Alves negociam com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, Natal como sede, a filha de algum homem, trabalhador, é estuprada num terreno baldio.

Enquanto a governadora decide quem apóia ao governo em 2010, a grande imprensa omite a maioria dos fatos. No RN, de cada cinco pessoas, uma é analfabeta. O RN da copa de 2014 é o 5º estado com a maior média de analfabetos do Brasil. A média brasileira é de 19,4%, o que já um absurdo. A média do RN está em 20,74% o que é mais absurdo ainda para um estado que tem 2 milhões de habitantes.

Em julho, saiu uma pesquisa feita pelo IBGE que dizia que o RN era o 6º estado do Brasil com mais crianças analfabetas. Agora somos o 5º estado com a maior média de analfabetos do Brasil. E ninguém interpela a prefeita ou a governadora sobre isso. Essa omissão da imprensa é de fazer vergonha, mas eles cumprem seus papéis, que é manipular e iludir a realidade dá população.

Os saudosistas não podem dizem quer é incapacidade das crianças ou dos adultos. É insensibilidade dos políticos. Porque insensibilidade e não inutilidade? Porque os políticos, esses grupos que tomam contam do poder, fazem tudo proposital. A falta de educação, o não direito a informação perpetua mais e mais analfabetos. Os bolsas famílias da vida acomodam mais e mais pessoas, que são refém do estado. Por isso insensibilidade e não inutilidade.

A causa deles é legitima e proposital. Quanto mais pobre, mas explorados. Quanto mais mendigos, mais assistência. Mais assistência, mais voto. Mais voto, mais poder e dinheiro para os políticos. O Brasil bate recordes e recordes de fatores negativos, desemprego, desigualdade, fome, injustiça. O RN segue o mesmo caminho, já que nossos políticos não servem para outra coisa a não ser ganhar nosso dinheiro e gastá-lo com coisas que nós, simples mortais, nunca gastaremos um dia.

Por fim, não se trata da incapacidade dos analfabetos. Eles são frutos da má qualidade das escolas, dos professores e do sistema de ensino. Trata-se da insensibilidade nata dos governantes, que se negam a valorizar os educadores e a estruturar uma escola pública de qualidade. Governo vai e vem e o futuro se perde na falta de perspectiva para 54 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Falta querer acabar com o exército de miseráveis existente em nosso país, e que começa a se formar em nosso estado.


Carta aberta para Renato Aragão, o Didi.

Setembro 9, 2009

Recebi essa carta por email e não poderia deixar de publica-la. Não sei quem é a autora. Como muita gente recebeu, e eu concordo plenamente com o conteúdo da carta escrita por Eliane Sinhasique, estou a publicar.

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Por: Eliane Sinhasique

  Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências)…

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por ‘algum’ motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?

Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é ‘o cara’. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece…

No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da ‘minha’ doação, que a ‘minha’ doação faz toda a diferença… Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias…

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar.Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando… Eliane Sinhasique – Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS? MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) DIVULGUEM ESSA REVOLTA…. Isto deveria chegar a Brasilia…


‘Quem está na linha é Deus’

Setembro 1, 2009

Bruno Rebouças, jornalista.

Dizer que Raul Seixas é o maluco beleza é um clichê tachado e envelhecido. Uma mesmice que Raul odiava. Justificando que o sonho do careta é a realidade do maluco. Há vinte um anos morreu a criatividade, a inovação. Não somente um homem chamado Raul Santos Seixas, nascido em Salvador, aos 28 de junho de 1945. Diferentemente dos arranjos de duas notas da maioria dos músicos baianos, Raul inovou a música brasileira.

Formado em Psicologia, queria ser literário, mas não pôde. Criticou como poucos a sociedade brasileira e suas futilidades. Criticou a bossa nova, da qual nunca foi bem-vindo e muitos menos adepto. Morreu dentro de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar. E ela chegou, em 21 de agosto de 1989. Não votou para presidente, mas votar pra presidente é um quesito mínimo numa democracia.

Raul, com certeza, foi se encontrar com os moços dos discos voadores, que tanto deixaram ele na terra, enquanto, Raul, sabia das estrelas que haviam pelo espaço.

Raul se foi há 21 anos, e eu tenho dois a mais que isso. Não vi. Mas ouço. E ouço algo encantador. Nada de letras monossilábicas do forró, ou do axé baiano. Ouço letras sociais, críticas e reveladoras. Letras engraçadas, como as que compõem o título. Deus ligando para a terra e perguntando onde errou. A canção se chama DDI [Discagem direta interestelar]. Raul diz por Deus:

Alô, aqui é do céu. Quem tá na linha é Deus. Tô vendo tudo esquisito O que que há com vocês? [...] o diabo diz que vai baixar de uma vez por aí. Eu fiz vocês como eu, imagem e perfeição. E vocês anarquizando a minha reputação. Não é só novena, terço e oração [...].

O melhor disso tudo é que a razão daquele que é, dizem, louco é muito clara. Os que creem em Deus o interpretam como alguém bondoso com eles, e maléfico com os que não creem. Logo, não anarquizem Deus.

