Bruno Rebouças
O big brother é um programa ultra-moderno e inventado no século XXI. Se você concorda com essa afirmativa, esqueça. O big brother surgiu em 1948, com o livro do escritor e jornalista George Orwell, com o seu mais famoso romance 1984. Segundo Orwell, em 1984 os homens todos seriam vigiados por câmeras, e todos os pensamentos escusos seriam punidos pelo IngSoc (o Partido). Todos viveriam em um continente intitulado de Oceania. Esse nome se dá pelo fato, da união de todos os oceanos, juntando assim os continentes em um só.
A transformação da realidade é o tema principal de 1984. Disfarçada de democracia, a Oceania vive um totalitarismo desde que o IngSoc chegou ao poder sob a batuta do onipresente Grande Irmão (Big Brother). O livro conta a história de Winston Smith que é membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade. “A função de Winston é reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. Nada muito diferente de um jornalista ou um historiador. Winston questiona a opressão que o Partido exercia nos cidadãos. Se alguém pensasse diferente, cometia crimidéia (crime de idéia em novilíngua) e fatalmente seria capturado pela Polícia do Pensamento e era vaporizado. Desaparecia”, analisa o Duplipensar, site de resumos de livro.
A semelhança com o Big Brother, não é mera coincidência. O onipresente ‘grande irmão’, que tudo vê, ouve e puni, seria o apresentador, outrora excelente, Pedro Bial. Logo, aqueles que não andam na regra, vacilam dentro da confortável casa da Globo, são evaporados, desaparecem. A votação, primeiro dentro da casa, segundo pelo voto popular, que não é apurada na frente dos telespectadores, é passível de manipulação, caso os ‘Grandes Irmãos’ que controlam e dirigem o programa queiram.
Ainda seguindo o resumo da obra, “Winston Smith e todos os cidadãos sabiam que qualquer atitude suspeita poderia significar seu fim. E não apenas sair de um programa de TV com o bolso cheio de dinheiro, mas desaparecer de fato”. Neste trecho, destaco a fama instantânea que um membro do big brother tem. A Globo, com todo seu egoísmo mantém o participante com um contrato exclusivo de imagens, não podendo este ceder entrevistas a outros meios de comunicação. Quando todos os membros do programa Big Brother caem na ilegalidade, novamente, a emissora dos Marinhos encerra os contratos daqueles, jogando-os no esquecimento geral. Ou como disse certa vez Brizola: ‘mandando todos para a Sibéria do esquecimento’.
“Algo estava errado, Winston não sabia como, mas sentia e precisava extravasar. Com quem seria seguro comentar sobre suas angústias? Não tendo respostas satisfatórias, Winston compra clandestinamente um bloco e um lápis (artigos de venda proibida adquiridos num antiquário). Para verbalizar seus sentimentos, Winston atualiza seu diário usando o canto ‘cego’ do apartamento. Desta forma ele não recebia comentários nem era focalizado pela teletela de seu apartamento. Um membro do Partido (mesmo que externo como Winston) tinha de ter um teletela em casa, nem que fosse antiga. A primeira frase que Winston escreve é justificável e atual: Abaixo o Big Brother!”.
É incrível o sucesso que o programa Big Brother faz no mundo subdesenvolvido. No mundo, onde especular, vigiar a vida alheia e julgar as atitudes dos outros é normal e corriqueiro. A grande verdade, é que o programa que é vendido no terceiro mundo, através da produtora, holandesa, Endemol, só serve para manipular uma falsa realidade, assim como Orwell previu em 1948, inventando sem saber o tal programa. Um programa sem cultura e que não acrescenta absolutamente nada na vida de nenhum de nós. Satisfaz os desejos, apenas. Vê todas as gostosas de biquíni expondo seus corpos malhados e sãos, passando protetor sem descrição nenhuma, é excitante certas vezes. Homens de corpos sãs, malhados deixam as meninas eufóricas. Mas o que isso muda na sua vida? Muda que você quer ser como eles. Muda que você vai preferir ser lindo e famoso, a ser respeitado e inteligente. A Globo e o formato do Big Brother, só servem para entreter o grande público, e fazer com que todos nós esqueçamos da realidade, de fome, falta de estrutura na saúde, desemprego e corrupção.
“A função de Winston é uma crítica à fabricação da verdade pela mídia e da ascensão e queda de ídolos de acordo com alguns interesses”. Ou seja, na TV criada em 1964 para defender as idéias militares, a mesma TV que muitos amigos meus sonham em trabalhar, a Globo, fabrica verdade, e quem vai contra ela é acusado de mentir, pois a TV do Plim-Plim, atingi 98% do país. A queda e a ascensão de uma ídolo, seja ator ou cantor, depende do interesse dos dirigentes da Globo para tal.
No livro 1984, o Partido distribui ração de chocolates para a população, nada diferente da prova da comida que os participantes da casa do BBB são acometidos a fazer. No livro, os cidadãos agradecem ao Grande Brother, assim como os integrantes do BBB fazem quando vencem a tal prova.
No livro, quem manda é o partido. No BBB quem manda é o Bial, que seria a representação do totalitarismo, como sempre, disfarçado de democracia. Câmeras espalhadas pela casa, e microfones chamam os participantes, caso algo proibido seja realizado. Manipulação para acontecerem brigas são feitas. Quando a confusão se instala, o pessoal do ‘deixa-disso’ é chamado no confessionário, e qualquer desculpa é inventada, para que lá fora os brigões garantam a audiência, o lucro para o programa.
“Dois mais dois são cinco se o partido quiser”. Assim é o Big Brother. As realidades são inventadas; os romances, as provas. Tudo para você ver TV com pessoas reais. Essas mesmas pessoas são manipuladas e vivem sem razão, por pelo menos 3 meses. As mulheres mais recatadas saem na primeira semana. As mais fogosas, gostosas, continuam por mais tempo. Quando saem da casa cheia de espelhos e câmeras, dão lucro para revistas masculinas ou viram atrizes, sem muito talento e sucesso. Além de satisfazer os marmanjos obcecados por sexo que compram a revista para liberar seus hormônios presos. Há as exceções, mas eu considero todas farinha do mesmo saco. Fracas, vazias, e sem um mínimo de conteúdo. Os que continuam na mídia, estão aí até o dia em que os interesses políticos e econômicos da TV Globo prevaleçam. Após isso, todos serão jogados no Buraco da Memória, ou na Sibéria do esquecimento.
Big Brother is watching… (Grande Irmão está assistindo…), disse George Orwell, um dos maiores escritores de todos os tempos. Pensem nisso, e lembre que você pode está sendo filmado. Se isso acontecer, não sorria. Chore.
“Abaixo o Big Brother”.
Até mais.
Escrito por mediaalternativa 

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