O Muro caiu, mas a unificação não existe

Dezembro 1, 2009

 [Bruno Rebouças, jornalista e editor de O Coletivo e autor de No terreno da Fantasia

 

Nada além, nada além de uma ilusão”. Essas palavras soavam como profecia e tocavam o coração de um utópico com 69 anos de idade. Era madrugada do dia 9 de novembro de 1989, uma quinta-feira. Camilo não conseguira dormir; dali a horas o Muro de Berlim, ou da Vergonha, irá ruir. O fim estava próximo. O eixo soviético, que sempre deu as regras do mundo comunista, estava em crise. Países como Romênia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária e Polônia já se des­fizeram dos seus regimes ditatoriais. Na União Soviética, Gorbachev, eleito em 1985, começara a implantar reformas na economia estagnada. Um dos últimos redutos dos revolucionários era o tal muro. O partido está fragmentado, as ilusões perdidas. [...] Na TV, Sérgio Chapellin chama o repórter Ciro Bocanera, direto de Berlim, onde começa a maior transmissão da história da TV. [...] O primeiro guindaste se aproxima. Gente de todas as idades chegam perto do muro, onde anos antes seria impossível chegar. Pessoas que foram separadas pelo ódio ideológico, por um muro de 4 metros de altura por 162 km de extensão, estão prestes a se reencontrar. Vai começar a cair.         [...] A primeira pancada. Cai a primeira viga. O povo, que até então só observava, corre e começa a arrancar pedaços do muro da vergonha como podem. Ao vivo na TV, em cores, o cinegrafista dá um close em dois homens, um com barba e o outro sem; um com uma foice o outro com um martelo. Contradição. Reflete Camilo [...]. Trecho retirado do romance-reportagem No terreno da Fantasia – uma história do PCB/RN nos anos 1980*, de Bruno Rebouças e Roberta Maia.

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Dia 9 de novembro fez 20 anos da queda do muro de Berlim, fato que concretizou a vitória do capitalismo sobre o socialismo real. Fato comemorado pelos países do ocidente, embora tenha causado tristeza na ala da esquerda pelo mundo. Todos os jornais do Brasil praticamente publicaram o fato em suas páginas. Umas boas reportagens, outras ruins coladas de agências internacionais. Todas alardeando e pegando depoimentos de pessoas separadas pelo ódio ideológico. 

Verdade que sem o muro as coisas ficaram melhores, e que antes morreram muitas pessoas, nas tentativas de atravessar o muro da vergonha, como o ocidente costumava chamar. Está certo, também, que muitos que tentaram de forma legal, levaram não, ou conseguiram. Não é uma defesa, mas não podemos exagerar e manipular como fez toda a grande imprensa nesse dia tão especial para humanidade. Festas e comemorações marcaram os 20 anos da queda. Discurso ao pé dos restos do muro e insinuação da queda total em formato dominó fora realizado. Histórias marcantes e emocionantes contadas nas telas da televisão. 

O fato deve ser comemorado e nunca esquecido. O muro foi construído pela Alemanha Oriental para o país da cidade capitalista ocidental. Berlim Ocidental foi transformada numa vitrine do capitalismo, onde os táxis eram Mercedes Bens. Tudo para manipular e corromper a realidade, de um sistema ambíguo como o capital, que produz riquezas para mil, e é alimentado pela miséria de milhões. 

O muro foi construído em 1961, tinha 300 torres de vigilância e 162 km de extensão, muitos veículos de comunicação do RN publicaram, erroneamente, que seriam 155 km. Tinha 4,20m de altura, próximo ao portal de Brandemburgo, e em outras localidades era mais baixo. Estima-se que morreram 80 pessoas, identificadas; 112 ficaram feridas e milhares foram presas tentando atravessá-lo. Com a queda do muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, foi decretado o fim da guerra fria. Dali a três anos, em 1992, a União Soviética também seria extinta e o mundo voltaria a ser polarizado pelo capitalismo. O passo mais importante da queda do muro foi a dita unificação das Alemanhas. Tal fato aconteceu em 3 de outubro de 1990. 

UNIFICAÇÃO DE UM LADO

A unificação veio e a Alemanha, desde então, é uma só. Mas a imprensa não relatou uma pesquisa recente, que demonstra a desigualdade no tratamento entre os alemães ocidentais e os antigos orientais. A pesquisa foi publicada no jornal alemão Der Spiegel². Traduzida para o UOL. O Foque fez uma reportagem sobre tal pesquisa (leia a íntegra aqui) revelou que 57% dos alemães orientais (os comunistas) preferiam viver na antiga república, a hoje em dia na Alemanha Unificada.

A pesquisa revela vários aspectos, mas o principal, o que a maioria dos entrevistados disseram, foi em relação a solidariedade, igualdade e justiça que na atual Alemanha, ‘unificada’ e capitalista, não existem. “No que me diz respeito, o que tivemos naquela época foi menos ditatorial do que temos hoje. Quero ver salários iguais e pensões iguais para os moradores da antiga Alemanha Oriental”, relatou Schön um artesão que não revelou seu sobrenome.

“Sob a perspectiva atual, acredito que fomos retirados do paraíso quando o muro caiu”. Além da pesquisa boca a boca, os entrevistados responderam perguntas por cartas, e essa citação é de uma delas. A pesquisa revelou, ainda, que os cidadãos da antiga Alemanha Oriental são injustiçados em relação aos antigos alemães ocidentais [capitalistas]. Os ‘ex-comunistas’, recebem piores salários e não tem tanta liberdade, quanto os capitalistas dizem que oferecem. “A RDA [República Democrática Alemã] tinha, na maior parte, pontos positivos. A vida lá era mais feliz e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje”, diz outro cidadão numa carta.

A pesquisa faz questão de revelar que não só foram entrevistados ‘velhos’ saudosistas, mas jovens que nasceram na Alemanha Oriental, como Birger, de 30 anos. “Não dá para dizer que a RDA era um estado ilegítimo, e que tudo está bem hoje. A maioria dos cidadãos alemães orientais tinha uma vida boa. Com certeza, não acho que aqui é melhor”, se referindo à unificação da Alemanha, em 1991.

Por fim, não faço defesa do muro, pelo contrário. A sua queda colocou fim numa era perigosa e de conflitos indiretos que poderiam ter acabado com o mundo, caso a guerra fria tivesse esquentado. Mas, é fato que a imprensa só publica o que lhe convém. Agendando e fazendo questão que a queda do muro seja uma glória do capitalismo e dos EUA, e entre em discussão em todas as esquinas, mesas de bares e rodas sociais novamente. Os pecados cometidos pelo mundo socialista e a censura do direito de ir e vir, não podem ser cometidos novamente. Mas a manipulação e defesa do capital pela mídia não podem passar batidos pelos jornalistas comprometidos com a história e a verdade.

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² Citações retiradas da reportagem de Julia Bonstein, do jornal Der Spiegel; Tradução: Eloise De Vylder].

Texto publicado no observatoriodaimprensa.com.br e no foque.com.br


O Circo dos Vereadores

Julho 2, 2009

Enquanto vereadores discursam em plenário, na sala de imprensa jornalistas e assessores torcem. Batem palma, gritam e vaiam… É um espetáculo audiência na Câmara de Vereadores, em Natal.

por Bruno Rebouças [jornalista que viu e ouviu o que os vereadores e jornalistas fazem em plenário] 

Estava agitado o plenário da Câmara Municipal de Vereadores. No fim da tarde de 28.05, 13 vereadores, que a imprensa intitulou de ‘G-13’ haviam conseguido na noite de 27 de maio, quarta, antecipar a eleição para a mesa diretora da Câmara que se realizaria apenas em 2011. A verdadeira intenção, segundo rolava nos bastidores, era que os líderes do projeto, Júlio Protásio (PSB) e Edivan Martins (PV) queriam antecipar o resultado do inquérito da Operação Impacto*, na qual o juiz decidirá quem continua como réu ou não.

O fato concreto é que o ‘G-13’ bateu o recorde mundial de rapidez na votação de um projeto. É evidente que o projeto beneficia eles mesmos. O grupo conseguiu apresentar, votar e aprovar o projeto que adiantou a eleição, de 2011 para 2009, em menos de 24 horas.