DDI foi censurada, mas em sites com letras de músicas é possível encontrar o trecho: convidado a sair. Parece que Raul fez a canção para os escândalos da política brasileira atual. Deus declara: Eu não compreendo tanta reclamação, se dei igual pra todo mundo, tem gente aí metendo a mão…”. O trecho a seguir aborda a destruição da terra e do espaço. Tão acabando com a Terra… que era somente sua. Agora já tão querendo se mudar pra lua [...].

Para Raul a mesmice é o erro dos normais. Frases simples, ditas aos acordes da guitarra do astro, amigo de composição do outrora excelente Paulo Coelho, que virou um autor meia boca e vende milhões de livros para leitores meia boca. Desculpe, mas é o que eu acho. Paulo Coelho se considera, no mais puro equívoco, o maior intelectual da nossa história.

Voltando a Raul. O astro era contra a mesmice, e avisa claramente nessa frase, marcante:

Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez

Personalidade forte, Seixas foi preso e torturado em 1973, já na parceria com Coelho. Exilou-se nos Estados Unidos, país da qual era extremamente fã. Nesse mesmo ano compôs Ouro de Tolo, canção autobiográfica e que criticava a ditadura militar e o seu milagre econômico. O ouro de tolo é considerado o maior sucesso de Raul Seixas. Nessa canção a futilidade da vida é posta a prova, novamente, e Raul dá um tapa na cara da sociedade carioca e brasileira quando diz:

é você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota. Saber que é humano ridículo, limitado, que só usa dez por cento, de sua cabeça animal… E você ainda acredita, que é um doutor, padre ou policial; que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social….

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Não deixa de ser.

Compôs tantas músicas que se fosse citá-las não caberia nessa página. Raul compôs, estima-se, mais de 260 canções em inglês e portugues, divididas em 21 álbuns. Músicas de grande sucesso, que para os fãs não precisam ser nomeadas. Admiro muito a letra de S.O.S, que fala da falta de pensamento e visão de uma sociedade que não tem mais tempo para pensar.

Hoje é domingo, missa e praia, céu de anil.

Não existe mais clichê que domingo, segundo Raulzito.

Eu sou egoísta, além de ser divertida, é irônica e, acima de tudo, verdadeira. “Eu sou estrela no abismo do espaço. O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço. Onde eu tô não há bicho-papão. Eu vou sempre avante no nada infinito, flamejando meu rock, o meu grito. Minha espada é a guitarra na mão.

Outra música de Raul censurada pela ditadura militar foi descoberta pelo amigo e produtor Marco Mazzol, que gravou a original com Raul. A música foi regravada com a voz de Raul e novos arranjos musicais, graças a tecnologia [ver aqui]. Mazzola declarou que Raul era um careta nato. Falava inglês fluentemente. Mas o astro tinha a necessidade de ser diferente, de mudar. Necessidade de criar a tão sonhada Sociedade Alternativa. Mudar a mesmice da vida, da sociedade, dos pensamentos. Necessidade de tentar achar resposta para tudo. Foi sobre isso que falou em sua carreira. Ele pensava numa mudança de postura.

Em Eu também vou reclamar, ele aborda tudo já dito nesse texto, principalmente a ociosidade e reclamação da classe média, dos filhos da burguesia. Retrata ainda a falta de opção nos jornais, na televisão e suas ninharias.

[...] Tô trancado aqui no quarto, de pijama, porque tem visita estranha na sala. Aí eu pego e passo a vista no jornal… Ligo o rádio e ouço um chato que me grita nos ouvidos: Pare o mundo, que eu quero descer. Falam em nuvens passageiras, mandam ver qualquer besteira e eu não tenho nada prá escolher… Ao meu lado um dicionário, cheio de palavras que eu sei que nunca vou usar.

Considero Raul o melhor e maior músico e compositor desse país. Pela originalidade, pela crítica, coragem. Pela lucidez exagerada que nós, normais, não conseguimos enxergar. Raul compôs músicas nas décadas de 1960, 1970 e 1980, mas todas elas serviriam muito bem para o nosso momento atual. Tanto na política, nos escândalos, na falta de identidade de uma sociedade e sua futilidade marcante. Quanto na falta de inteligência e sensibilidade de homens e mulheres que regem esse país. Nesse momento, mais que em qualquer outro, devemos dizer: parem o mundo que eu quero descer.

Raul deixou o seu legado, que não pode ser esquecido. Nosso dever, como fãs, jornalistas, historiadores, é manter a memória desse gênio viva. Raul morreu, mas fica seus pensamentos e composições. Como ele mesmo disse:

Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida”.


Casos e descasos com a saúde brasileira

Agosto 25, 2009

[Bruno Rebouças, jornalista

Podemos acreditar no que o governo diz?

As notícias são dadas todos os dias. Sempre que os programas de televisão atualizam os dados a preocupação toma conta dos cidadãos. As pessoas andam temerosas, no Rio Grande do Norte, não usamos mascaras, ainda. Embora, volta e meia encontramos pessoas passeando pela cidade com a máscara. O governo diz que não tem necessidade, mas como acreditar em pessoas que tratam a saúde e a educação brasileira com tanto desprezo? Talvez, devêssemos rezar como fazem os mais religiosos, para o vírus Influenza A não chegar a nossa casa e não atingir nenhum dos nossos.

