por Bruno Rebouças
Reportagem publicada no Jornal de Hoje, edição de 12 de abril de 2011
(as fotos postadas aqui, são de minha autoria diferente da edição do jornal)

Descaso com os comerciantes e a população
Após um ano de a Prefeitura de Natal divulgar que reformaria o calçadão de Ponta Negra, a situação continua a mesma. Em abril de 2010, o executivo municipal noticiou que reformaria e construiria 34 rampas, 17 escadas e o piso tátil de acordo com a nova lei de acessibilidade (NBR 9050), ao prolongamento de todo o calçadão do maior cartão postal da capital potiguar. À época, a obra estava orçada em R$ 547 mil e tinha previsão de término em 120 dias.
Há exatos um ano, apenas a acessibilidade fora feita, mas não em toda a sua plenitude. O piso tátil construído vai do início da Avenida Erivan França até seu final, retornando somente na Via Costeira, as partes mais turísticas e visíveis da orla marítima daquela região.
Ao longo do calçadão, saindo da Avenida Erivan França, é perceptível que nada fora feita no último ano. Os turistas e os comerciantes reclamam. “A Prefeitura não ajeita (os buracos no calçadão) e sobra para nós, porque o turista não entende e reclama com a gente”, relata o comerciante José Ademir. Para a turista Mayara Medeiros, do Paraná, os buracos do calçadão e as rampas degradadas “tiram a beleza da praia”.

Acessibilidade zero
Percorrendo o calçadão em toda sua plenitude, é possível encontrar a falta de estrutura do local, o que prejudica, diretamente, o comércio local, logo o turismo da cidade, já que, o problema de infra-estrutura nas praias e nos calçadões de Natal é recorrente.
Logo no início do calçadão, após a Av. Erivan França, é encontrada uma rampa de madeira, feita de modo artesanal pelos comerciantes preocupados com a clientela. Ao longo do caminho encontramos mais relatos de trabalhadores que fizeram o trabalho da Prefeitura de Natal. É o caso do seu Carlitos que já construiu, com seu próprio dinheiro, duas vezes a rampa de acesso à praia em frente a sua barraca. Dá primeira vez, seu Carlitos afirma ter gastado R$ 475, mas a água da chuva mais os bueiros do local derrubaram. A segunda rampa foi inaugurada recentemente, no final de março. Dessa vez seu Carlitos desembolsou mais de R$ 500. Ele afirma que não pretende pedir reembolso a Prefeitura e, espera que o problema seja sanado. “Fizemos a rampa porque as pessoas não desciam, porque é alto pular de lá para cá (do calçadão à praia)”, afirmou Kennedy Santiago, genro de seu Carlitos.
Um pouco mais à frente encontramos Sebastião de Oliveira que também construiu uma escada com os próprios recursos. Para tanto, ele gastou R$ 300 somente com material, pois fez a escada pessoalmente para não gastar ainda mais com a mão de obra. Ele afirma ter solucionado o problema de sua clientela, porém lamenta pelos deficientes que tentam acesso à praia. “Os deficientes sofrem por que não tem nenhuma rampa boa para eles desceram para praia”. Os comerciantes que não tem condições financeiras para construir escadas ou rampas, improvisam como podem, com sacos de areia ou pedaços de compensado.
Devido a isso, acidentes são recorrentes no local, assim como o descaso da prefeitura e das secretarias que administram as obras que ainda não foram realizadas. Diego Ribeiro, trabalhador em uma das barracas, afirma ter presenciado diversos tombos de pessoas que andam pelo calçadão. Ele nos contou que uma turista que se direcionava a barraca, onde ele trabalha, caiu no chão, pois a rampa era de saco de areia.
Além do problema de acessibilidade e infra-estrutura, nossa equipe flagrou motociclistas circulando pelo calçadão disputando espaço com os pedestres que caminham em seu ao prolongamento. Nenhum representante de órgão de fiscalização da Prefeitura de Natal foi encontrado no local.

Recepção na chegada à praia
A depredação do patrimônio público também marca presença ao longo da orla. Além das pichações de praxe, os telefones públicos, os famosos orelhões, estão danificados em quase toda sua plenitude. Em conjunto com isso, há muitos terrenos sem construção. Muitos deles estão tornando-se matagais com acumulo de lixo e objetos que podem reter água, podendo, nesse período chuvoso, virar foco do mosquito da dengue. Fora isso, alguns desses espaços, bem como em frente a alguns hotéis, encontramos caixas de gordura a céu aberto ou com uma tampa de madeira improvisada.
Em contato com a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), fomos informados que a recuperação da orla de Ponta Negra é considerada emergencial. A Assessoria de Imprensa da Semsur informou que o secretário Cláudio Porpino se reunirá com a prefeita Micarla de Sousa ainda essa semana para juntos deliberarem sobre a volta das obras em Ponta Negra, que deve acontecer até a semana que vem.
Cratera põe em risco pedestres em Ponta Negra
No fim do calçadão de Ponta Negra, na rampa de acesso à praia ao lado do hotel Rifólis, encontramos uma cratera funda e larga, que coloca em risco quem desce ou sobe da praia por ali. Com poucas fitas de alerta e isolamento do local, a única coisa que protege os transeuntes são alguns compensados e caibros sobre a cratera que já está rachando a estrutura da escada ao lado.
Os problemas com a acessibilidade na praia de Ponta Negra são constantes. No final de março a Secretaria de Serviços Urbanos, através de sua Assessoria de Imprensa, afirmou que as obras seriam retomadas no final daquele mês, porém até então nada fora reconstruído. Ainda de acordo com a Assessoria de Imprensa da Semsur, tal cratera entra na obra considerada emergencial em Ponta Negra que terá início na semana que vem.

- Completando aniversário, buracos são comuns em Ponta Negra