Voltando. Estava tudo agitado na Câmara. Muitos jornalistas, assessores e civis lotaram o plenário da casa. Enquanto alguns vereadores discursavam sobre os agentes de saúde, todo mundo conversava sem dar à mínima. Logo começaram as discussões sobre a votação de logo mais. E de maneira arbitrária, Dicksson Nasser deu por encerrada a sessão, que até então, iria tratar do projeto sobre os Agentes de Saúde. Um grupo de seis vereadores correu em direção a mesa, lembrando que estavam escritos e, logo, a sessão não poderia ter fim sem eles serem consultados.

Enquanto isso, na sala de imprensa, os jornalistas e assessores trocavam informações, uns diziam que aquilo tinha sido manobra de Dicksson para que a população fosse embora. Coisa que realmente aconteceu. Outrora, alguns jornalistas acomunados com alguns assessores começaram a vaiar. Se eu estivesse com os olhos fechados, pensaria: ‘estou num estádio’.

Logo começou a gritaria e a algazarra.  A ‘ordem’ foi estabelecida, e a primeira a falar foi a vereadora sargento Regina, que desceu o cacete nos demais vereadores que foram para cima da mesa. Regina foi contra o projeto e manteve seu voto assim até o fim. A vereadora do PDT chamou os parlamentares de ‘urubus’ fato que levou a galera da sala da imprensa ao delírio.

Você torcedor que já foi a um estádio, sabe quando seu ídolo dribla um adversário tão bem, que até os outros torcedores elogiam? Foi assim que aconteceu. Mais pessoas da imprensa chegavam e mais tumulto se fazia. A imprensa estava em festa. Teve jornalista que olhou para mim e disse: ‘se Dicksson continuar na presidência, não piso mais aqui’. Pensei: torcedor.

Júlio Protásio, citado na fala de Regina pediu a palavra. E aí foi gol em final de copa do mundo. Muitos jornalistas presente torciam pelo G-13, alguns queriam fazer, apenas, seu trabalho e outros, aturdidos, olhavam. Eu, no caso. Júlio começou a falar e o silêncio, pela primeira e última vez imperou. Júlio atacou o deputado federal Rogério Marinho, que já foi duas vezes presidente da casa e elegeu seu sucessor, Dicksson Nasser.

Protásio acusou Rogério de tentar manipular a eleição, declarando que os vereadores contra a votação estavam esperando o deputado chegar de Brasília, para junto do procurador Alexandre Magno, cancelar a votação. Ao fim, Júlio declarou que a base do deputado Rogério Marinho, que inclui todos os vereadores contrários a eleição, queriam enganar a opinião pública. Golaço. Assessores e jornalistas aplaudiram o vereador acusado na operação impacto. Concluí duas coisas nesse instante.

Uma: quem fala muito alto, reclama, ameaça, quando ouve um grito se cala e fala baixo. Sargento Regina pediu a palavra novamente, todos esperavam uma resposta e ela declarou: ‘parabenizo o parlamento, por que nem todos têm coragem de dizer o que o vereador Júlio Protásio disse’.

Duas: quando os políticos são ofendidos e acusados, perdem o coro parlamentar, incham e ficam vermelhos de ódio. Isso não se repete para a defesa do cidadão, apenas, para a própria defesa e a do seu grupo.

Ranieri Barbosa ainda tentou voltar a falar sobre os agentes de saúde mais ninguém deu à mínima. Júlio Protásio saiu do plenário e levou metade dos ‘urubus’. A outra ficou na sala de imprensa que parece um curral. Enquanto o vereador Ranieri ganhava tempo, os vereadores conversavam, jornalistas falavam de futebol e assuntos afins. Uns batiam no vidro tentando falar com Edivan Martins, candidato único a presidente. O fato é que as conversas, os risos fluíam como se fossem numa mesa de bar. O vereador Maurício Gurgel, cara de menino e mentalidade de criança… Apenas ria e ajeitava o terno. E os outros conversavam…

A ELEIÇÃO EM SI FOI UMA FACHADA

A partir das 18 horas de 28.05, Edivan Martins foi eleito o novo presidente da Câmara dos Vereadores. Ele assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2011. A eleição foi uma fachada e todos já sabiam o resultado antes da mesma. Foram 17 votos a favor e um contra. Sargento Regina (PDT) manteve a postura e votou contra. Enildo Alves (PSB) e Dicksson Nasser (PSB) se retiraram da sessão, enquanto Luís Carlos (PMDB) absteve.

A mesa diretora será composta pelos vereadores, Edivan Martins (PV) – Presidente; Ney Lopes Júnior (DEM) - Primeiro vice-presidente; Julia Arruda (PSB) - Segundo vice-presidente; Maurício Gurgel (PHS) – Terceiro vice-presidente; Júlio Protásio (PSB) - Primeiro secretário; Albert Dickson (PP) - Segundo secretário; Adão Eridan (PR) - Terceiro secretário; Chagas Catarino (PP) – Quarto secretário.

A partir de janeiro de 2011, eles administrarão R$ 33 milhões anuais e poderão nomear 291 cargos comissionados num total de 586.

Por fim, a Câmara é uma fanfarronice. Assessores e jornalistas aplaudem, gritam e vaiam de acordo com o discurso ou vereador. Parece jogo de futebol. E, os profissionais da mídia são os torcedores… No curral, onde a imprensa fica, reina o barulho e a desordem.

 ***

*Operação Impacto:

Foi a operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. O objetivo é investigar supostas irregularidades na conduta de parlamentares no processo de votação das emendas do Plano Diretor de Natal. Cerca de R$ 94,4 mil foram apreendidos. Os vereadores foram acusados de corrupção passiva e ativa, e formação de quadrilha. As investigações tiveram por base denúncia de um suposto esquema de corrupção na Câmara Municipal de Natal feita pela procuradora do Município, Marise Costa à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. 

Com a autorização da quebra do sigilo telefônico de 16 dos 21 vereadores, o Ministério Público conseguiu interceptar diversas diálogos nos quais tratam da divisão do dinheiro relativo à propina acertada que levaram os promotores Afonso de Ligório, Giovanni Rosado e Alexandre Frazão a confirmar a existência “do grave esquema de corrupção”.


Robby Wood ao contrário

Julho 2, 2009

Deputados brasileiros custam o triplo de um deputado italiano e quase o dobro de um parlamentar francês… E é você quem paga a conta 

Bruno Rebouças [jornalista que a partir de 2008 só vota nulo] 

Toda criança já assistiu Alice no País das maravilhas. Eu também, embora odiasse aquela confusão do Coelho correndo e a menininha lorinha atrás, desesperada. O que eu nunca soube é que aquele país é o Brasil. Isso mesmo. Você já vai entender do que eu estou falando. 

Antônio Octávio Cintra, consultor Legislativo, PhD em Ciência Política pelo MIT; Ricardo Rodrigues, diretor da Consultoria Legislativa da Câmara, PhD em Ciência Política na New York University; e Francisco José Pompeu especialista em políticas públicas e gestão governamental, mestre em Economia pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madrid¹. Realizaram um estudo e fizeram um comparativo entre os custos dos deputados no Brasil e em outros países do mundo. A revelação é que lá em Brasília é uma verdadeira farra deliberada de dinheiro público.

 O fato é que, alguns deles, dizem não dar a mínima para a opinião pública. Outros acusam, nós da imprensa, de perseguição. O fato é que eu não sinto um mínimo de pena deles, e você deveria fazer o mesmo.

 OS DEPUTADOS NO PÁIS DAS MARAVILHAS

Pois bem, continuando o que disse mais a cima, você já irá entender a metáfora do texto com o desenho. Antes, eu estive em Brasília domingo, 17, foi muito rápido o tempo de uma conexão de vôo. Brasília é linda, bem estruturada, palácios belos e um céu tão lindo.