Osmar Terra, secretário de saúde do Rio Grande do Sul, afirma que seu estado deve ter 12 mil casos da nova gripe. No estado de São Paulo, três das maiores Universidade cancelaram o início das aulas no segundo semestre. Universidade de São Paulo [USP], Universidade Estadual de Campinas [UNICAMP] e a Universidade Estadual Paulista [Unesp] resolveram seguir a orientação da Secretaria Estadual de Saúde do estado de São Paulo.

No Nordeste, a primeira vítima da gripe A foi em João Pessoa. O estudante de enfermagem Severino Galdino, 31, morreu e seu corpo não foi velado por medidas de segurança. Morreram outras pessoas, uma em Alagoas, outra em Salvador. Consta-se que todos por falta de atendimento, ou por negligencia mesmo. No RN, o último dado [27.07], afirmava que 23 casos haviam sido confirmados. Em 24 de agosto a secretaria de saúde confirmou a primeira morte, ocorrida em 15 de agosto.

No Brasil, os números dobraram em nove dias. Até o dia 31 de julho, eram 96 mortes devido a gripe. Em 11.08, o Ministério da Saúde divulgou que até o dia 9 de agosto, morreram 192 pessoas pela gripe. As secretarias estaduais de saúde, juntas, dizem que são 220 mortes. Em quem acreditar? José Gomes Temporão, ministro da Saúde, declarou que há uma defasagem entre as informações dada pelo ministério e pelas secretarias estaduais. Os casos chegam a 552 confirmados, até o dia 11 de agosto.

O ministro da saúde divulgou esses dados, na tribuna da Câmara dos Deputados, e foi duramente criticado pelos deputados, pois o Ministério da Saúde utilizou, apenas, 11 milhões dos 102 milhões destinados ao combate à doença. Isso o ministro Temporão não justificou.

Das 192 mortes, 28 foram de gestantes. Cento e sete contraíram a doença, mas foram curadas. O ministro garantiu que não faltará o medicamento, Tamiflu, para o tratamento da gripe A. Este mês, de agosto, serão distribuídos, 800 mil kits de tratamento para os estados e municípios do Brasil.

O último relatório da Organização Mundial de Saúde [OMS], divulgado dia 6 de julho, relata que no mundo inteiro foram registrados 94.512 casos da gripe A [H1N1], tendo 429 óbitos. Porém, não entram nas estatísticas as pessoas contaminadas que não apresentam sintomas ou as que têm apenas sintomas leves. Alguns especialistas criticam a OMS e garantem que esses dados não são tão confiáveis. Tini Garke, especialista do Imperial College de Londres, contesta os números da OMS. “As estatísticas sobre o número de casos e de óbitos ligados à gripe suína não são confiáveis, especialmente porque a maior parte das pessoas contaminadas não são computadas”, declara.

ENQUANTO ISSO NO RN

Aqui no Rio Grande do Norte, foi confirmada a primeira morte, ocorrida dia 15 de agosto. Conta-se que 23 casos foram confirmados [até 11.08]. Mas nossa equipe foi informada que alguns hospitais particulares não estão divulgando o verdadeiro número de casos, a pedido dos próprios pacientes.

Em 27 de julho aconteceu uma palestra no Instituto Maria Auxiliadora, com os diretores de escolas privadas de Natal. A Secretaria Estadual de Saúde [Sesap] esclareceu que essas palestras fazem parte das ações de prevenção e esclarecimento sobre a gripe A. As mesmas informações serão passadas as Secretarias Estadual e Municipal de educação, para esclarecer e prevenir os alunos da educação pública também.

Por fim, não só no Brasil, mas no mundo inteiro existe uma tentativa, talvez, de manipular números para não causar o caos. Porém, essa prática é totalmente perigosa, pois a maioria da população fica no meio termo e não encontra explicações suficientes.


O comunismo pode ter acabado, mas os comunistas vivem

Julho 28, 2009

[Por Bruno Rebouças, jornalista

Em 2007, fez 90 anos da revolução russa. Na praça vermelha, em Moscou, 150 mil pessoas se reuniram para comemorar a data. A Rússia foi transformada em União Soviética, em 1922, e o socialismo vingou até 1992. Desde lá, todas as pessoas, diziam que o comunismo nunca mais se faria na terra. Cuba permanece socialista até hoje, com ou sem Fidel. A China também, embora a forma econômica na terra dos dragões seja diferente. Uma economia mista, com forte presença do estado. Ambos já começam a abrir mais suas políticas. Cuba ainda vive o esmagador bloqueio econômico, mas tem índices sociais de fazer inveja a qualquer país desenvolvido. E a China se desenvolve e cresce mais que qualquer outro país no planeta.

Mais recentemente, saiu uma pesquisa publicada no jornal alemão, Der Spiegel, que 57% dos alemães orientais (os comunistas) preferiam viver na antiga república, a hoje em dia na Alemanha Unificada. A pesquisa revela vários aspectos, mas o principal, o que a maioria dos entrevistados disseram, foi em relação a solidariedade, igualdade e justiça que na atual Alemanha, ‘unificada’ e capitalista não existem. “No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje. Quero ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga
Alemanha Oriental”, relatou Schön um artesão que não revelou seu segundo nome.

