[Bruno Rebouças, jornalista
Sua televisão de modelo antigo, não mais fabricada, quebrou? Calma, tem concerto. É só ir procurar no Alecrim que você encontra a peça que falta. O Alecrim parece uma feira do mundo. Tudo se acha. Tudo mesmo. Lógico que se encontra tudo no bom sentido, no mal também. Bairro acolhedor e um pouco mal organizado, mas quem não gosta de uma bagunça? O bairro do Alecrim comemorou 98 anos, no último dia 23. O Alecrim tem uma história magnífica. Tem um relógio, que não funciona, é verdade, mas tem a feira, e o camelódromo, que você encontra até aquele filme que a Xuxa faz sexo com um boyzinho.
O Alecrim é a tradição de Natal. Nos últimos meses viveu uma efervescência com a ascensão do seu time, que já está na série C, e que provavelmente irá enfrentar ABC ou América, ou quem sabe os dois na terceirona. O Alecrim político. Com o histórico comício na Praça Gentil Ferreira, na Rua Mário Negócio, em 1984, reclamando as Diretas Já. O Alecrim da igreja de São Pedro, imponente no alto da capela olhando a cidade. O Alecrim da Praça Pedro II; do Colégio das Neves e do Padre Miguelinho, instituições que formaram tantas mentes brilhantes do Estado. Assim como o colégio Sagrada Família; Tem o cemitério público, datado de 1856, quando o alecrim era ainda, um roçado com algumas casas de taipa. O Alecrim é tudo.
O bairro foi oficializado, em 30 de setembro de 1947. Mas seu aniversário é comemorado dia 23 de outubro. Para as comemorações dos 100 anos a prefeitura promete, já para novembro, um novo relógio na Praça Gentil Ferreira para a contagem regressiva até 23 de outubro de 2011. A prefeita até foi pessoalmente dar parabéns ao Alecrim. Levou bolo e falou das míseras 500 lâmpadas que mandou trocar para melhorar a iluminação, além da brilhante e nova pintura da Praça Gentil Ferreira. Assim não vale. Micarla está se tornando a prefeita propaganda, no quesito, entendam, fazer política 24 horas por dia.
Mas voltando para o Alecrim. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, o bairro da zona Leste tem mais de 30 mil habitantes. O Alecrim é um centro comercial. Algo mais alternativo, outra opção de mercado e mercadoria. O Alecrim não tem o saudosismo da população. Mas é uma questão popular, quer dizer, natalense. Enquanto o Rio tem a Lapa, que seria a nossa Ribeira, cultural e não mais charmosa por falta de uma política pública. O Alecrim tem e teve seus boêmios, intelectuais que varavam a noite, entre bebidas e bate papo.
Para comemorar esses 98 anos, a prefeitura armou apresentações de grupos folclóricos, atrações musicais e ação de cidadania. A festa contou com a presença do Alecrim Futebol Clube e da Escola de Samba Imperatriz Alecrinense; além de blocos carnavalescos e tribos de índios. A Banda Sinfônica da Cidade do Natal e o Ballet Municipal fizeram suas apresentações. Tudo isso aconteceu nas principais ruas do bairro com concentração na Praça Gentil Ferreira. O parabéns foi orquestrado pela Banda de Música dos Fuzileiros Navais.
Apesar da alegria e da homenagem feita a esse glorioso bairro, esperamos que a prefeitura não fique só no saudosismo de aniversário, e planeje junto com a SEMURB uma obra de melhoria concreta para o quase centenário bairro do Alecrim. E não fique, apenas, pintando praça e trocando lâmpada.
O bairro do povo tem que ser preservado, parabéns, Alecrim.