 Mas além disso, Brasília é o cenário brasileiro da falcatrua, dos acordos escusos, e como Luís Inácio falou em 1993, a casa dos 300 picaretas. Naquela época ainda eram 300, hoje são 513. Você pode se perguntar, e isso é uma dúvida freqüente para quem não dá a mínima para política, para que serve um deputado? Sem eles uma nação não é considerada democrática, pois sem os legisladores, que vão dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores o presidente seria o poder absoluto e tudo dependeria do seu bel prazer. Os deputados servem para elaborar leis, fiscalizar o poder Executivo (aquele que sanciona ou veta as leis, no caso, os prefeitos, os governadores e o presidente). E deveriam servir para estabelecer uma ligação entre o povo e o Executivo.

 Tudo isso na teoria. Claro.

 A minha resposta é que deputado só serve para gastar seu dinheiro. Para gastar verba à toa e para pagar passagem para modelos e atores globais como fez o deputado, para não dizer outra coisa, Fábio Faria. Além disso, eles não servem para nada. A tirar dos deputados do RN na Câmara Federal, Walter Alves que não faz nada e incrivelmente foi eleito em 2008 um dos melhores parlamentares do Brasil (não sei por quem); Felipe Maia, sua maior qualidade é ser filho do senador Agripino. E, estrelando, Henrique Alves que está no seu 11° mandato, ou seja, 44 anos e até hoje não trouxe um benefício ao Rio Grande do Norte. Têm outros, mas não vou citá-los, pois parece que eles batem ponto lá em Brasília.

 A incompetência desses e outros parlamentares é tamanha que em 2008 o Vale do Assú ficou embaixo d’agua e a verba que o Governo Federal enviou não foi suficiente para reconstruir a estrutura das cidades alagadas. Disseram em 2008 que não estávamos preparados, e que aquilo não aconteceria mais. Porém em 2009, a história se repete e mais de 10 mil desabrigados. E a frase continua: “o governo não liberou dinheiro suficiente”. Definitivamente a culpa é de São Pedro, só pode ser.

Pois bem, caro leitor. Enquanto eu e você somos enganados a todo instante, os politicos vão enriquecendo, ao nosso suor, e aprovando mais e mais projetos que só interessam a eles e aos seus grupos políticos.

 LADRÃO QUE AJUDA LADRÃO AINDA RECEBE CONCESSÃO

 A frase do sub-título é da música Luís Inácio (300 picaretas), do Paralamas do Sucesso. O que acontece é que 95% dos meios de comunicação, se não mais, estão nas mãos de políticos. Principalmente o veículo TV que atinge 99% dos lares brasileiros. Nesses veículos são publicadas notícias que só interessam aos seus coronéis. Alienação, mentiras e fatos sensacionais são veiculados para anestesiar o cidadão da realidade do país. Assim como as novelas.

Mas como eu disse no primeiro parágrafo, o Brasil é o país das maravilhas. Então vamos aos fatos. Um deputado na Itália custa aos cofres públicos, ou seja, aos contribuintes, no caso nós mesmos R$ 469 mil. Na França o valor é, um pouco, mais alto chegando a R$ 736 mil. Valores elevadíssimos, considerando que um deputado trabalha 6 horas por dia, e tem férias de três meses.

Essa quantia é relativa a salário, “e as chamadas verbas de representação, que cobrem as despesas relacionadas com o exercício do mandato” (Josias de Souza). Esses são valores anuais. No Reino Unido, onde há um padrão de vida elevado e condições sociais mínimas, como saúde, moradia e educação um deputado custa R$ 699 mil. Na Alemanha, o padrão já sobe. Mas, a Alemanha é um país desenvolvido com altos índices sociais. Um parlamentar está custando aos cofres públicos R$ 1,004 milhão de reais por ano.

Todos os países citados são exemplos de economia, produção, educação, saúde. Os valores são bem elevados e se você já ficou desconfortável na cadeira, se segure.

Um inábil deputado no Brasil vale: R$ 1,274 milhão por ano. Num país onde o trabalhador não tem como chegar ao trabalho de forma decente. Onde a educação pública é exdrúxula; Onde homens e mulheres de todas as idades morrem na fila dos hospitais. País esse que crianças pedem dinheiro no sinal e dormem na rua. Um país onde os dados oficiais declaram que 14,9 milhões² de pessoas são analfabetas, desconsiderando os semi-analfabetos (aqueles que só assinam o nome), e tantos outros milhões de analfabetos funcionais (sabem ler e escrever, mas não conseguem interpreter um texto). 

É nesse país que um deputado recebe um milhão duzentos e setenta e quatro mil reais. Um trabalhador que bate expediente das 7 as 19 horas, que é assaltado, assassinado por falta de segurança. O pai de família que vê seu filho morrer no corredor de um hospital esperando uma ficha para ser atendido precisaria, sem gastar com absolutamente nada, de 19 anos, ou 228 meses com o salário atual (R$ 465) para chegar a quantia exata de R$ 1,272 milhão de reais. Ou seja, uma vergonha. O que você que está lendo conquistará em 19 anos da sua vida, um deputado que não trabalha todos os dias, ganhará em 12 meses. 

Para complementar, um deputado brasileiro só não vale mais que um deputado norte-americano que custa ao Estado R$ 3.814 milhões por ano. 

ALICE SOMOS NÓS 

Por fim, declaro que o coelho que corre olhando sempre para o relógio não dando a mínima para Alice são os políticos, por que eles estão se lixando para opinião pública, para mim e para você. E a Alice que corre desesperada atrás do orelhudo somos nós, que não entendemos porque um país subdesenvolvido paga o maior imposto do planeta terra, em troca de nenhum benefício. 

 ***

Tabela: Quanto vale um deputado em outros paíse?

EUA: até R$ 3.814 milhões por ano;

Brasil: até R$ R$ 1.274 milhão anuais;

Alemanha: R$ 1.004 milhão;

França: R$ 736 mil;

Grã-Bretanha: R$ 699 mil;

Chile: R$ 545 mil;

Itália: R$ 469 mil.

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¹Informações e dados retirados do blog Josias de Souza

²Unesco 2006.


Obama: o primeiro presidente negro dos EUA, e aí?

Novembro 17, 2008

Bruno Rebouças

Barack Obama venceu a eleição presidencial americana. De cada dez brasileiros, oito votariam em Obama, inclusive eu. Com o slogan: ‘Sim, nós podemos’, o até então senador Obama alavancou uma campanha otimista, na qual fez reviver a empolgação e o sonho americano. No Brasil, alguns livros de Obama foram publicados, como a autobiografia dele, na qual revela que já usou drogas, como maconha. Outro intitulado de: ‘O meu sonho americano’.

O senador de Illinois utilizou a internet melhor que qualquer outro candidato. Arrecadou dinheiro mais que qualquer outro também. Lá nos EUA, o Governo Federal não financia campanha de senhor ninguém, diferente daqui, que o governo tem lá sua ‘verbinha’, guardada para utilizá-las de dois em dois anos. Nos EUA, não tem a palhaçada, da propaganda eleitoral gratuita na TV, nem nos rádios e em lugar nenhum. Se quiser aparecer na TV, desembolse milhões de dólares.

O povo americano não é obrigado a votar. E isso é sensacional, pois os ignorantes nem comparecem as urnas. Votam apenas, àqueles que querem votar realmente, e não os que só comparecem porque são obrigados, e coisa e tal.

Por aqui, se fala muito no primeiro presidente negro; Lá eles falam também, mas alguns por aqui exageram. Como disse Arnaldo Jabor, em um dos seus comentários no jornal da Globo. Jabor declara o que eu sempre disse: ‘Obama não venceu a eleição porque é negão’. Ele venceu a eleição, pelos seus méritos, por ser um cara preparado e, principalmente, por ter recuperado aquilo que nós, brasileiros, invejamos: a superioridade americana e a capacidade de viver em mundo de sonhos. A velha fórmula do modo de vida americano. ‘Sim, nós podemos’. Se Obama se candidatasse no Brasil, o slogan seria: ‘Sim, nós não podemos’. É isso mesmo, por aqui as coisas já foram bem piores, mas ainda estão ruins.