O mundo vive uma crise econômico ferrenha, que não atinge tão em cheio o Brasil, devido a não termos uma grande economia mundial, de certa forma, sorte nossa. Com essa crise, alguns americanos, mais conservadores, já temem, mais uma vez, uma ascensão comunista pelo mundo, pois a falta de investimentos de países desenvolvidos gera a cada dia o desemprego. A alternativa para as injustiças sociais, sempre foi o socialismo, que visa o pleno emprego a todos, além dos cinco serviços básicos para o homem, viver e não sobreviver, como no Brasil. São elas educação, saúde, moradia, segurança e alimentação.

“Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu”. Além da pesquisa boca a boca, os entrevistados responderam perguntas por cartas, e essa citação é de uma delas. A pesquisa revelou, ainda, que os cidadãos da antiga Alemanha Oriental são injustiçados em relação aos antigos alemães ocidentais [capitalistas]. Os ‘ex-comunistas’, recebem piores salários e não tem tanta liberdade, quanto os capitalistas dizem que oferecem. “A RDA [República Democrática Alemã] tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje”, diz outro cidadão, numa carta.

O fato é que o mundo acha que os comunistas são agradecidos aos capitalistas pela ‘libertação’. E é totalmente ao contrário. Os países que viveram sobre a custódia do comunismo, tiveram seus problemas, sim, todos tem, porém, numa sociedade socialista o eu é secundária, e coisas fúteis, como assistir novela e comer em fastfood não tem tanta relevância. Você prefere que seu filho coma lagosta, e seja apenas um trabalhador simples, ou que ele não coma lagosta e seja um médico renomado?

O grande problema de países que vivem o capitalismo é esse. Achar que a nossa futilidade atinge países que tem projetos cidadãos concretizados voltados para o povo, e não para uma elite dominante.

A pesquisa faz questão de revela que não só foram entrevistados ‘velhos’ saudosistas, mas jovens que nasceram na Alemanha Oriental, como Birger, de 30 anos. “Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje. A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa. Com certeza, não acho que aqui é melhor”, se referindo a unificação da Alemanha, realizada em setembro de 1991.

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Foto: Rogério Marques/foque.com.br

Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, 57%, ou a maioria absoluta, de alemães orientais defendem seu antigo país. “A RDA tinha mais pontos positivos do que negativos. Havia alguns problemas, mas a vida era boa lá” (carta).

Por fim, o mundo pode até achar que o comunismo acabou, mas sem dúvida alguma, os comunistas estão bem vivos. Como dizia uma velha campanha de filiação do Partido Comunista Brasileiro [PCB], “Coração é vermelho e bate no lado esquerdo”.

 

[Citações retiradas da reportagem de Julia Bonstein, do jornal Der Spiegel; Tradução: Eloise De Vylder].


O Circo dos Vereadores

Julho 2, 2009

Enquanto vereadores discursam em plenário, na sala de imprensa jornalistas e assessores torcem. Batem palma, gritam e vaiam… É um espetáculo audiência na Câmara de Vereadores, em Natal.

por Bruno Rebouças [jornalista que viu e ouviu o que os vereadores e jornalistas fazem em plenário] 

Estava agitado o plenário da Câmara Municipal de Vereadores. No fim da tarde de 28.05, 13 vereadores, que a imprensa intitulou de ‘G-13’ haviam conseguido na noite de 27 de maio, quarta, antecipar a eleição para a mesa diretora da Câmara que se realizaria apenas em 2011. A verdadeira intenção, segundo rolava nos bastidores, era que os líderes do projeto, Júlio Protásio (PSB) e Edivan Martins (PV) queriam antecipar o resultado do inquérito da Operação Impacto*, na qual o juiz decidirá quem continua como réu ou não.

O fato concreto é que o ‘G-13’ bateu o recorde mundial de rapidez na votação de um projeto. É evidente que o projeto beneficia eles mesmos. O grupo conseguiu apresentar, votar e aprovar o projeto que adiantou a eleição, de 2011 para 2009, em menos de 24 horas.

Voltando. Estava tudo agitado na Câmara. Muitos jornalistas, assessores e civis lotaram o plenário da casa. Enquanto alguns vereadores discursavam sobre os agentes de saúde, todo mundo conversava sem dar à mínima. Logo começaram as discussões sobre a votação de logo mais. E de maneira arbitrária, Dicksson Nasser deu por encerrada a sessão, que até então, iria tratar do projeto sobre os Agentes de Saúde. Um grupo de seis vereadores correu em direção a mesa, lembrando que estavam escritos e, logo, a sessão não poderia ter fim sem eles serem consultados.

Enquanto isso, na sala de imprensa, os jornalistas e assessores trocavam informações, uns diziam que aquilo tinha sido manobra de Dicksson para que a população fosse embora. Coisa que realmente aconteceu. Outrora, alguns jornalistas acomunados com alguns assessores começaram a vaiar. Se eu estivesse com os olhos fechados, pensaria: ‘estou num estádio’.

