Publiquei esse texto ano passado, porém, agora ele está editado e mais bem fundamentado, com Balzac, Millôr e Gabriel García Márquez.
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por Bruno Rebouças
Quando acordei hoje pensei no título acima. Porque jornaleiro vende jornal e jornalista, de forma bem simples, confecciona-os. Mas confecciona como? No decorrer do texto você entenderá o que quero dizer. O jornaleiro que me refiro não é o senhor que tem uma banca de jornal e que vende diversas impressões. Não. O jornaleiro que me refiro são os ‘jornalistas’ que não tem o compromisso social, que não trabalham com profissionalismo e ética. São aqueles que fazem da profissão vitrine para auto se promoverem, chegar ao poder, entre outros exemplos. No Rio Grande do Norte existem muitos jornaleiros. Há também jornalistas. Em 7 de abril o dia é dos jornalistas, logo a minoria pode comemorar porque ainda não existe o dia do jornaleiro.
Os jornaleiros se preocupam primeiro com o lucro da empresa, depois com o conteúdo. O jornalista não. Esse é um ‘puro sangue’, como disse Balzac em ‘Os Jornalistas’. “O puro-sangue é um homem no qual a gerência é uma vocação, que compreende esta dominação, que tem prazer na exploração das inteligências, sem abandonar, porém, os lucros do jornal. Os dois outros (o ambicioso e o homem de negócios – em nosso caso o jornaleiro), fazem de sua folha um meio; enquanto, para o puro-sangue, sua folha é sua fortuna, sua casa, seu prazer, sua dominação: os outros se tornam personagens, o puro-sangue vive e morre jornalista” (p. 35, 1999).
Neste sentido, jornalistas são oposição e o resto é armazém de secos e molhados, como disse Millôr Fernandes. Jornaleiros não. Jornalistas não devem agradar a todos. Jornaleiros vivem disso. Nós jornalistas queremos mudar o mundo por mais que digam que tal feito é utopia. Os jornalistas sabem o significado dessa palavra, os jornaleiros não. Diz a lenda que jornalistas defendem o povo e, os jornaleiros (ou jornalistas oficiosos, como queira) defendem os patrões e os governantes.
Vamos ao futebol. Jornalistas torcem pela bola. Os jornaleiros torcem pela organização do evento. Jornalistas não vibram sobre a Copa de 2014 porque o Brasil é um país corrupto e que tem problemas muito maiores a serem resolvidos, do que gastar dinheiro com um campeonato de futebol que trará riqueza, apenas para os ricos e, a balela sobre estrutura é leviana. Não fica estrutura coisa alguma, como afirmou, em Natal, Juca Kfouri. Jornaleiros acham que a Copa beneficiará os pobres, coisa que não acontecerá, pois assim como sempre fizeram, eles assistirão a Copa pela televisão, só para citar a parte do lazer que os jornaleiros citam.
Jornalistas ficam preocupados com a Copa no Brasil, porque há um alto nível de politicagem no país, por exemplo, na escolha das sedes. Em Brasília houve superfaturamento de R$ 74 milhões, em uma das licitações da construção do estádio local. Os jornaleiros não veem a verdade. A verdade também diz que Natal está super atrasada em tudo que a FIFA determina. Mas por aqui, os jornaleiros dizem que está tudo sobre controle ou que é preconceito dos sudestinos contra o Nordeste.
Jornaleiro afirma. Jornalista pesquisa. Para o jornaleiro, ser ‘jornalista’ é ruim, pois não é uma profissão muito bem remunerada. Os jornalistas acham isso também, mas afirmam que vale a pena ser jornalista, porque “o jornalismo é a melhor profissão do mundo”, como disse Gabriel García Márquez.
Jornaleiros elegem presidente. Jornalistas os tiram. E se não tirar, denuncia as mazelas. O jornaleiro não gosta do jornalista, pois o último carrega a verdade consigo. O jornaleiro omite a verdade, mas não chega a odiá-la. A maior missão do jornaleiro é omitir e manipular a verdade, logo ele precisa dela, assim como o jornalista que a usa para informar, formar e educar porque não? Jornaleiros só informam. Cumprem suas pautas e seus expedientes. Apenas.
Apesar da precariedade do trabalho, da desvalorização da profissão e dos salários estagnados hoje é um dia de celebração. Só para os jornalistas, claro. Os jornaleiros irão comemorar, pois eles são maioria. Aos jornalistas resta, apenas, continuar trabalhando, denunciando e sendo do contra que ao menos a verdade estará presente nos jornais, rádios, sites e televisões. Não sou otimista. Os jornaleiros são 90% dos que trabalham com ‘jornalismo’. Mesmo sendo 10%, os jornalistas, ainda, podem mudar o mundo. Os jornaleiros não.

Escrito por mediaalternativa 