Como disse Diogo Mainardi, colunista da revista Veja, ‘nossos analfabetos são mais analfabetos que qualquer outros analfabetos do mundo todo’. Fazer o quê? Por aqui, vi as revistas semanais se vangloriarem que Barack Hussein Obama, é o primeiro negro a ser presidente dos EUA. Mas todo mundo esquece, ou não pensa, como você leitor, talvez não tenha pensado, que no Brasil, esse país tropical, 5 vezes campeão do mundo, nunca teve um negro presidente. Parece que somos um país racista, ou os negros nunca se candidataram, ou eles não têm vez? Não sei. Talvez as três opções. Como disse Paulo Francis: ‘pobre não gosta de pobre’. Além do mais, continuando com as frases de Francis, ‘o Brasil é pobre por burrice’.

Obama venceu o herói de guerra John McCain. A disputa foi boa, mas o conservadorismo de McCain o prejudicou. Além disso, os erros da administração do Republicano Bush foi uma pedra no sapato da candidatura de McCain. A gostosinha da Sarah Palin, vice de McCain, também. A mulher que falava em mudança, gosta de caçar e usa casaco de pele; A conservadora que casou com o primeiro namorado, vai ser avó, sendo que sua filha tem apenas 15 anos. Além do mais, a governadora do Alaska é muito superficial e isso prejudicou a campanha Republicana, segundo alguns analistas.

O melhor momento de McCain foi o discurso da derrota. Ele pediu para todos aqueles que votaram nele, que apóiem Obama, para que os Estados Unidos saiam dessa situação de crise e volte a ser o país das oportunidades. McCain foi diplomata, assumiu a derrota e se propôs ajudar Obama no que ele precisar. O velho herói de guerra demonstrou, como deve se comportar um candidato que respeita a escolha popular e a democracia que eles preservam tanto. McCain perdeu a eleição para um slogan, que você cansou de ouvir e ler.

A eleição de Obama foi muito boa, pois rolou meio que um entusiasmo geral no Planeta. Assim como Lula, em 2003, que deu uma injeção de ânimo na galera, o brother Obama também. Só esperamos que ele não faça tantas cagadas que nem Lula fez. Mas não podemos achar que o boy Obama, como diz a jornalista Juliana Manzano, vai mudar o mundo. Erros ele terá, só esperamos que ele retire as suas tropas do Iraque, e deixe com que todos os países tenham sua soberania nacional e possam decidir seus caminhos, sem que o império contra-ataque.

Esperamos que ele tenha sapiência suficiente, ele retire o bloqueio econômico implantado, sobre Cuba, que perdura desde 1963.  E que ele contorne a crise econômica, pois ela prejudica muito mais aos países emergentes, como o Brasil.

Por fim, invejo a democracia americana, na qual eles votam se quiser; Tem direito a informações diversas, sem serem corrompidos por meios de comunicação escusos. Invejo, pois, eles têm o poder de mudar suas decisões e sua história em um único dia. Para terminar vão dois trechos do discurso da vitória de Obama, em Chicago:

“Se alguém ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que o sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta [...] É a resposta de jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nós nunca fomos somente uma coleção de indivíduos ou uma coleção de Estados vermelhos e azuis. É a resposta de jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nós nunca fomos somente uma coleção de indivíduos ou uma coleção de Estados vermelhos e azuis.

Nos somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América [...]“.

Até mais.


A vitória de Micarla segundo o olhar do repórter

Outubro 7, 2008

Bruno Rebouças

Exerci minha cidadania pela manhã. Votei mais ou menos às dez horas e trinta e cinco minutos. Na minha sessão pouco movimento e tudo muito tranqüilo. Em um domingo ensolarado eu e algumas milhares de pessoas esperávamos a abertura das urnas.

As cores de Natal se resumiram no tão famoso verde, que não era o bacurau como é tradicional no RN, e o vermelho que continuava sendo a cor famosa dos bicudos. As urnas foram abertas às 17 horas. A ansiedade tomou conta de todos que ficaram na expectativa da apuração.

No dia anterior saíram algumas pesquisas que apontavam segundo turno. A pesquisa Start/Jornal de Hoje, foi exata. Cravou 50.9% dos votos para Micarla. Depois das 21 horas era o que se confirmaria.

A festa de Micarla começou em frente a TV Ponta Negra, de propriedade de tal candidata. Como a maioria das pessoas que conheço estavam lá, resolvi caminhar para o Alecrim, contando com a sorte de encontrar com a vencedora do pleito.

O clima na rua presidente Quaresma era de festa, mesmo com trinta por cento dos votos apurados. Carro de som e todo mundo de verde, menos eu. Animação e uma bandeira do PT. Isso mesmo do PT. Meia dúzia de, digamos, ‘micarlistas’ pulava sob a bandeira com a estrela e o número 13.

Alguns seguranças guardam a entrada da TV. Uma amiga me chama para entrar, pois dali em diante ninguém mais entra. Entrei e sentei. O telão ligado em um dos estúdios apontava 51% dos votos para Micarla de Sousa, mas a festa ainda não estava pronta. Faltava mais quarenta e nove por cento a serem apurados.

A cada minuto chega mais e mais gente. Uns entram na TV, outros, a maioria, ficam lá fora esperando o resultado. Em uma das salas, gritos. Os votos apurados chegam a oitenta por cento. A vantagem aumenta. A vitória está próxima. As pessoas vão soltando grito lá fora e a música em um dos carros aumenta, estronda. Dentro da TV mais comemoração, gritos e abraços. Chegamos a 96% dos votos apurados, a partir de agora mesmo que todos os votos restantes sejam de Fátima Bezerra, segunda colocada na apuração, Micarla vence no primeiro turno. E venceu.

Coloca na Band”, grita um homem de óculos e cabelo grisalho. Rapidamente um dos funcionários liga na emissora citada. É Micarla falando. A prefeita de Natal. Lá fora o povo comemora mais e mais; bandeiras se agitam. Aquele som que estava alto consegue ser mais alto ainda. Na entrevista de Micarla como prefeita ninguém ouve nada. Me aproximo da TV e ouço: “Deus nos ajudou e conseguimos vencer com a força do povo”, mais ou menos isso é o que traduzo para os mais fanáticos.

Os gritos lá fora anunciam que alguém proeminente chegou. Ligo a câmera fotográfica esperando Micarla, eis que surge Paulo Vagner, aquele fanfarrão da TV, gordinho. É, ele é o vereador mais votado do pleito e segundo ele mesmo “o vereador mais votado da história política de Natal”, com 14.444 votos.

Gritos ensurdecedores, dentro e fora dos estúdios da Ponta Negra. `Agora sim’! Micarla entra triunfante, sorridente e de verde, acompanhada de uma dúzia de assessores, seguranças e amigos. Rosalba Ciarlini chega junto com ela, assim como Paulinho Freire, o vice-prefeito, e os deputados, pai e filho, Robinson e Fábio Faria.

Micarla onde passa vai levando o povo”, é a música que toca lá fora. Dentro do estúdio é literalmente isso que acontece. Flashs, gritos, abraços, aperto de mão. Todos querem tocar na nova prefeita de Natal, aquela que derrotou, quase, todos os caciques que diziam que elegiam até ‘um poste’. Eu no canto da parede, espremido, tento bater, uma foto descente de ser publicada. Acho que consigo.

Com a chegada de Micarla aparece gente de todo lugar pelas ruas do Alecrim. Em pouco mais de meia hora, Micarla sai e vai de encontro com os seus eleitores. Lá fora o tumulto era grande, mas nada de violência, era dia de festa. Micarla não consegue andar, logo os eleitores e seus cabos eleitorais resolvem fazer o que fazem com grandes artistas, levanta a ‘borboleta’ e leva ela no braço.

Por um momento acho que é Copa do Mundo, o povo ergue o punho e grita. Em pensamentos distantes achei que era gol e Micarla de Sousa era a artilheira. E realmente foi. Do Alecrim todos, sem exceção, seguem para o Machadão e de lá em direção a Zona Norte de Natal, pela Bernando Vieira, aquela Avenida que o prefeito Carlos Eduardo gastou milhões e conseguiu deixar pior do que já era.