Logo começou a gritaria e a algazarra.  A ‘ordem’ foi estabelecida, e a primeira a falar foi a vereadora sargento Regina, que desceu o cacete nos demais vereadores que foram para cima da mesa. Regina foi contra o projeto e manteve seu voto assim até o fim. A vereadora do PDT chamou os parlamentares de ‘urubus’ fato que levou a galera da sala da imprensa ao delírio.

Você torcedor que já foi a um estádio, sabe quando seu ídolo dribla um adversário tão bem, que até os outros torcedores elogiam? Foi assim que aconteceu. Mais pessoas da imprensa chegavam e mais tumulto se fazia. A imprensa estava em festa. Teve jornalista que olhou para mim e disse: ‘se Dicksson continuar na presidência, não piso mais aqui’. Pensei: torcedor.

Júlio Protásio, citado na fala de Regina pediu a palavra. E aí foi gol em final de copa do mundo. Muitos jornalistas presente torciam pelo G-13, alguns queriam fazer, apenas, seu trabalho e outros, aturdidos, olhavam. Eu, no caso. Júlio começou a falar e o silêncio, pela primeira e última vez imperou. Júlio atacou o deputado federal Rogério Marinho, que já foi duas vezes presidente da casa e elegeu seu sucessor, Dicksson Nasser.

Protásio acusou Rogério de tentar manipular a eleição, declarando que os vereadores contra a votação estavam esperando o deputado chegar de Brasília, para junto do procurador Alexandre Magno, cancelar a votação. Ao fim, Júlio declarou que a base do deputado Rogério Marinho, que inclui todos os vereadores contrários a eleição, queriam enganar a opinião pública. Golaço. Assessores e jornalistas aplaudiram o vereador acusado na operação impacto. Concluí duas coisas nesse instante.

Uma: quem fala muito alto, reclama, ameaça, quando ouve um grito se cala e fala baixo. Sargento Regina pediu a palavra novamente, todos esperavam uma resposta e ela declarou: ‘parabenizo o parlamento, por que nem todos têm coragem de dizer o que o vereador Júlio Protásio disse’.

Duas: quando os políticos são ofendidos e acusados, perdem o coro parlamentar, incham e ficam vermelhos de ódio. Isso não se repete para a defesa do cidadão, apenas, para a própria defesa e a do seu grupo.

Ranieri Barbosa ainda tentou voltar a falar sobre os agentes de saúde mais ninguém deu à mínima. Júlio Protásio saiu do plenário e levou metade dos ‘urubus’. A outra ficou na sala de imprensa que parece um curral. Enquanto o vereador Ranieri ganhava tempo, os vereadores conversavam, jornalistas falavam de futebol e assuntos afins. Uns batiam no vidro tentando falar com Edivan Martins, candidato único a presidente. O fato é que as conversas, os risos fluíam como se fossem numa mesa de bar. O vereador Maurício Gurgel, cara de menino e mentalidade de criança… Apenas ria e ajeitava o terno. E os outros conversavam…

A ELEIÇÃO EM SI FOI UMA FACHADA

A partir das 18 horas de 28.05, Edivan Martins foi eleito o novo presidente da Câmara dos Vereadores. Ele assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2011. A eleição foi uma fachada e todos já sabiam o resultado antes da mesma. Foram 17 votos a favor e um contra. Sargento Regina (PDT) manteve a postura e votou contra. Enildo Alves (PSB) e Dicksson Nasser (PSB) se retiraram da sessão, enquanto Luís Carlos (PMDB) absteve.

A mesa diretora será composta pelos vereadores, Edivan Martins (PV) – Presidente; Ney Lopes Júnior (DEM) - Primeiro vice-presidente; Julia Arruda (PSB) - Segundo vice-presidente; Maurício Gurgel (PHS) – Terceiro vice-presidente; Júlio Protásio (PSB) - Primeiro secretário; Albert Dickson (PP) - Segundo secretário; Adão Eridan (PR) - Terceiro secretário; Chagas Catarino (PP) – Quarto secretário.

A partir de janeiro de 2011, eles administrarão R$ 33 milhões anuais e poderão nomear 291 cargos comissionados num total de 586.

Por fim, a Câmara é uma fanfarronice. Assessores e jornalistas aplaudem, gritam e vaiam de acordo com o discurso ou vereador. Parece jogo de futebol. E, os profissionais da mídia são os torcedores… No curral, onde a imprensa fica, reina o barulho e a desordem.

 ***

*Operação Impacto:

Foi a operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. O objetivo é investigar supostas irregularidades na conduta de parlamentares no processo de votação das emendas do Plano Diretor de Natal. Cerca de R$ 94,4 mil foram apreendidos. Os vereadores foram acusados de corrupção passiva e ativa, e formação de quadrilha. As investigações tiveram por base denúncia de um suposto esquema de corrupção na Câmara Municipal de Natal feita pela procuradora do Município, Marise Costa à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. 

