Bruno Rebouças, [jornalista e editor do foque.com.br que teve dois primos assassinados, sem que os culpados nunca fossem presos]
Natal, dezembro de 2009. Um grupo de amigos alugou uma casa na praia para confraternização de fim de ano. No meio da festa, quatro bandidos armados entram na casa, rendem os homens e estupram as mulheres. Quatro ou cinco meses depois os bandidos são presos, pois alguém os denunciou.
Em 2008, com a onda de assaltos a ônibus, uma estudante de Enfermagem é assassinada. Até hoje, ninguém foi preso. Duas meninas voltam do colégio, um homem as estupram, um pai desesperado pede justiça e nada acontece. Todos os dias jovens inocentes, pais de famílias são assassinados na cidade do sol e nada é resolvido. Nenhum suspeito é preso.
Vidas são perdidas por negligência do governo que só pensa numa Copa do Mundo que está praticamente perdida. A polícia não mostra sensibilidade e boa vontade para correr atrás de quem merece ser seguido. Micarla só trata de trocar secretários, pois todos vêem que a administração ‘verde’ é um samba do crioulo doido.
Em abril de 2009, um policial em ronda pelo bairro de Felipe Camarão foi assassinado com uma grande quantidade de tiros. Crime trágico. Mas não menos trágico são os demais crimes sofridos pela maioria da população que não usa farda. Mais um crime em nossa cidade.
A polícia se movimentou. Juntou todo seu aparato técnico e fez buscas nas casas. Invadiram casas sem ordem. Agrediram e censuraram a imprensa. ‘Vá filmar sua mãe, disse um deles. O helicóptero, raramente visto em operações, estava na ação também. Em dois dias. Dois dias, recorde para nossa polícia, todos os suspeitos foram detidos. Um morreu em troca de tiro com os policias revoltados, devido à perda do amigo querido. Companheiro de profissão. A polícia demonstrou toda a sua eficácia… Sua força e sua boa vontade.
E mostrou, para toda a sociedade civil que quando eles querem, eles podem e fazem. A vida de uma pessoa, com ou sem farde, vale a mesma coisa. Conversando com pessoas ‘comuns’, como o porteiro da nossa redação ele bem disse: ‘a vida do policial é mais valiosa que a minha?’. É Isto o que a sociedade não fardada está pensando. A sociedade indefesa que não tem influencia política.
Solidarizo-me com a morte de qualquer pessoa, não importa se presidente, coronel, policial, político ou gari. Todas as vidas têm o mesmo valor. José Luciano de Oliveira, 34 anos, tinha uma vida inteira pela frente. Assim como as vítimas diárias também. À família de Luciano fica os meus pésames, mas para eles não ficará o sentimento de impunidade, como o pai que teve suas duas filhas estupradas; Ou o pai que perdeu a filha, com futuro promissor, assassinada dentro de um ônibus.
Achamos louvável a captura dos assassinos do policial Luciano, pois menos quatro bandidos circulam pelas ruas. Nós só queremos, acima de tudo, um tratamento igual quando, por exemplo, morrer um sorveteiro ou o ASG. É preferível que ninguém morra. Mas como a violência se alastra e os governantes estão em busca dos seus interesses, apenas, que se faça, ao menos, justiça.
Escrito por mediaalternativa