Pelas calçadas a população espera. Uma senhora levanta uma placa. Nela uma foto de Carlos Alberto, pai de Micarla, com os dizeres: ‘saudades’. Voto de geração em geração, penso. “Micarla realiza o sonho que o pai não conseguiu”, diz um homem de vinte e poucos anos levantando o copo que está na sua mão. Pelo trajeto pessoas humildes esperam pela nova prefeita. Salto do carro que estou para sentir o clima da população. Senti-lo foi muito bom. Pude ver a felicidade de pessoas e pessoas, das quais Micarla nem sabe que existem. Enquanto eu penso na importância daquela multidão que vem vindo, com bandeiras, faixas, adesivos e carros, uma senhora me pergunta: ‘você tem adesivo?’, respondo que não, mas arranco um ‘bottom’ do peito de um amigo e dou para a minha interlocutora, que diz amar Micarla e o pai dela.

Vou chegando ao viaduto da Urbana. Na passarela próxima, uma multidão de gente toma todos os metros quadrados. Lembro de um vídeo que assisti, recentemente, sobre a morte de Getúlio Vargas. O seu caixão passando pelas ruas e nas passarelas o povo jogando pétalas de rosas. Mas lembrei pelo triunfo do povo para com o político e pensei na relação de amor que ambos carregam em si. É admirável tal feito, bem como inexplicável. Penso ainda que poucos homens conseguiram arrastar tantos fãs como Getúlio. Faço alusão e penso se um dia Micarla conseguirá tal feito. Veremos.

É uma hora e trinta minutos da manhã. Chego ao largo da Urbana, antes de virar para a ponte de Igapó, e paro num posto de gasolina. A carreata-passeata ainda vem pela altura da Avenida Jaguarari. Há uma multidão e um grande congestionamento de carros. São tantos sons ligados que é impossível distinguir que música está tocando. Olho no relógio e concluo que está na hora de voltar para casa, pois às 6 da manhã tenho que ir trabalhar.

Deixo pelo caminho o bêbado que balança mais não cai, as lindas mulheres que dançam de verde até o chão e os boêmios que comemoram a vitória da pevista. Deixo as milhares de pessoas pelo caminho e sigo meu trajeto sempre com o olhar na janela.

Amanhece o dia e os jornais conclamam a vitória inconteste de Micarla Araújo de Sousa Weber, 38 anos, casada, Jornalista formada pela UFRN e herdeira política do ex-senador Carlos Alberto de Sousa (in memorian). Eleita por 193 mil e 195 pessoas, o que equivale a 50.84% do eleitorado da capital. Fecho o jornal e fico feliz por ter presenciado mais um fato histórico.

E isso ninguém me contou, eu vi.

Até mais.


Os indecisos ficarão indecisos

Outubro 3, 2008

Bruno Rebouças

Agora já era (que maneira mais inconveniente de começar um texto). Acabaram as movimentações políticas do primeiro turno, e segundo algumas pesquisas, acaba a eleição no domingo dia 5. Quem estava ou está indeciso continuará assim, pois o debate não contribuiu muito em quem votar no dia 5. Porém, como diz um amigo jornalista: “o povo quer vê guerra”. Levando isso em consideração creio que a maioria deva ter gostado. Creio que todos os candidatos não conseguiram expor seus ideais como um todo. Prefiro acreditar nisso a crer que eles são despreparados.

 

O fato que já se alastra em anos luz, é que os debates em Natal não contribuem em nada para a mudança, drástica, no quadro dos votos. Pode sim, por motivos diversos, contribuir na escolha de candidato X ou Y, mas para mim que sou autor desse texto e para a maioria das pessoas com um nível de escolaridade média não muda. Pesquisas dizem que 68% das pessoas, em média, não mudam seu voto desde agosto último.

 

Os debates atuais servem para os candidatos atacarem uns aos outros e o eleitor que deveria ser a grande questão da discussão entre os candidatos ficam em segundo plano. Golpes sórdidos são dados a luz dos holofotes, em frente as câmeras e a direção da Globo como sempre lhe convém, beneficia o candidato de sua escolha.

 

A análise desse debate começa pelo final, pois o que a Globo com sua arbitrariedade hábita desde os tempos em que foi fundada, lembrando as suas maiores falcatruas políticas, como a manipulação em 1982 da campanha de prefeito do Rio, na qual Leonel Brizola vencia com folga e a emissora dos Marinho declarava que ele perdia por uma margem pequena.

 

Voltando ao debate em Natal, Fátima declara que a coligação ‘Natal Melhor’, que tem Micarla como majoritária, “é uma coligação mentirosa e demagoga”. A direção da emissora, ou seja, Henrique Eduardo Alves, achou que a crítica feita pela candidata do PT não é considerada ofensiva. O direito de resposta não foi concedido a Micarla de Souza. O que a Globo fez, é típico de suas atitudes durante todos esses anos. Fato lamentável. Chamar uma pessoa de mentirosa virou corriqueiro. Mas, se eu chamar agora, Henrique Alves e Garibaldi Filho, Vilma de Faria e Fátima Bezerra de mentirosos, coisa que não sou louco de fazer, eu serei processado por injúria, que é o crime por ofender pessoas, através de palavras de baixo calão.

 

Mas é claro, que Henrique Alves não aceitaria o direito de resposta, pois não daria a Micarla a chance de terminar o debate se defendendo e mostrando que está sendo vítima de um acordo esdrúxulo.

 

Além desse fato, ocorreu que a rede Globo, como sempre, deixou a democracia de fora e excluiu os candidatos dos partidos que não têm representação na Câmara Federal, entre eles Dário Barbosa (PSTU), Joanilson Rêgo (PSDC) e Pedro Quithé (PSL). Ambos entraram com ação na justiça para participarem do Debate, mas o recurso foi negado, sob alegação de que o requisito utilizado pela Globo está dentro das leis eleitorais. Durante toda a campanha esses candidatos tiveram tempos ínfimos na TV. Enquanto as grandes coligações tiveram dez minutos os citados tiveram apenas um. Mais uma vez a Rede Globo dá um exemplo antidemocrático.

 

A PERFORMACE DOS PREFEITÁVEIS

 

Começando pela segunda colocada em todas as pesquisas possíveis e imagináveis, Fátima Bezerra. Chegamos ao fim do primeiro turno praticamente como começou a eleição. Com um acordo que demonstra o interesse de se conquistar o poder a todo custo, Fátima deu uma de paz e amor como fez Lula em 2002. O Presidente veio a Natal e deslizou nas palavras, há que diga que na velha cachaça também, no episódio chamado de ypioca, alusão à aguardente que o presidente Luís Inácio aprecia.

 

Fátima perdeu a chance de arrancar alguns votos de Micarla no debate. Fugiu. Fez perguntas irrelevantes a Miguel Mossoró, perdendo a chance de encarar Micarla com o fato da pevista ter seu nome em gravações da Operação Impacto. Fátima como tudo indica perdeu a eleição, no dia 2 de outubro quando omitiu o embate com Micarla. Além disso, Fátima frisou muito o orgulho da pareceria com os seus aliados, que não precisamos citar. Não respondeu a muitas questões e levou para casa um comentário que poderia ficar sem. “A senhora passa despreparo”, disse Sandro Pimentel do PSOL, quando o assunto em questão era a Educação. O desempenho de Fátima não foi desastroso, foi fraco e ruim. Mas o pior foi perder a grande oportunidade, e quem sabe a última de encostar Micarla na parede.

 

Micarla de Souza fez o seu jogo e talvez o jogo certo, pelo menos para si. Atacou quando foi atacada e nessas ocasiões se saiu muito bem. Em poucas vezes que se confrontou com Fátima, quando falaram da Saúde, Micarla se saiu melhor dizendo que seu apoio era do povo, enquanto Fátima continuou com a ladainha do orgulho de fazer parte do acordão não respondendo a questão em voga. Micarla foi serena. Jogou com o resultado na mão. Atacou, à sua maneira, a Administração atual e se direcionou a Sandro Pimentel com a maioria de suas perguntas. Falou muito do povo natalense. Não foi tão bem assim, mas como está ganhando alcançou os objetivos. Foi prejudicada no fim, quando Fátima Bezerra chamou a coligação verde de ‘mentirosa e demagoga’ e o direito de resposta não foi adquirido.