Com a autorização da quebra do sigilo telefônico de 16 dos 21 vereadores, o Ministério Público conseguiu interceptar diversas diálogos nos quais tratam da divisão do dinheiro relativo à propina acertada que levaram os promotores Afonso de Ligório, Giovanni Rosado e Alexandre Frazão a confirmar a existência “do grave esquema de corrupção”.


Robby Wood ao contrário

Julho 2, 2009

Deputados brasileiros custam o triplo de um deputado italiano e quase o dobro de um parlamentar francês… E é você quem paga a conta 

Bruno Rebouças [jornalista que a partir de 2008 só vota nulo] 

Toda criança já assistiu Alice no País das maravilhas. Eu também, embora odiasse aquela confusão do Coelho correndo e a menininha lorinha atrás, desesperada. O que eu nunca soube é que aquele país é o Brasil. Isso mesmo. Você já vai entender do que eu estou falando. 

Antônio Octávio Cintra, consultor Legislativo, PhD em Ciência Política pelo MIT; Ricardo Rodrigues, diretor da Consultoria Legislativa da Câmara, PhD em Ciência Política na New York University; e Francisco José Pompeu especialista em políticas públicas e gestão governamental, mestre em Economia pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madrid¹. Realizaram um estudo e fizeram um comparativo entre os custos dos deputados no Brasil e em outros países do mundo. A revelação é que lá em Brasília é uma verdadeira farra deliberada de dinheiro público.

 O fato é que, alguns deles, dizem não dar a mínima para a opinião pública. Outros acusam, nós da imprensa, de perseguição. O fato é que eu não sinto um mínimo de pena deles, e você deveria fazer o mesmo.

 OS DEPUTADOS NO PÁIS DAS MARAVILHAS

Pois bem, continuando o que disse mais a cima, você já irá entender a metáfora do texto com o desenho. Antes, eu estive em Brasília domingo, 17, foi muito rápido o tempo de uma conexão de vôo. Brasília é linda, bem estruturada, palácios belos e um céu tão lindo.

 Mas além disso, Brasília é o cenário brasileiro da falcatrua, dos acordos escusos, e como Luís Inácio falou em 1993, a casa dos 300 picaretas. Naquela época ainda eram 300, hoje são 513. Você pode se perguntar, e isso é uma dúvida freqüente para quem não dá a mínima para política, para que serve um deputado? Sem eles uma nação não é considerada democrática, pois sem os legisladores, que vão dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores o presidente seria o poder absoluto e tudo dependeria do seu bel prazer. Os deputados servem para elaborar leis, fiscalizar o poder Executivo (aquele que sanciona ou veta as leis, no caso, os prefeitos, os governadores e o presidente). E deveriam servir para estabelecer uma ligação entre o povo e o Executivo.

 Tudo isso na teoria. Claro.

 A minha resposta é que deputado só serve para gastar seu dinheiro. Para gastar verba à toa e para pagar passagem para modelos e atores globais como fez o deputado, para não dizer outra coisa, Fábio Faria. Além disso, eles não servem para nada. A tirar dos deputados do RN na Câmara Federal, Walter Alves que não faz nada e incrivelmente foi eleito em 2008 um dos melhores parlamentares do Brasil (não sei por quem); Felipe Maia, sua maior qualidade é ser filho do senador Agripino. E, estrelando, Henrique Alves que está no seu 11° mandato, ou seja, 44 anos e até hoje não trouxe um benefício ao Rio Grande do Norte. Têm outros, mas não vou citá-los, pois parece que eles batem ponto lá em Brasília.

 A incompetência desses e outros parlamentares é tamanha que em 2008 o Vale do Assú ficou embaixo d’agua e a verba que o Governo Federal enviou não foi suficiente para reconstruir a estrutura das cidades alagadas. Disseram em 2008 que não estávamos preparados, e que aquilo não aconteceria mais. Porém em 2009, a história se repete e mais de 10 mil desabrigados. E a frase continua: “o governo não liberou dinheiro suficiente”. Definitivamente a culpa é de São Pedro, só pode ser.

Pois bem, caro leitor. Enquanto eu e você somos enganados a todo instante, os politicos vão enriquecendo, ao nosso suor, e aprovando mais e mais projetos que só interessam a eles e aos seus grupos políticos.

 LADRÃO QUE AJUDA LADRÃO AINDA RECEBE CONCESSÃO

 A frase do sub-título é da música Luís Inácio (300 picaretas), do Paralamas do Sucesso. O que acontece é que 95% dos meios de comunicação, se não mais, estão nas mãos de políticos. Principalmente o veículo TV que atinge 99% dos lares brasileiros. Nesses veículos são publicadas notícias que só interessam aos seus coronéis. Alienação, mentiras e fatos sensacionais são veiculados para anestesiar o cidadão da realidade do país. Assim como as novelas.

Mas como eu disse no primeiro parágrafo, o Brasil é o país das maravilhas. Então vamos aos fatos. Um deputado na Itália custa aos cofres públicos, ou seja, aos contribuintes, no caso nós mesmos R$ 469 mil. Na França o valor é, um pouco, mais alto chegando a R$ 736 mil. Valores elevadíssimos, considerando que um deputado trabalha 6 horas por dia, e tem férias de três meses.

Essa quantia é relativa a salário, “e as chamadas verbas de representação, que cobrem as despesas relacionadas com o exercício do mandato” (Josias de Souza). Esses são valores anuais. No Reino Unido, onde há um padrão de vida elevado e condições sociais mínimas, como saúde, moradia e educação um deputado custa R$ 699 mil. Na Alemanha, o padrão já sobe. Mas, a Alemanha é um país desenvolvido com altos índices sociais. Um parlamentar está custando aos cofres públicos R$ 1,004 milhão de reais por ano.

Todos os países citados são exemplos de economia, produção, educação, saúde. Os valores são bem elevados e se você já ficou desconfortável na cadeira, se segure.

Um inábil deputado no Brasil vale: R$ 1,274 milhão por ano. Num país onde o trabalhador não tem como chegar ao trabalho de forma decente. Onde a educação pública é exdrúxula; Onde homens e mulheres de todas as idades morrem na fila dos hospitais. País esse que crianças pedem dinheiro no sinal e dormem na rua. Um país onde os dados oficiais declaram que 14,9 milhões² de pessoas são analfabetas, desconsiderando os semi-analfabetos (aqueles que só assinam o nome), e tantos outros milhões de analfabetos funcionais (sabem ler e escrever, mas não conseguem interpreter um texto). 

É nesse país que um deputado recebe um milhão duzentos e setenta e quatro mil reais. Um trabalhador que bate expediente das 7 as 19 horas, que é assaltado, assassinado por falta de segurança. O pai de família que vê seu filho morrer no corredor de um hospital esperando uma ficha para ser atendido precisaria, sem gastar com absolutamente nada, de 19 anos, ou 228 meses com o salário atual (R$ 465) para chegar a quantia exata de R$ 1,272 milhão de reais. Ou seja, uma vergonha. O que você que está lendo conquistará em 19 anos da sua vida, um deputado que não trabalha todos os dias, ganhará em 12 meses. 

Para complementar, um deputado brasileiro só não vale mais que um deputado norte-americano que custa ao Estado R$ 3.814 milhões por ano. 

ALICE SOMOS NÓS 

Por fim, declaro que o coelho que corre olhando sempre para o relógio não dando a mínima para Alice são os políticos, por que eles estão se lixando para opinião pública, para mim e para você. E a Alice que corre desesperada atrás do orelhudo somos nós, que não entendemos porque um país subdesenvolvido paga o maior imposto do planeta terra, em troca de nenhum benefício. 

 ***

Tabela: Quanto vale um deputado em outros paíse?

EUA: até R$ 3.814 milhões por ano;

Brasil: até R$ R$ 1.274 milhão anuais;

Alemanha: R$ 1.004 milhão;

França: R$ 736 mil;

Grã-Bretanha: R$ 699 mil;

Chile: R$ 545 mil;

Itália: R$ 469 mil.

***

¹Informações e dados retirados do blog Josias de Souza

²Unesco 2006.


A mídia que mata também é cega

Abril 1, 2009

Bruno Rebouças

A imprensa norte-rio-grandense a cada dia que passa se especializa em crimes cometidos por jovens de classe baixa, com pouca escolaridade e envolvidos, geralmente, com entorpecentes. O que a grande imprensa não retrata, são as causas que levam esses fatos acontecerem. Falta de estrutura familiar, falta de apoio dos governantes para promoverem programas sociais de vergonha, retirando as bolsas do governo, que compram os votos das camadas mais pobres. Uma política voltada para conscientização, dos estudantes e jovens para que esses não se envolvam com o mundo do crime, assim como há em outros estados e países. Investimento em segurança. Mas não. A grande imprensa trata apenas do fato destes ‘marginais’ matarem e assaltarem. Isso se deve caro leitor, pelo fato da mídia só publicar o que lhe convém e o que não incomoda seus financiadores.

Partindo para essa vertente, no dia 30 de março, aconteceu ‘O Dia Nacional de Lutas’. Esse ato foi convocado por diversas instituições dos movimentos sociais, a fim de reclamar e atentar a população sobre a crise econômica que assola o mundo, na qual os trabalhadores vêm pagando os prejuízos. O ato reivindicava “a redução dos juros, a defesa dos direitos trabalhistas, investimento em políticas sociais e redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a reintegração dos demitidos; e, principalmente, protestavam contra as demissões em massa, no estado do RN e no Brasil. Participaram do dia nacional de lutas, os estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Brasília, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo.

Apenas dois meios de comunicação, escrito, no RN publicaram a notícia. Um fomos nós (Foque), o outro foi a Tribuna do (Alves) Norte. Como era de esperar, a Tribuna deu foco no ‘caos’ do trânsito, como se esse fator não existisse em Natal diariamente. Em vez de focar a importância do ato, que reuniu, em Natal, mais de 600 pessoas, e em São Paulo, cerca de 10 mil, onde faziam suas reivindicações de forma passiva e democrática; A ‘grande’ imprensa preferiu abordar o trânsito’ tentando descaracterizar a marcha nacional.