 

Vober Júnior ficou devendo. Fez seu papel de homem centrado que só discute idéias, o que eleva o nível do debate, porém para o grande público teve uma participação discreta. Foi paz e amor e provavelmente já se conformou com sua colocação. Além de cumprir seu papel de retirar votos de Micarla e levar a eleição ao segundo turno, o que possivelmente poderá não dá certo.

 

Miguel Mossoró como sempre foi a graça do debate. Disse algumas coisas interessantes e respondeu muitas perguntas de Fátima. À sua maneira tentou defender os direitos dos cidadãos, dos idosos e coisa e tal. Mas sempre que ele fala ninguém leva a sério, logo seus comentários por mais que reais são jogados ao léu.

 

Sandro Pimentel foi o melhor. Isso mesmo. Destaque para ele. Não foi irresponsável, não fugiu do debate. Explanou sobre todos os temas, complicou todo mundo com as suas perguntas pertinentes e ferozes; além de responder tudo com muita sapiência. Defendeu o interesse do eleitor, do cidadão. Dos natalenses. Sandro foi o único destaque desse debate que teve, entre tantas coisas, participações modestas. Sandro foi protagonista e liderou com grandeza o último debate do primeiro turno e quem sabe das eleições.

 

Creio que o debate perdeu em qualidade pela ausência do Doutor Joanilson de Paula Rêgo, homem de extrema inteligência e dignidade. O único candidato que atendeu a equipe do Foque, para entrevista; Dedicando seu tempo e sua paciência aos membros que compõe esse coletivo. Enquanto todos os outros ignoraram nossa existência ele nos recebeu em sua casa. A entrevista não foi publicada por motivos técnicos e de problemas com o equipamento. Mas fica aqui o registro do nosso agradecimento ao candidato Joanilson Rêgo.

 

Por fim, no domingo o cidadão natalense elegerá seus vereadores e o prefeito que governará a cidade por quatro anos. Esperamos que o dever cívico seja cumprido e que não haja corrupção elevada para angariar votos nesses dois dias restantes, antes do pleito. Algumas pesquisas, encomendadas ou não, ainda sairão nestes dias subseqüentes, mas será no domingo (5) que teremos certeza se haverá ou não Segundo Turno.

 

Até mais.


O subdesenvolvimento olímpico

Agosto 19, 2008

Bruno Rebouças 

Em tempos de Olimpíadas, não se faz mais nada além de se falar nos jogos. Em 8 de agosto presenciamos a maior abertura dos jogos de todos os tempos. Um espetáculo, que possivelmente não seja superado em anos. Uma linda festa de fogos, além de um sincronismo perfeito de homens e mulheres, que em dez meses ensaiaram constantemente, para se chegar a perfeição dos movimentos. O sucesso foi tremendo, apesar de algumas armações chinesas. Como a linda e doce voz da chinesinha, que apenas dublou outra criança. E os fogos da pegada, que não foram executados ao vivo, e sim em uma gravação dias antes da abertura. Apesar disso tudo, foi um sucesso e muito linda toda a festa dos chineses, no espetacular estádio do Ninho do Pássaro.  

O desfile das Delegações foi um verdadeiro embate entre Estados Unidos e China, cada qual com um número assombroso de atletas. Todos foram a Pequim para vencer, quebrar recordes e não apenas fazer uma boa participação, como pensa os atletas e a população brasileira.

O primeiro confronto direto aconteceu no basquete. O jogo foi bem disputado, porém, a nova edição do time dos sonhos, venceu por boa diferença (101 a 70), e mostrou que vai conquistar seu posto de primeiro colocado novamente.

Na natação, vimos um atleta vencer oito medalhas de ouro, no maravilhoso e incrível Cubo d’água. Michael Phelps venceu mais medalha de ouro que o Brasil na história. Nosso recorde são de seis medalhas de ouro conquistada, em Atenas, 2004. Nosso país é muito subdesenvolvido, principalmente nos esportes olímpicos. O que acontece é que formamos muitos jogadores de futebol, usuários do Orkut, pessoas vidradas em novela e que acreditam em tudo que sai na Globo. Atleta olímpico que é bom, nada. Somos um país conformista. Sempre fomos.

Quando algum competidor melhora seu tempo, ou sua colocação em relação aos jogos anteriores, por aqui é comemorado. Somos os reis do bronze. Tanto nas Olimpíadas, quanto no Pan-americano. E isso, é motivo de orgulho para todos nós. Tudo bem que uma medalha é sempre a coroação de um trabalho, bem ou não realizado. Mas o que acontece, é que nossos atletas saem do Brasil pensando no tal bronze e nós achamos isso o máximo. Em Pequim, vimos Thiago Pereira chegar na quarta colocação, nos 200 metros nado medley (quatro estilos), melhorando sua colocação em relação a Atenas, onde foi 5º. Resultado, de certa forma, comemorado, pois houve segundo o atleta, uma ‘evolução’. Esperamos que em 2012, em Londres, ele continue evoluindo, e seja terceiro lugar.

Destaque para César Cielo, ouro nos 50 metros livre. Conquistou a primeira medalha de ouro da natação na história. O fato é fantástico, se não fosse as palavras do Cielo após a conquista:  “Não esperava vencer um ouro e um bronze nesses jogos”. A pergunta é: “se não é para vencer, por que ir aos jogos?” Mas, está tudo bem, ele venceu afinal né? E se você quiser saber, eu comemorei muito. Assim como irei comemorar os ouros que vierem.

Entretanto, se conquistarmos seis medalhas de ouro será muito. O nosso país, a nossa mentalidade é muito pequena. Comemoramos coisas, que países vizinhos ao nosso não comemoram. Cuba é um país de onze milhões de habitantes, comunista e tem mais medalha de ouro que muitas potências do esporte. Segundo o jornalista César Tralli, a ilha de Fidel tem mais medalhas de ouro, por proporção habitacional, que qualquer outro país do mundo. 

Falta para nosso país, um investimento nas categorias olímpicas. Começando nas escolas com as crianças; traçando um plano de metas, que vise o desenvolvimento do esporte. Para assim, formamos não só grandes atletas, mas grandes seres humanos, que possa representar nosso país com maior destaque. Coisa que a China fez, com a Revolução Cultural de Mao Tsé Tung. O país ficou sem disputar os jogos durante 40 anos e voltou em 1984, tendo grande destaque. A partir daqueles jogos, realizado em Los Angeles, a China vem crescendo de rendimento e subindo posições no ranking geral. Em Atenas, 2004, foi segundo colocado; e em Pequim lidera com grande folga e tem tudo para ser campeã, superando os Estados Unidos que só perderam para antiga União Soviética.

Não gostaria que você, leitor, pensasse que sou antipatriota. Só quero que você saiba que perco minhas noites de sono, torcendo pela minha nação e no mínimo eu quero que ela vença; e principalmente deixe de ser saco de pancadas das nações européias. Mas vejo que isso é muito difícil, primeiro porque muitos de nós adoramos os bronzes e as boas colocações dos atletas; segundo, por não termos estrutura suficiente para concorrer com os demais países. Além da falta de consciência dos nossos governantes que não investem no esporte, e ficam rezando para que os atletas consigam bons resultados, como tal feito fosse fácil.

Falta investimento. Falta consciência. Falta olharmos para nossos problemas com olhos críticos, não fazendo com que os bons resultados nos ceguem. Não podemos discutir olimpíadas de quatro em quatro anos, temos que fazê-lo sempre. Por isso somos um país subdesenvolvido nas Olimpíadas.

Por fim, não temos nenhuma condição de cediar uma Olimpíada. O ’sucesso’ do Pan é propaganda enganosa.

Até mais.


A astúcia política do prefeito

Julho 12, 2008

Laurence Bittencourt Leite*

 

Quem acompanhou ou leu a sabatina com o prefeito Carlos Eduardo realizada pelo site “No minuto” do jornalista Diógenes Dantas, viu uma peça insuperável, a meu ver, de contradições e incoerências. Ao final, mais uma vez, ficamos com a certeza de que o jogo político rigorosamente é uma montagem onde cabe tudo, menos ética. Claro que em um estado como o nosso, não há nenhum problema em sabermos e pior, convivermos com a política sendo ela o campo da mentira. Nenhum. E diria mais: o campo da mentira, da corrupção, da falta de moral e ética, o que inclui, óbvio, os desvios de recurso públicos.