É evidente a intenção da Tribuna, assim como dos demais meios de comunicação. A intenção é fazer você, cidadão, acreditar que não existe crise, e como disse o presidente-fanfarrão, ou vice-versa (você decide), “a crise mundial é uma marolinha”. Essa mesma marola levou o Japão à recessão. O fato que já está consumado, é que o trabalhador e a classe média, pagará a conta da crise criada pelas grandes incorporações e governos desastrados que gastaram milhões e milhões com causas inúteis. Como sempre, você pagará por uma conta que não fez.

A FALSA PREOCUPAÇÃO COM O TRÂNSITO

O fato de descaracterizar a marcha de 30 de março, não foi privilégio norte-rio-grandense, a Folha de São Paulo, também se preocupou com o trânsito da capital paulista. Nesses momentos, todos se preocupam com o bem estar social das pessoas que utilizam ‘os coletivos’. Mas denunciar o desleixo das prefeituras com o transporte público, esses meios não fazem. Aqui em Natal, a prefeitura em parceria com as empresas de ônibus, está implantando a bilhetagem eletrônica, na qual motorista dirige e cobra a passagem. Ou seja, demissão em massa bate na porta dos cobradores nos próximos meses. Além disso, com esse sistema, os transportes alternativos deixam de existir e mais trabalhadores vão para a rua.

No trecho abaixo a Tribuna dos ‘Alves’ se preocupa com os cidadãos que ficaram nas paradas de ônibus e na fila de automóveis esperando por minutos.

“A primeira parada, realizada no cruzamento das avenidas Cel. Estevam e Presidente Bandeira (Alecrim), durou cerca de 20 minutos e todo o trânsito ficou interrompido – causando grandes transtornos a quem esperava ônibus ou trafegava de carro próprio. As paradas ficaram lotadas e os passageiros reclamavam da demora”.

O repórter de tal jornal deveria andar mais vezes pelas ruas de Natal, pois assim ele constataria que as paradas de ônibus ficam lotadas, e os passageiros reclamam todos os dias, há todas as horas. Mas o direcionamento da reportagem visou transformar, como fez com as greves dos professores do Município e do Estado, o ato em caos, baderna e outras palavras que os jornalistas de gabinete usam com freqüência para descaracterizar  os direitos de cidadãos, trabalhadores e estudantes.

Por fim, além da mídia alardear os casos de mortes em Natal e no interior. Além de vender o sangue com o DNA de homens e mulheres desconhecidos, nas suas páginas e faturar com isso. De não atentar o cidadão para a realidade dos fatos, e o caos que o governo causa ao cidadão com suas atitudes errôneas. Além de omitir fatos, vender jornal com fatos sensacionalistas, ganhar audiência com a desgraça alheia, a ‘grande’ imprensa, seja ela falada, vista ou lida é cega. Mas é cega não por que tem catarata nos olhos. É cega de forma intencional, vendo apenas aquilo que lhe interessa, fazendo valer o velho ditado: “o pior cego é aquele que não quer ver”… Nesse caso, a realidade.


Coletivo Foque inova a comunicação

Março 24, 2009

O Coletivo Foque de Comunicação visa realizar uma comunicação livre e alternativa, publicando reportagens sobre assuntos que não tem vez na grande imprensa. A fim de manter sempre uma relação verdadeira e honesta com nossos colaboradores e leitores, comunicamos o lançamento de uma revista mensal, já a partir de abril de 2009. Estamos investindo num projeto arrojado e inovador. Tanto em qualidade gráfica quanto em conteúdo. A revista constará de reportagens, entrevistas, artigos, crítica da mídia, cultura, política, charge e ensaio fotográfico. Denúncia das mazelas sociais com um viés jornalístico sem a influência de grupos políticos e partidários. Uma revista feita por jornalistas, pesquisadores, designers, fotógrafos, e ilustradores… E você.

“Fazemos comunicação alternativa em meio a um mercado que fabrica alienação. Diante disso, entendemos ser necessário utilizar as mais diversas peças da linguagem como fios condutores de uma comunicação comprometida com as causas sociais. Nosso propósito é tornar público acontecimentos que grande mídia não se interessa em divulgar”, enfatiza Rogério Marques, um dos fundadores do Coletivo Foque de Comunicação.

A revista, que já tem nome, também tem por objetivo informar e formar cidadãos conscientes sobre a realidade na qual estamos inseridos. Pretendemos construir um projeto editorial onde os excluídos pelo poder público tenham vez e voz.

Em entrevista ao site Fazendomedia.com o jornalista Fausto Woff declara: “Quando Executivo, Legislativo, Judiciário e a Imprensa são sócios, temos uma ditadura”. O nosso propósito é quebrar essa ditadura dos três poderes, que se associam aos magnatas da mídia para enganar o (e)leitor.

Para manter uma imprensa livre e independente, precisamos da sua ajuda. A primeira edição da revista depende de você. Colabore, depositando qualquer valor na Conta Corrente N° 14362-4 – Agência N° 2010 – Caixa Econômica Federal.

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Desde já agradecemos a sua atenção.

Coletivo Foque de Comunicação – www.foque.com.br

“E quem nos ajudará, a não ser a própria gente?

…E diga sim, a quem nos quer abraçar

Mas se for pra enganar, diga não”

[Oração latina - César Teixeira]