 

Respondam uma coisa: diante do roubo constatado como foi o “Foliaduto”, a “Operação ouro negro” e todos os escândalos de corrupção passados e presentes, na esfera federal, municipal, e estadual, qual a moral que essa gente que se diz “autoridade” tem para exigir que esse país seja um país ético? Isso explica rigorosamente porque a segurança pública não funciona. Nem irá funcionar. Essa gente não tem moral para mandar prender um ladrão de galinha, porque o roubo começa e é praticado por eles ou seus familiares. E no entanto, o prefeito diz na Sabatina que o Rio Grande do Norte não deve ceder às pressões econômicas. Que o fator “dinheiro” não deve prevalecer. Meu deus!

 

Ora, ora. Mas quem está falando isso? O prefeito, exatamente ele, que está usando o partido político para seus próprios interesses, e que irá usar (leia-se recursos do pobre do contribuinte) a máquina pública municipal, com o apoio da estadual e federal nas eleições municipais deste ano. A falta de ética desta gente é simplesmente insuperável e alarmante. E já se começam a formar as torcidas organizadas para torcer que os marqueteiros consigam levar a vitória para o lado de Fátima Bezerra. Meu deus! Quanto de recursos (alguém duvida que seja do contribuinte? Mas a frase do prefeito é qualquer coisa de impar) irá se pagar para “conseguir o objetivo”, de se chegar ao poder? E tome desvios, e tome uso da máquina, defendido pelos mesmos, que, claro, se beneficiam do jogo político. É duro. É dose. Nada muda.

 

Mas a Sabatina trouxe à tona a desfaçatez com que se joga o jogo político em nosso estado, município e país. O prefeito querendo impor o acordão, e levar por imposição o deputado Rogério Marinho a aceitar “democraticamente” a imposição, usou como argumento o fato de os partidos políticos no Brasil serem siglas a serviço dos “caciques”. Estaria falando de quem, o prefeito? Dele próprio? Claro. Mas o cumulo da desfaçatez é ele dizer isso, como se fosse uma critica, mas no entanto, na hora em que pode dar um avanço para combater essa total e absurda “falta de partidos”, ele apenas joga o mesmo jogo, porque está se beneficiando.

 

Não analiso aqui o candidato Rogério Marinho, mas afirmo que o seu gesto é louvável e legitimo, e torço sinceramente para que ele saia vitorioso da convenção, embora eu saiba difícil, porque o uso do “dinheiro” (ah, a frase do prefeito), e da “máquina” (que representa também o dinheiro) vá ser usado pelo prefeito, governadora e os seus seguidores para impor o acordão. Incrível que nessa história da candidatura ou não de Rogério, os argumentos dos defensores do acordão sejam tão autoritários, antidemocráticos, e anti-partidário, sem qualquer explicação plausível, a não ser o de interesses mesquinhos, pessoais, financeiros, etc, etc.

 

A nossa política é realmente vergonhosa. E pior: um gesto tão legitimo como outro qualquer, o de Rogério em pleitear sua candidatura dentro do partido, é mostrado como “gesto de rebeldia”. E isso em partido chamado de “socialista”. Imagine! E os que acusam de “gesto de rebeldia” são os mesmos que aplaudiram (e usaram no marketing) o gesto da atual governadora quando decidiu ser candidata ao governo “contra tudo e contra todos os caciques”. Mas agora, a “guerreira” virou cacique, e usa contra um direito legitimo os mesmos argumentos que os seus opositores usaram quando ela teve que se rebelar. Nunca esteve tão presente a frase: “o revolucionário de hoje, é o reacionário de amanhã”. Essa história vergonhosa não se repete apenas uma vez, enquanto farsa, mas permanentemente aqui em nosso estado. Todos os países que foram para frente tiveram que fazer revoluções, rebeldias sistemáticas. Aqui entre nós, vivendo sempre o mesmo retrocesso, nunca aprendemos com o passado, apenas o repetimos, mudando apenas os jogadores que buscam meramente os seus interesses pessoais. E a população pagando a conta. Como isso é velho.

 

*Laurence Bittencourt Leite é jornalista, professor da Universidade Potiguar e admirado por muitos alunos, inclusive por mim. Além disso, ele me deu 8 na primeira etapa do TCC em Jornalismo. Texto publicado, inicialmente, no O Jornal de Hoje e cedido, gentilmente, a esse blogueiro.

Mania de Natalense

Julho 8, 2008

 Texto: Bruno Rebouças e Imagem de 3D-divulgação

 

 

 

É incrível a irresponsabilidade dos políticos brasileiros e necessariamente, neste caso, os natalenses. Em 2008, presenciamos um acordo inútil que uniu segurando a mesma bandeira, na mesma foto e no mesmo palanque, os ‘Socialistas’ do PSB, os ‘Trabalhadores’ do PT e os homens que lutam pela ‘Movimento Democrático’ do PMDB. Trocando em miúdos, juntamos a manda-chuva do RN Wilma de Faria, os nada populares Fátima e a trupe do PT em Natal e o dentuço presidente do senado, Garibaldi, respectivamente.

 

Para essa coligação fizeram de tudo. Dentro do PSB, a marionete Carlos Eduardo, declarou fogo e guerra a todos que estavam com Rogério Marinho e não concordavam com o ‘acordão’. Márcia Maia, filha de Wilma (governadora do RN), foi eleita porta voz e responsável para negociar com os, ditos, rogeristas. Márcia saiu fortalecida e auto se promoveu. Mais um truque, de Dona Wilma. Como disse em artigo, no jornal O Mossoroense, o advogado, jornalista e ex-deputado Ney Lopes: “2010 começa em 2008”.

 

Todos nós sabemos e as pesquisas apontam um grande favoritismo para Micarla de Souza, candidata do Partido Verde, coligado com o DEM (Democratas). A primeira e única pesquisa até então aponta 61% para a candidata simpática, verde e jornalista Micarla. Para tentar frear a ascensão da candidata do PV, e aumentar a popularidade de Fátima Bezerra, candidata a prefeita do ‘acordão’, o tudo será pouco. Muito se fala, e se confirma por aqui, que Fátima foi exigência de Lula. Em troca o Luís Inácio, apóia Wilma em 2010 para o Senado Federal. O que mais me intriga é que, para melhorar nosso Estado, nunca se fez uma coligação dessas. Principalmente para as duas vezes em que perdemos as refinarias de petróleo, ganhando como prêmio de consolo uma Refinaria de porte médio, e olhe lá.

 

Você leitor, deve está pensando o que isso tudo tem haver com o título do texto. Então vamos lá. Em diversas cidades que residi, sempre pude acompanhar as manias dos cidadãos dessas cidades. Existem manias de comer tomate com sal, ou com açúcar. Outros chupam limão com açúcar ou com sal. Em noites de São João, uns assam milho, outros batata doce. E assim vai.

 

A maior mania dos natalenses é: inaugurar obras inacabadas. Foi assim com um dos maiores shoppings do Brasil o Mid Way Mall, que foi inaugurado com o último pavimento inacabado, onde fica o cinema. Tal obra só foi entregue quase dois anos depois. A reforma do estádio Machadão, a única em trinta anos, foi inaugurada com a drenagem incompleta e ineficiente, e com o gramado ainda por crescer. E outras obras pela cidade afora.

 

De todas as obras, creio que o Parque da Cidade, arquitetado por Oscar Niemeyer foi o pior exemplo de uma mania irresponsável. O Parque da Cidade fica em uma das maiores reservas de Mata Atlântica do país. O que mais envergonha é a inauguração de uma obra que tinha tudo para colocar Natal entre as cidades mais desenvolvidas em questão de lazer, entretenimento e preservação ao meio-ambiente, assunto tão em voga há muito tempo. O jogo político é de uma falta de respeito tremendo. E a carta abaixo de uma cidadã demonstra isso. Não fui ainda ao Parque, pois só visito obras concluídas, já que não sou nem arquiteto e muito menos engenheiro.

 

Essa inauguração precoce visa mostrar a eficiência da prefeitura e do prefeito ‘cabeção’ (como diz um colunista aqui de Natal). Tipo, fazendo a população lembrar “que inauguramos mais uma obra”. Pela cidade, você pode encontrar sem dificuldade diversos outdoors, fazendo propaganda barata das realizações do governo do Estado e da Prefeitura. Na TV, as propagandas do governo encantam com imagens da Ponte Newton Navarro, que só não inauguraram antes da conclusão por que realmente era inviável; imagens hipnotisantes do pôr-do-sol de nossa cidade, além de uma musiquinha que penetra na nossa cabeça e fica em nosso cérebro por dias. Tudo alienação.

 

Enquanto se articulam em salas acarpetadas e refrigeradas acordos esdrúxulos, quando chove na cidade do sol, a cidade vira um rio; a água que não tem por onde escoar sai levando e invadindo todos os lugares da nossa linda cidade. Pelas ruas buracos intermináveis. Os sinais queimam e o trânsito vira um caos. Temos mais carros zeros que qualquer outra cidade do Brasil. Mas esses problemas resolvidos não atraem tantos votos. O grande negócio é enganar o pobre e silenciar os ricos.  E da imprensa nem vou falar. Mas só para comentar, essa se cala fácil, ou por omissão ou por bons salários pagos embaixo dos panos e na calada da noite. Ainda no enquanto isso, o cidadão comum morre nas filas dos hospitais e o trabalhador e assaltado diariamente enquanto espera o transporte público.

 

Assim como a Avenida Bernardo Vieira, que corta Natal de forma paralela, deu errado e o estreitamento da pista causou maior transtorno a população, o canteiro inacabado do Parque da Cidade envergonha todos os cidadãos de bem, que sonhavam em ter um espaço como tal para passar seus fins de semanas em contato constante com a natureza. Mas o que mais me impressiona é a falta de talento dos agentes do poder de conseguir uma única vez, de acerta na inauguração de uma obra ou na escolha de um nome para disputar a prefeitura de nossa cidade. Esse Parque é esperado há anos, a diversas administrações; mas a incompetência e falta de compromisso fez mais uma vez o tiro sair pela culatra. A grande imprensa silencia, pois cargos comissionados em janeiro serão distribuídos, então para que arriscar quatro anos de fartura nas tetas do estado, para criticar e ajudar o cidadão?

 

A mania de natalense é essa. Inaugurar obras antes de terminá-las. E caso, você leitor não seja de Natal, e por ventura venha aqui algum dia (coisa que você deve fazer), encontrando alguma obra inacabada, não ache que faltou verba ou que esqueceram de concluí-la. É mania mesmo.

 

Até mais.   


Stálin de Faria

Junho 30, 2008

 

Por: Bruno Rebouças 

 

Mais uma vez deixo com que um fato passe pela opinião pública, para poder me manifestar. O melhor dessa atitude, é que os dados, os motivos e as razões estão mais visíveis que no calor da hora. O fato abordado neste artigo, será a vitória dos wilmistas, sobre os, revolucionários, rogeristas. A princípio creio que essas nomenclaturas firmam dinastias. Coisas imperiosas, que não somem nunca. Assim como as correntes político-filosóficas, como o leninismo, stalinismo, marxismo, maoísmo, trotskismo entre outros.

 

Esse último foi um dos maiores idealizadores da extinta URSS, e um dos maiores pensadores do século XX. Bem como, era comum para o regime revolucionário, Trotski virou inimigo da revolução que ele ajudou a implantar. Perseguido incessantemente, ele foi morto em 1955, por ordens de Stálin, que ordenou milhares de mortes de inimigos e ex-amigos da União Soviética. Aquele que ia virar padre, e resolveu ser ditador. Todos, sem exceção, que cruzassem o caminho do bigodudo russo (Stálin), tinha sua vida política e social, necessariamente, extinta.

 

Após essa metáfora, volto a Natal. Rogério Marinho e todos os seus seguidores desafiaram o poder elitizado, dentro do PSB (Partido Socialista Brasileiro), ou seja, Wilma. O que considero uma atitude muito válida, dentro das perspectivas que não aceitavam o, inútil, ‘acordão’ entre todos os caciques da nossa política. Todos não, quase. Porém a atitude de Rogério, que seria Trotski, foi repudiada por muitos que o chamaram de traidor, ingrato e tudo mais. No fim, prevaleceu a força da cacique-mor, Wilma de Faria, que seria Stálin.

 

O desafio que Rogério fez a mandatária norte-rio-grandense, foi de extremo valor para a população, e demais partidos enxergarem que a democracia reside no instante em que há uma pluralidade de opiniões. Como dizia Nelson Rodrigues, “toda maioria é burra”. Logo, quando tudo é unânime, talvez exista um grande silêncio por parte de muitos, ou todo mundo é burro mesmo. Acredito na primeira hipótese.

 

Partindo para outra esfera, sempre acreditei que os filiados de um partido são, ou deveriam ser, adeptos de suas ideologias. Crendo nisso, Wilma é socialista? Rogério Marinho, Carlos Eduardo e Salatiel também o são? Logicamente que eles, talvez, não saibam que o socialismo é um estado preparatório para o Comunismo. E respondendo as duas perguntas anteriores, indago que não. Não são socialistas.

 

Se o socialismo é um estado de preparação para o Comunismo utópico, de Marx e Engels, logo existe, ou deveria existir, para os socialistas, o 1º preceito dos comunas: “supressão, da propriedade privada”. Marx e Engles intitulam dez preceitos iniciais, no livro-bíblia dos comunistas, O Manifesto do Partido Comunista, 1848 (eu tenho e posso emprestar). Isso nos leva a concluir que as ideologias partidárias na servem para absolutamente nada. A não ser confundir e enganar o povo. Logo penso em fundar um partido também, podia ser o Partido da P.q.P.

 

Levando para o parâmetro midiático, ninguém ousou apoiar Rogério. E houve sim, uma comemoração por parte da imprensa pela vitória da ‘guerreira socialista’. Muitas manchetes, fotos, opiniões medianas que, quase sempre, não passam da mesmice. Inclusive essa palavra (mesmice), nesse estado belíssimo é muito comum. Bem como em um império, somos reféns de grupos políticos oligárquicos que passam o poder a seus herdeiros políticos. A política em forma de ciência, não existe. Ela é encarada como profissão. No livro de Max Weber, Política e Ciência – duas vocações, o Karl Marx do capitalismo, declara que ser político é representar o cidadão, e as coisas que eles necessitam, fazendo disso um cargo público, com expiração, no nosso caso quatro anos. Mais o que vemos é um ciclo vicioso, que começa no berço e vai entrando eternidade a dentro. Alves, Maia, Faria entre outros casos pelo país.

 

O fato é que, não podemos aceitar que grupos interessados a manter o monopólio do poder nos façam engolir parcerias pífias, como o PMDB, junto com PT e com PSB. Nesse conjunto para fecharmos como chave de ‘ouro’ faltava só os social-democratas de meia tigela, do PSDB. Não estou fazendo política para senhor ninguém, mas viso como um homem de princípios, o melhor para a população como um todo e não apenas para mim ou para meus entes e amigos queridos.

 

Por fim, declaro: talvez Wilma seja mais piedosa que Stálin e não sepulte os rogeristas. Rogério, talvez, tenha mais sorte que Trotski e continue com suas atribuições políticas. Talvez essa afronta de Rogério, tenha sido mais um golpe de Wilma, na sua brilhante carreira política. Para depois estender a mão ao filho pródigo e protegê-lo mais uma vez no seu seio, ou curral, eleitoral, como uma mãe que perdoa os erros do filho.

 

Só o tempo nos dirá, mas desses ‘socialistas’ eu não espero nada. E ninguém me garantiu que isso tudo não foi mais um pão e circo da Natal moderna. Onde Garibaldi, dois anos antes (2006), ataca Wilma em rede estadual e vice-versa, e depois, ambos, apertam as mãos e sorriem para a mesma foto. O que é aplaudido hoje; é repugnável amanhã. Até mais.